Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

69ª Sessão Ordinária - 21/09/2005

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, saúdo também as pessoas que nos honram com suas presenças, os colaboradores do Deter que terão hoje o atendimento a um justo e merecido pleito logo mais no horário das deliberações, desejando-lhes uma boa estada aqui nesta Casa.

(Palmas das galerias)

Sr. presidente, quero registrar que no dia 9 de setembro, a Associação Catarinense de Administração premiou 19 profissionais que se destacaram nas mais variadas regiões de nosso estado. Naquela oportunidade foram agraciados serranos, conterrâneos nossos, que faço questão de registrar neste momento: a empresária de imprensa Izabel Baggio, que é, sem sombra de dúvida, muito competente em sua atividade; o empresário Humberto Machado Arantes, do setor de transporte coletivo urbano; o sr. Juarez de Jesus; e o prefeito de Otacílio Costa, o jovem Altamir José Paes, que premiado como destaque no serviço público.

Foi um evento de magna importância porque não houve nenhum tipo de pirotecnia; foi um julgamento feito pela Associação Catarinense dos Administração. Por isso, o nosso registro nesta oportunidade, sr. presidente.

Ato contínuo, sr. presidente, quero fazer uma reflexão sobre os efeitos nefastos causados pelos elevados juros praticados no nosso país. Não só emplacamos a vergonhosa condição de um país com os juros mais caros do mundo, como também o governo federal insiste, teimosamente, em manter esse patamar de juros. Parece-me que é para competir com o desastre que foi a época da hiperinflação, que assolou este país por um período em que o assalariado iniciava o mês ganhando dez e terminava recebendo cinco ou quatro. Isso porque não existe imposto mais perverso do que uma inflação alta. Ela tira exatamente do pobre, do operário, do trabalhador, do assalariado.

Aquele tempo se foi, o que é muito bom. Existe, hoje, uma inflação teimosa, persistente, muito embora os indicadores oficiais insistam em dizer que não ela existe e que é negativa. Ela existe, porém muito aquém daquele período de desastres inflacionários.

Os juros praticados pelo governo federal causam o mesmo estrago, sr. presidente, na economia. Senão vejamos: o governo recorre a todo tipo de artifício para arrecadar, arrecadar, arrecadar e depois cria taxas e contribuições para formar o gigantesco bolo, fruto da contribuição feita pelo povo. Quem paga é o povo e quem recolhe são os empresários.

Pois bem, esse dinheiro é canalizado diretamente para o setor financeiro, numa flagrante e criminosa acumulação de renda, centralização de renda. Essa é uma coisa absurda e que já está inviabilizando atividades econômicas. Os micro e pequenos empresários não conseguem mais fazer investimentos; os juros praticados no Brasil são proibitivos e um atentado contra a economia brasileira! As grandes empresas têm algumas blindagens, mas as micro e pequenas empresas estão sofrendo.

Mas isso tudo está aliado, sr. presidente e srs. deputados, ao descompasso hoje existente na questão do câmbio, que se por um lado traz alguns benefícios, por outro lado vai levar ao sucateamento o setor produtivo, que apostou nas exportações. Está aí o setor moveleiro atravessando uma grave crise, bem como os setores calçadista e têxtil. Eu ouvi dizer que o setor ceramista também está pelo fio da navalha, o que é ruim, deputado Antônio Ceron, para v.exa., como empresário. Isso no que se reporta à questão das exportações.

Daí dizem: ah, mas o governo está muito bem porque a balança comercial está como nunca esteve. Sim, mas por conta de contratos antigos que, teimosamente, os empresários ousam honrar - e têm que honrar, pois são contratos existentes. Mas ainda, num curto prazo, lamentavelmente, sem falar no médio prazo, essa situação vai trazer uma grave crise ao setor produtivo que apostou nas exportações.

E aqueles que apostaram no mercado interno, deputada Ana Paula Lima, enfrentam essa opção absurda dos juros altos. E aí o presidente do Banco Central... Esse é um neoliberal no governo do PT, deputada Ana Paula Lima, lamentavelmente. Sei que se dependesse de v.exa. e dos petistas que suaram a camisa para construir este grande partido no país, o dr. Henrique Meirelles não estaria no Banco Central, mas está, lamentavelmente.

