88ª Sessão Ordinária - 18/11/2004
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, esta manhã democraticamente o Presidente da Celesc veio aqui fazer essa apresentação para que todos os Parlamentares conhecessem realmente os projetos que vêm a esta Casa.
Acho que isso é muito importante para que Parlamentares conheçam os projetos que vêm a esta Casa. É bom que alguns setores do Governo, quando o projeto é bom para Santa Catarina, venham a esta Casa apresentá-los no Parlamento, a fim de que os Deputados acompanhem e vejam todo o seu conteúdo. Isso é muito importante para o Governo e também para o Parlamento.
Queria aqui, hoje, dizer que passamos momentos alegres e outros mais difíceis. Esta noite não passei muito bem, precisei ir ao médico pela manhã. Felizmente já estou bem e em forma para poder trabalhar, mas quero me referir ao seguinte: sobre isso é mais difícil nos contentarmos, pois ficamos tristes e angustiados.
Depois de toda essa mobilização, depois de todo esse movimento, depois de toda essa imprensa que divulgou a vinda de Sua Excelência, o Presidente da República a Santa Catarina, ontem fomos pegos no contrapé: uma empresa entrou na Justiça, e novamente um entrave.
Nós lamentamos profundamente que com a dificuldade que estamos vivendo parece-me que aquelas empresas que não se enquadraram ou que perderam não admitem e procuram entravar uma obra que deixa marca de sangue a cada momento.
Evidentemente fica-se triste, eu estou triste hoje, abalei-me um pouco com a notícia, porque é uma esperança única do Sul de Santa Catarina, do Sul do Brasil, Deputado Francisco Küster. De repente o sol, a luz, a esperança viram uma nuvem de fumaça, numa escuridão, porque se passa novamente a ter aquela angústia, aguardando pelo que vai acontecer.
Não tem explicação, estou angustiado, não tenho palavras para dizer, porque a vontade é explodir. Temos que ter o equilíbrio suficiente para saber que as coisas são assim mesmo. Vamos ver o desdobramento para saber o que irá acontecer, temos o compromisso com a Carta de Tubarão, quando aquela Comissão Permanente colocou que se não começar até dezembro a rodovia será fechada. E agora mais esse impasse. Se for fechada, vão ter dificuldade de abrir, pois será por tempo indeterminado.
Então, acontece esse impasse, essa dificuldade, deixando-nos nervosos, tristes, perdendo um pouco das esperanças, às vezes, da luta, da realização, porque a nossa luta é a luta do povo, é o sentimento do povo, é a vontade do povo.
Mas Deputado Francisco Küster, S.Exa. que é um velho Parlamentar, um homem experiente de vida pública, com certeza irá contribuir para que eu possa levantar a minha cabeça neste momento, porque não é fácil.
O Sr. Deputado Francisco Küster - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Pois não!
O Sr. Deputado Francisco Küster - Deputado Manoel Mota, enquanto nós conversávamos aqui, eu perguntava o que estava acontecendo com V.Exa. Senti V.Exa. abatido, meio abalado, meio cabisbaixo, V.Exa. que sempre foi combativo, altivo, de repente vem com este desabafo na tribuna.
Há alguns dias eu dizia o seguinte: esperamos que não ocorram imprevistos. E lamentavelmente está aí mais um imprevisto, acredito que tem que se exorcizar - e o que poderia ser uma exorcização? -, para afastar todos os maus espíritos, os maus fluidos, as tranqueiras desse projeto. Estou usando uma palavra bem de nossa região, talvez até um pouco chula, porque não sei o que poderia ser feito.
Agora, é de se lamentar, é de se lamentar, mesmo. Mas quero hipotecar total e irrestrita solidariedade à nossa gente do Sul, aqui, capitaneada por V.Exa., que tem sido um baluarte, um lutador incansável. Acho que o amigo tem que levantar a cabeça e gritar cada vez mais alto, porque lamentavelmente as coisas são assim.
