Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado João Henrique Blasi

14ª Sessão - 08/02/2006

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, o acerto de um adversário acaba tornando-se um erro. A virtude de um adversário acaba sendo reconhecida como um defeito. Claro que não podemos imaginar a existência de alguém infalível, claro que não podemos imaginar a corporificação das figuras mitológicas de Minerva ou de Palas Athena, a deusa da sabedoria, que já nasceu pronta com toda aquela sapiência e que, portanto, era infalível. Mas o que me causa muita espécie é a intransigência de adversários políticos, que, como disse ao início, num gesto reconhecidamente acertado, numa atitude virtuosa, vêem exatamente o contrário, o erro e o defeito.

Quero referir-me à matéria ontem já debatida aqui, numa intervenção que fiz ao deputado Herneus de Nadal, da decisão tomada, definida, acabada, final, peremptória, do governador Luiz Henrique da Silveira de, no dia 9 de abril do corrente ano, renunciar ao mandato de governador do estado para concorrer a sua própria reeleição. Digo gesto de grandeza porque poderia o atual governador, a exemplo do anterior, disputar o pleito com as vantagens e o beneplácito que o cargo enseja, porque a legislação eleitoral assim o permite. Mas não, criticou na vez anterior o gesto do governador e entende que há que haver uma isonomia de direitos entre os que irão postular o cargo. E vai sair, vai desvestir-se da condição de governador para disputar com quem quer que seja em igualdade de condições.

Será que o presidente da República, que ao que tudo indica também deverá ser candidato à reeleição, haverá de praticar um gesto dessa grandeza também? Não sou pitonisa, mas tudo indica que não. E o que se vê, segundo retratado por uma das colunas dos jornais de grande circulação, é uma crítica ao governador Luiz Henrique da Silveira por se vislumbrar nesse gesto nobre, inusitado, inusual, aquilo que opositores chamam de vacina para evitar a cobrança de incoerência.

Ora, o que é um gesto nobre, nobilíssimo, quando neste país de nada se abre mão, abrir mão por nove meses de mandato de governador para concorrer a um novo mandato de governador? E vêm setores da Oposição desqualificar, minimizar essa atitude nobre para entendê-la, para considerá-la como uma vacina para evitar crítica à incoerência.

Fui Oposição, mas não me lembro de atitudes como esta: de só vislumbrar no adversário, quando há virtude, o defeito; quando há acerto, o erro. Mas lamentavelmente essa é uma tônica e nós com ela temos que conviver no âmbito desse regime democrático que estamos vivendo.

O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Pois não!

O Sr. Deputado Manoel Mota - Quero cumprimentar o eminente líder do governo nesta Casa, deputado João Henrique Blasi, e dizer que em meus 24 anos de vida pública, pela primeira vez vejo um governo sensível, comprometido com a sociedade e coerente com as ações. Por esta razão está renunciando para concorrer novamente. Aí, evidentemente, as pessoas que estão postulando o cargo ficam desesperadas. Ficam assim também porque v.exa., deputado João Henrique Blasi, como líder, tem encaminhado projetos de valorização do servidor público nesta Casa como nunca se viu na história deste estado. É a primeira vez, num momento difícil da economia brasileira, que há o resgate de cargos e salários, de melhoria salarial real para o servidor público de Santa Catarina.

Por isso, quero cumprimentar v.exa. que, como líder, exerce um papel fundamental aqui neste Parlamento, dando uma resposta aos servidores e ao povo catarinense.

Parabéns, deputado João Henrique Blasi, pelo seu pronunciamento.

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Deputado Manoel Mota, ainda que fosse apenas e tão-somente um ato de coerência, seria elogiável, seria encomioso só por esta razão. É pregar e fazer. Mas esse gesto traz muito mais do que isso, sobreleva em muito a se considerar que seja apenas um gesto de coerência. É um gesto de despojamento, um gesto que significa prestigiar os demais concorrentes que são adversários, no sentido de isonomizar a disputa, a fim de que todos que vão participar do certame eleitoral façam-no em igualdade de condições, a fim de que um não possa privilegiar-se dessa ou daquela circunstância, a fim de se o prefeito de um município precisa renunciar para concorrer a governador, este governador entende que também ele deve renunciar por coerência, sim, mas sobretudo para mostrar que é um democrata, para mostrar que é um despojado com relação ao poder e para garantir que haja lisura total no pleito e que vença o melhor à luz do entendimento, da decisão e do voto que 3,5 milhões de catarinenses haverão de depositar na eleição do mês de outubro vindouro.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)