A sra. deputada Ana Paula Lima - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Pois não! Ouço v.exa. com muito prazer.

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Deputado Francisco Küster, não só eu, que sou petista e vou continuar sendo, mas também o presidente Lula, que está fazendo um excelente governo.

Deputado Francisco Küster, v.exa. insiste em assomar à tribuna para falar da questão nacional e Mas v.exa. tem toda a liberdade para isso e creio que o Brasil tem que melhorar muito mesmo.

Mas gostaria de que v.exa. fizesse uma reflexão: no governo FHC, que é do seu partido, o PSDB, o risco Brasil estava em mais de 2.000 pontos, o dólar estava em quase R$ 4,00 e eram milhões o número de desempregados, e ainda continuam sendo.

Na questão das exportações, deputado Francisco Küster, faço um convite a v.exa. para ver o número das exportações na cidade vizinha, Itajaí, onde o porto está abarrotado de tanto que exporta. Inclusive, aquela cidade presidida pelo ex-deputado Volnei Morastoni está avançando cada vez mais, devido ao número de exportações e de empresas que lá estão investindo.

Penso que a crise que estamos vivendo e da qual todo mundo está falando, é a crise política. Mas a crise econômica está boa, deputado Francisco Küster. Precisa melhorar um pouco, mas creio que v.exa. também tem que falar das coisas boas que estão acontecendo no governo Lula e que estão nas páginas de alguns jornais. Vale a pena v.exa. fazer esta reflexão!

Muito obrigada!

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Agradeço a v.exa. pelo seu aparte.

Na realidade, temos alguns "brasis": o Brasil da deputada Ana Paula Lima, que vai muito bem, obrigado; o Brasil de quem está sofrendo para honrar os seus compromissos; o Brasil de quem está ficando desempregado; e o Brasil das promessas fáceis num passado não muito distante. Então, nós temos vários "brasis".

Mas eu saúdo o meu amigo, deputado Volnei Morastoni, hoje prefeito de Itajaí, pela maravilha que é o seu município. Realmente as exportações estão aí e queremos que as empresas continuem exportando, porque elas estão produzindo e gerando empregos. Mas o que paira nos ares não é muito promissor, não!

Mas, enfim, o país é muito grande e temos vários "brasis". O Brasil para uns está bom, principalmente para o setor financeiro. Como está bom! Não existiu, na história recente deste país, um governo tão generoso para o setor financeiro quanto o atual. Generosíssimo, bondoso! Se os banqueiros ousarem fazer críticas a este governo, merecem ser escorraçados deste país, porque estão ganhando dinheiro como nunca na história deste país.

Agora, quero ver a situação do setor produtivo. Não quero ser o profeta do caos, mas recebemos, diariamente, pessoas apavoradas, perguntando: "O que vai acontecer, deputado Francisco Küster?". Respondo dizendo que espero que aconteça o melhor, que se resolva o problema da crise política em Brasília, que cassem os malfeitores da coisa pública, que o governo federal baixe esses juros escorchantes - porque é um estelionato o que se pratica com esses juros elevados -, e que possamos realmente embalar este país para gerar os milhões de empregos que o presidente Lula prometeu - 10 milhões de empregos.

No ano que vem terminará o mandato dele e não sei quantos milhões serão gerados porque se gera um emprego aqui e desempregam-se dois trabalhadores lá. Essa é a realidade do Brasil, porque são vários "brasis". Existe o Brasil das maravilhas do setor financeiro, dos banqueiros e o Brasil de nós outros, pobres mortais, no qual as pessoas, diariamente, estão querendo uma oportunidade de trabalho, estão querendo uma oportunidade de ganhar o seu sustento, estão querendo a primeira oportunidade de trabalho - os nossos jovens.

Estão, é uma judiaria o que se faz com os jovens, que precisam de uma oportunidade de trabalho para ganhar, com dignidade, o seu sustento. E o que eles enfrentam, hoje? Só escutam que não há vagas e que eles não têm experiência. E onde está a tão decantada e prometida primeira oportunidade? se o setor produtivo não produz, não gera empregos e não gera oportunidades!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)