Quando me deparo com alguma coisa extremamente difícil, complicada, sofrível, eu lembro de acontecimentos pretéritos. Por exemplo: a própria Bíblia, e vou recorrê-la, retrata com absoluta fidelidade a luta incansável de Moisés, na busca da terra prometida. E lá se foram 40 anos de peregrinação pelo deserto, na busca da terra prometida. E no dia em que ele se deparou com a terra prometida, ele não pode fincar o pé na terra prometida.
Então, espero que V.Exa. possa transitar por essa rodovia por décadas e décadas, com ela duplicada e sem esse rótulo maldito, esse rótulo perverso de trecho da morte, de rodovia da morte.
Mas a minha total e irrestrita solidariedade a V.Exa., à nossa gente do Sul, a nós todos, porque a indignação que lhe toma conta neste momento, é a mesma indignação nossa. É a mesma indignação!
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Agradeço o seu aparte, Deputado Francisco Küster, e incorporo-o ao meu pronunciamento. A nossa preocupação e a nossa angústia têm uma razão. Qual é a razão? Nós somos muito questionados. Nós temos que dar resposta a todo instante.
As pessoas ligam. Agora, vai sair? Eu digo, vai sair. Mas como, V.Exa. acredita? Sim, eu acredito na palavra do Presidente da República. Ele assumiu compromisso em Navegantes e disse que a obra iniciava até o final do ano.
O Ministro também veio aqui. Confirmou isso no Centro Administrativo. Por isso, tenho certeza de que vai sair. Aí, a imprensa, V.Exa. confirma que vai sair? Confirmo, sim.
Agora, de repente, as coisas não acontecem. E não nem por vontade do Presidente da República. É por vontade de uma ação.
Ontem, questionaram-me: que nada, isso tudo é manipulado, é jogo para não vir. Deixam-nos numa situação muito ruim, muito difícil.
Nós esperamos, evidentemente, que o Sul de Santa Catarina, o Sul do Brasil seja lembrado, seja lembrado a cada instante, com mais um pouquinho de responsabilidade, em todos os setores.
Estamos nessa angústia da BR—101. Temos a angústia dos fumicultores, eis que está para decidir, na próxima semana, em Brasília, se vão assinar ou não vão assinar aquele acordo mundial que impede Santa Catarina de plantar fumo.
Não vieram fazer a audiência pública. Estamos encaminhando requerimento, fax e não temos tido resposta. E precisamos ter aqui, no Parlamento, os sindicatos, o Presidente da Fetaesc, que está fazendo um trabalho extraordinário, envolvendo os sindicatos, para mostrar para os Parlamentares, para os Senadores, para os Deputados Federais que estão equivocados na condução do seu processo.
Esse processo tem que ser um processo mais analisado, mais discutido profundamente, para que não deixem aqueles pequenos fumicultores, que têm apenas seis, sete hectares para o sustento de sua família, totalmente isolados da agricultura, sem ter como sobreviver naquele pedacinho de terra, que precisam vender para vir para a cidade. E quem é que vai comprar? Evidentemente, quem vai comprar é alguém da cidade, para fazer uma casa para ir passear no final de semana. E a área produtiva começa cada vez mais a perder sua força.
Nós não podemos deixar que isso aconteça. Nós temos que aqui, deste Parlamento, tomar as grandes decisões, buscando saída, buscando solução, buscando viabilidade não só para Santa Catarina como também para o Brasil. Que a área produtiva não seja atacada, machucada, menosprezada, abandonada, porque os fumicultores são peças fundamentais na economia não só de Santa Catarina como também do Brasil, do Rio Grande do Sul.
Nós, que temos 400.000 empregados na fumicultura de Santa Catarina, quer dizer, seriam 400.000 desempregados, não podemos aceitar isso.
Também temos no Sul do Estado a questão dos polvilheiros, que estão passando dificuldades, mas o Governo do Estado já encampou um projeto neste sentido.
Então, são problemas fundamentais e nós estamos lutando pela região da Amurel. Na nossa região Sul estamos lutando pela Amrec, por aquela grande área produtiva, pelo seu grande empresariado. E na região da Amurel, que é a minha região, que é a minha base, que é a minha sustentação política, evidentemente que estou me dedicando em cima desses números, que são fundamentais para a região.
Então, peço o apoio deste Parlamento em defesa da minha região, da região do Sul do Estado de Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)