Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

50ª Sessão Ordinária - 20/05/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, púbico que nos acompanha aqui presente nesta manhã de terça-feira, ou também pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, quero também, como bom e apaixonado avaiano, parabenizar o Figueirense, os seus torcedores, a equipe e os jogadores por terem pregado aquela surpresa agradabilíssima para nós, catarinenses, de ter marcado o primeiro gol da história do Itaquerão. E contra o time da casa, um dos maiores do Brasil, que estava invicto na competição em comparação com o Figueirense, que não tinha conseguido marcar nenhum gol ainda e tinha tomado quatro derrotas.

O futebol é mesmo extraordinário e apaixonante por essas questões. Geralmente, é claro, é campeão o time mais estruturado, com a melhor equipe e as melhores condições. Mas o futebol nos apresenta algumas situações absolutamente inusitadas, e essa foi uma delas.

Parece que estava escrito em algum lugar: "Olha, o Figueirense não vai marcar nenhum gol nas quatro primeiras partidas do Campeonato Brasileiro da Série A, porque o primeiro gol do Figueirense na Série A de 2014 está reservado para ser o primeiro gol do Itaquerão".

Então, o futebol tem isso e por isso que mexe com tantas paixões, com tantas alegrias e envolve tanto a população brasileira.

Não obstante todas as críticas aos investimentos, ao dinheiro público, etc. - e da minha parte não pode ser diferente -, e embora todos os interesses econômicos da Fifa, daqueles conglomerados e as políticas de exclusão social e exclusão do pequeno comércio ambulante que têm sido feitas, e é preciso registrar também, é evidente que não tem como um brasileiro não ser brasileiro e deixar de gostar de futebol e deixar de torcer pela sua seleção.

A Copa do Mundo está aí com as suas manifestações, com as suas críticas necessárias, elogiáveis, é preciso que se diga, mas também com os brasileiros gostando de futebol e de ver futebol.

Quero também aqui abordar o tema que foi tratado pelo deputado Eni Voltolini, pelo deputado Nilson Gonçalves, aparteado primeiro pelo deputado Silvio Dreveck, quanto à questão da violência no trânsito.

Temos aí o desenvolvimento da campanha Maio Amarelo, de prevenção e conscientização dos motoristas.

Concordo plenamente com todos e com tudo que disseram na manhã de hoje, aqui, nesta tribuna, de que é preciso mais educação dos motoristas, é preciso combater o culto à velocidade, é preciso combater o alcoolismo ao volante. E quero parabenizar o novo comandante da Polícia Militar, coronel Valdemir Cabral, e a estrutura, ao definir que é preciso que a Polícia Militar intensifique as blitz em horários onde previna e alerte os motoristas, para que as blitz aconteçam nessas noites e madrugadas mais propensas estatisticamente e comprovadamente onde acontecem os acidentes, principalmente aqueles que poderiam ser com muita facilidade evitados.

É claro que sexta-feira, à noite, para sábado, na madrugada, e no sábado para domingo, é mais pesado para o policial e para os seus trabalhadores realizar esse serviço, e vai ter maior concentração de efetivos nesse horário. Então, é preciso evidentemente compensar esse esforço maior também dos policiais.

No entanto, está de parabéns o coronel Cabral, também pelo que ouvi falar na manhã de hoje pelas rádios, de que as blitz não devem ser feitas naqueles horários, objetivando pegar o motorista sem documentos para aplicar uma multa. Se isso é necessário e a legislação assim determina, evidentemente, que se estiver de forma irregular haverá a penalização, porque do contrário houve a prevaricação por parte dos agentes policiais que estão realizando os serviços. No entanto, a blitz deve ser voltada justamente para defender a vida, para salvar as pessoas, como forma preventiva, nas noites e madrugadas de sexta-feira e de sábado, para que os jovens e os não tão jovens, mas que querem continuar jovem, apesar da idade, que saem pelas madrugadas imaginando que estão na década de 70, onde só havia quatro carros na rua, saibam, antes de sair de casa, que haverá blitz. Então, que se organizem, que se planejem, para que não cometam absurdos depois de ingerir alguma quantidade de bebidas alcoólicas e quem sabe de outras coisas.

Então, sim, é preciso trabalhar nisso e concordo com todos os oradores anteriores sobre esse assunto na manhã de hoje.

Mas é preciso fazer uma avaliação também das questões estruturais, da relação quantidade de carros nas ruas e condições das estradas, das vias, das áreas de estacionamentos, das áreas de escapes, das áreas de segurança. É evidente que as vias têm sido melhoradas, alargadas, ampliadas no Brasil, nas últimas décadas e nos últimos anos. No entanto, é preciso reconhecer que a quantidades de carros aumentou de forma proporcionalmente muito maior, e daí também a razão de tantos acidentes, além daqueles que poderiam ser evitados, se não fosse a imprudência de alguns, de outros acidentes que vão acontecer necessariamente, mesmo que ninguém beba e saia dirigindo, mesmo que ninguém seja imprudente.

É só olhar a velocidade que é permitida numa estrada que é dividida da outra apenas por uma faixa amarela riscada no chão. Um veículo a 80km/h para lá e outro a 80km/h para cá, estou falando de uma rodovia simples cuja velocidade máxima é de 80km/h, somadas essas duas velocidades, são 160km/h. E só o que divide esses dois veículos é uma faixa amarela pintada no asfalto. Qualquer mal súbito de um motorista proporciona uma tragédia. Um inseto, uma abelha que entra em um veículo cria uma tragédia, e aí não se pode falar em imprudência, porque se tem essas condições, sem falar em pneus que estouram, sem falar de objetos na pista, de um animal que atravessa a pista, de um buraco na pista, que leva o motorista a desviar, capotar e invadir a outra pista. Então, estatisticamente e probabilisticamente não tem como evitar uma grande quantidade de acidentes, de traumas, de mortes nas estradas por essas razões.

É preciso se criticar também, deputado Padre Pedro Baldissera, o incentivo permanente, aprofundado cada vez mais da indústria do automobilismo, em detrimento cada vez maior também dos incentivos fiscais, dos apoios ao transporte coletivo de massas. A indústria automobilística está perdoada de pagar a sua cota previdenciária, os 11% da indústria automobilística, e de tantas outras. Isso não precisa mais no Plano Brasil Maior, que eu chamaria de menor, porque está mais submetido aos monopólios internacionais, inclusive o do carro. Se a metade desse dinheiro fosse usada para construir metrôs, para construir sistemas de transportes coletivos, para ampliar a qualidade, para baratear os custos do transporte coletivo dos ônibus... Aliás, seria impossível o transporte coletivo gratuito e para todos e todas que preferisse andar de ônibus confortável, mais rápido, do que essa loucura que são as estradas em todas as cidades brasileiras, em todas as cidades catarinenses.

Todas as cidades com mais de 50 mil habitantes têm problemas de engarrafamento em algum horário do dia. E essa política não se reverte, pelo contrário, ela é fortalecida também a cada governo. Isso precisa ser avaliado. Não é impedir que as pessoas tenham o carro, e é bom que cada brasileiro maior de idade tenha, mas o que é inaceitável é que todas as pessoas tenham que sair de casa de carro todos os dias, para ir ao trabalho, para ir à escola, porque não tem um sistema de transporte coletivo de massa de qualidade, rápido, eficiente e barato, que poderia ter com a metade do incentivo que se dá às indústrias automobilísticas.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)