Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ana Paula Lima

93ª Sessão Ordinária - 16/10/2013

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito obrigada, sr. presidente,

Sra. deputada Luciane Carminatti e srs. parlamentares, também quero desejar a todos um feliz dia dos médicos. Na minha família também tenho cunhados e cunhadas médicos.

Deputado Antônio Aguiar, a medida mais certeira da presidente Dilma e do médico ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi o programa Mais Médicos, trazendo o atendimento médico às regiões mais carentes do nosso país e do estado de Santa Catarina, aonde essa categoria não tem em número suficiente para fazer o atendimento ao nosso povo.

Acertada também porque esses médicos vêm para um período emergencial de três anos de atendimento, quando teremos brasileiros aptos a estarem nesses casos.

Por que não revalidar o diploma? Porque eles vêm para um projeto de atendimento nas áreas mais carentes. Se revalidarmos o diploma do médico, ele entra pela iniciativa do serviço público, mas logo, logo vai abrir o seu consultório particular. E não é esse o projeto do programa Mais Médicos. Eles são para atender oito horas nos postos de saúde mais distantes, aonde não temos o profissional adequado.

Por isso, defendo; por isso, a comunidade está aplaudindo essa iniciativa da presidenta Dilma Rousseff. Por isso, o prefeito de Blumenau, de Joinville e de Florianópolis, os únicos três que não queriam esse projeto, revogaram a sua decisão, porque, deputado Dirceu Dresch, nos postos de saúde da minha cidade, ou do município de Joinville, a comunidade colava cartazes com o seguinte: "Senhor prefeito, queremos médicos. Não importa se eles sejam brasileiros ou estrangeiros. Queremos é atendimento".

O Sr. Deputado Dirceu Dresch - V.Exa. me concede um aparte?

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!

O Sr. Deputado Dirceu Dresch - Deputada, quero parabenizar v.exa. por essa defesa. Eu já fiz três, quatro defesas do acerto do governo federal e do ministro da Saúde, sentindo esse clamor da sociedade brasileira que não tinha o direito a ter um médico, principalmente no norte e nordeste.

Agora, revalidar, deputado Antônio Aguiar, é vocês aceitarem que esses médicos venham aqui e venham trabalhar nos municípios, nos estados e ficar aqui. Eles não vão ficar. Eles ficarão por um período transitório aqui no Brasil. Eles vão nos ajudar enquanto o Brasil forma os seus médicos, depois, voltarão aos seus países de origem.

Agora há uma discriminação violenta com o país de Cuba, que hoje tem as melhores experiências, os melhores cursos de Medicina e as pessoas mais preparadas que vão nos ajudar.

Felizmente, o povo brasileiro vai ter inclusive os médicos cubanos e de tantas outras nações aqui, trabalhando, para o bem do povo brasileiro.

Quero cumprimentar v.exa. pela defesa, e vamos estar juntos nessa caminhada, sempre defendendo o programa "Mais Médicos", um programa acertadíssimo do governo brasileiro, para trazer mais saúde, que era um dos grandes clamores das ruas, das mobilizações da nossa população brasileira.

Muito obrigado!

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Hoje, faltam muitos profissionais. Com todo respeito a essa categoria que hoje comemora o seu dia, aproveito a oportunidade para dar os parabéns aos deputados Antônio Aguiar, Serafim Venzon e Jailson Lima, que são médicos, que são dessa categoria.

Foi uma decisão acertada, deputado Antônio Aguiar, com todo o respeito que v.exa. tem em defesa da sua categoria, mas a nossa população precisa de atendimento e é um projeto que ele tem dia de começo e de final.

Os médicos cubanos fazem esse trabalho no mundo inteiro. Fizeram esse trabalho no Haiti, quando aconteceu o terremoto. Eles são chamados pela vasta experiência que têm no atendimento da saúde pública.

O Sr. Deputado Antônio Aguiar - V.Exa. me concede um aparte?

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!

O Sr. Deputado Antônio Aguiar - Deputada Ana Paula Lima, quero parabenizar v.exa. pelo programa. Eu concordo que venham mais médicos para cá. Isso não é o problema, o que defendemos é a capacidade desses médicos. Se o médico receita uma receita errada, quem será o responsável? Vai ser a presidente Dilma ou vai ser o médico?

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Às vezes, temos receitas erradas mesmo tendo a revalidação do diploma. Temos até cirurgias erradas.

