Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

13ª Sessão Ordinária - 03/03/2011

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, pessoas que nos assistem pela TVAL, que nos ouvem pela Rádio Alesc Digital e público aqui presente nesta manhã de quinta-feira.

Vou retomar o tema, até porque não dá para esquecer, da mobilidade urbana da Grande Florianópolis. Creio que todos os deputados, todos os servidores desta casa, assim como a imensa massa de trabalhadores que trabalham na Grande Florianópolis e deslocam-se todas as manhãs, sentiram e sentem todos os dias, especialmente nos dias de chuva como hoje, o problema do trânsito.

Do bairro Serraria, em São José, até aqui são apenas 17km, mas demorei uma hora e dez minutos para fazer esse trecho. Isso porque moro há dez anos naquela região e conheço outras opções, outros caminhos para chegar ao centro. Ressalte-se que não havia nenhum acidente, nem com carro nem moto.

Então, é preciso que os setores econômicos da Grande Florianópolis pensem nisso, é preciso que os empresários pensem nisso. E estou falando dessa forma porque o trânsito já não é mais um problema humano, apenas; já não é mais um problema ambiental, apenas; ou um problema para a qualidade de vida, apenas; é também um problema econômico. Os empresários da Grande Florianópolis estão tendo prejuízos por conta do garroteamento do sistema de transporte, por conta da falta de mobilidade urbana na região.

Talvez alguns estejam obtendo lucro com essa situação. Dentre todos os empresários da Grande Florianópolis, alguns poucos talvez estejam obtendo lucro. Talvez não. Alguns estão tendo lucro, com toda certeza, justamente porque o sistema está assim. Mas a imensa maioria, inclusive, os empresários, passou a ter prejuízo com o sistema de transporte dessa natureza.

Fala-se muito e cobra-se muito das autoridades, dos governos, no sentido de que restrinjam gastos com serviços públicos, com servidores, para poder atuar mais na área de investimento em infraestrutura. Esse tem sido o discurso de não sei quantas décadas. Mas qual infraestrutura? Essa é a pergunta que nunca é feita. Talvez uma infraestrutura que dê bastante lucro para algumas empreiteiras, porque a infraestrutura de transporte e mobilidade urbana, aqui na Grande Florianópolis, é a coisa mais absurda que pode existir no mundo.

Se formos a qualquer outra parte do mundo, em qualquer outro continente, ou a qualquer outro estado da federação brasileira e dissermos que a capital catarinense, que é uma ilha, não tem uma simples bateirazinha, uma bateira pequeninha, para que as pessoas atravessem da capital para o continente, ninguém acreditará. Essa é uma situação absurda.

Falava ontem aqui, assim como a deputada Dirce Heiderscheidt, de uma proposta que já foi aprovada na Câmara de Palhoça, visando a instituir transporte marítimo na Grande Florianópolis. Estudarei a situação para falar com mais propriedade da proposta existente. De qualquer forma, é um absurdo que uma capital de estado, que é uma ilha, não tenha uma bateira para alguém atravessar de um lado para outro. Se caírem as pontes? Morremos todos, é isso?

Fala-se bastante na necessidade de economizar com serviços, arrochar os servidores públicos, não contratar policiais, pessoal de enfermagem, médicos, professores. Quinze mil professores, no estado de Santa Catarina, são admitidos em caráter temporário, os ACTs. E desculpe-me o Magistério, que merece e sempre merecerá todo o meu respeito, mas ACT é boia-fria da Educação. Fica desempregado no final de novembro e talvez consiga o emprego de volta no começo de fevereiro ou de março. Talvez consiga. São 15 mil professores no estado de Santa Catarina que educam as novas gerações e vivem nessa situação. E aí se fala em cortar recursos para as áreas sociais, para os serviços essenciais, porque é preciso investir em infraestrutura. Qual a infraestrutura e de que forma se está investindo? Essa é a pergunta que tem que ser feita.

Quero aproveitar também, nesta manhã de quinta-feira, última sessão antes do Carnaval, para falar do ensaio da Escola de Samba União da Ilha da Magia, ontem à noite, na Lagoa da Conceição. Tivemos a oportunidade de participar de alguns ensaios, e ontem era o de rua, de pista, numa das vias da Lagoa da Conceição. Havia milhares de pessoas no ensaio, não vou dizer cinco mil, porque talvez estivessem mais para dez mil, pois não dava para ver onde começava e terminava a multidão participante do ensaio da União da Ilha da Magia, que vai cantar, neste ano de 2011, o samba enredo "Cuba, sim, em nome da verdade".

Queremos parabenizar e registrar que a nossa solicitação à diretoria da escola foi atendida, escola que é presidida por Valmir Martins que, além de carnavalesco, é sindicalista, qualidade que descobri mais recentemente. Valmir é o atual presidente do Sindicato dos Previdenciários do Estado de Santa Catarina.

Estiveram ele e tantas outras pessoas visitando Cuba há um ano e pouco, e de lá surgiu a ideia de homenagear a revolução cubana, o seu povo, as conquistas na área da educação, na área da saúde, da cultura e, por que não dizer, na área da segurança pública.

Então, parabenizo a União da Ilha da Magia pelo trabalho, pela escolha do samba enredo, pela coragem de dizer, sim, em nome da verdade, por que não falar disso? Por que ouvir só os opositores ao socialismo? Por que ouvir só os opositores à revolução cubana? E a massa está participando, cantando em nome da verdade. Evidentemente que houve polêmica, e não podia ser diferente num país como o nosso, mas não vou entrar nos motivos e nos porquês.

É claro que as autoridades do governo cubano estarão na cidade, chegarão amanhã de manhã, além do embaixador, também Leida Guevara, filha de Ernesto Che Guevara, autoridade do governo cubano, que atualmente está na Espanha, mas que reside e tem história em Cuba. Ela é médica pediátrica e com ela será realizada uma palestra no dia 9 de março, um dia depois do Dia Internacional da Mulher. Então, no dia 9, quarta-feira da semana que vem, à noite, no Teatro Álvaro de Carvalho, no centro da capital, o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Sindsaúde, a Associação Cultural José Marti, em solidariedade aos povos, estará organizando uma palestra com Leida Guevara, que vai tratar do papel da mulher na transformação social. Esse é o tema justamente alusivo ao Dia Internacional da Mulher.

Quero parabenizar todas as escolas de samba de Florianópolis, a Coloninha, a Protegidos da Princesa, a Copa Lord. Como já falei ontem, o Carnaval é a maior festa popular do Brasil, é uma festa de oportunidades, é uma festa onde as pessoas expressam as várias modalidades de cultura. Todas as escolas de samba, blocos e foliões que brincam com responsabilidade merecem o nosso respeito e os nossos aplausos.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)