O Sr. Deputado Antônio Aguiar - Mas isso é legal. Ele foi aprovado.

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Não, não é legal, porque trabalhamos com vidas humanas.

O Sr. Deputado Antônio Aguiar - O programa é bom, deputada Ana Paula Lima, e concordo com ele, apenas discordo com a maneira que está sendo feita.

A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito obrigada e parabéns pelo Dia do Médico, deputado Antônio Aguiar.

Srs. deputados e sras. deputadas, ontem, ouvimos aqui o magnífico reitor da Furb, o representante da Fapesc.

Os professores fizeram estudo maravilhoso sobre o Inventário Florístico e Florestal de Santa Catarina, e vamos pautar o tema aqui de um acidente que teve na cidade de São Francisco do Sul, sobre a preocupação que temos que ter com a questão do meio ambiente, pois o acidente com a carga de fertilizantes à base de nitrato de amônia, ocorrido em um armazém da empresa Global Logística, do referido município, transcende a estreita visão burocrática e legal com que se costuma abordar situações desse gênero e alcança o debate sobre o papel das organizações, em especial das empresas, na sociedade em que atuam.

Há quem se alinhe com a ideia de que a única responsabilidade da empresa é gerar lucros; outros acreditam que a empresa, por acarretar alguns custos para a sociedade, tem responsabilidade direta com a sustentabilidade e a manutenção da vida, de toda forma de vida.

O que tenho em mente é uma noção ampla de responsabilidade social por parte das organizações e suas administrações. Fato este que ultrapassa a mera noção de ser economicamente viável, ou até mesmo da simples responsabilidade legal, passa pela responsabilidade ética e alcança o que pode ser chamado de responsabilidade discricionária, postura que implica encarar a sociedade como uma comunidade, não como algo fragmentado.

Essa nova compreensão das organizações humanas como comunidades, como sistemas abertos, ou seja, como um agregado de partes em interação, coloca a dinâmica das organizações para muito além da economia, porque a relaciona com a ética, mas também com a estratégia; trata-se de uma questão econômica e daí administrativa, mas também política; e trata-se de uma questão social, mas também ecológica. Enfim, trata-se de uma questão que não diz respeito somente à vida humana individual e associada, mas à própria noção da vida no planeta.

Acontece que um dos principais desacordos entre a economia e ecologia deriva do fato de que a natureza é cíclica, enquanto que nossos sistemas industriais são lineares.

Nossas atividades comerciais extraem recursos, transformando-os em produtos e resíduos, e os consumidores descartam ainda mais resíduos, depois do consumo.

Os planejadores corporativos tratam como bens gratuitos não somente o ar, água e o solo, mas também a delicada teia das relações sociais.

É preciso entender que toda essa verdadeira teia da vida é seriamente afetada pela expansão contínua, desenfreada e mal planejada do mercado e da economia.

Independente da adequação jurídica ou das licenças ambientais emitidas para funcionamento e armazenamento de materiais reagentes, há que se rever os impactos que uma operação logística mal planejada pode acarretar para toda uma cidade ou mesmo um ambiente regional. Além do transtorno econômico e social proporcionado pela oxidação dos fertilizantes, toda a região ainda vai sofrer as previsíveis consequências ambientais, como o crescimento desenfreado de algas e outros seres vivos, o que certamente afetará a disponibilidade de oxigênio.

É previsível uma instabilidade fisiológica no ambiente aparentemente microscópico, mas que na verdade atinge todas as expressões da vida no meio afetado. Também é muito provável o aumento da mortalidade dos peixes, devido à alteração dos níveis de oxigênio na água ou mesmo o crescimento desordenado de plantas, afinal trata-se de fertilizantes.

Enfim, estamos assistindo a mais uma das expressões do desrespeito ao ambiente, até mesmo ao direito de todos os cidadãos e cidadãs de viverem em ambiente saudável e equilibrado.

A empresa sequer questionou o armazenamento incondicional e duradouro de um produto instável e se desculpa afirmando candidamente: "Somos apenas um elo da corrente logística que faz parte do mercado internacional".

Ora, srs. deputados e deputadas, cabe aqui a seguinte pergunta ao acidente que aconteceu lá em São Francisco do Sul: se a empresa deu essa resposta, nós, deputado Silvio Dreveck, as pessoas e os demais seres vivos somos o quê? É preciso acordar srs. parlamentares e público catarinense, antes que seja tarde demais.

Muito obrigada.

(SEM REVISÃO DA ORADORA)