81ª Sessão Ordinária - 16/10/2003
O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. Presidente, Sra. Deputada e Srs. Deputados, inicialmente, quero comunicar ao Deputado Genésio Goulart que quem fala bobagens também ouve bobagens. No momento em que falava o Deputado Genésio Goulart, horário do PMDB, ele disse muita bobagem. Falou, inclusive, do Partido que represento. Obviamente por isso que eu e o Deputado Joares Ponticelli temos essas reações, o que é muito natural, Deputado Genésio Goulart.
Ninguém é criança, ninguém é moleque para vir aqui ser debochado, como V.Exa. fez hoje. V.Exa. só se recorda da posição do Deputado Joares Ponticelli, mas V.Exa. não se recorda do que disse antes.
É muito fácil, Deputado Genésio Goulart, encontrar defeito nos outros. Olhe no espelho, Deputado Genésio Goulart.
Mas, Deputada Ana Paula Lima, V.Exa. fez....
(O Deputado Genésio Goulart manifesta-se fora do microfone.)
Eu sou um pouco feio, não sou bonito. Já me olho bastante no espelho, porque a minha feiúra é minha e a guardo para mim. Agora, não procuro aqui fazer outra cara que não aquela que represento neste Plenário e neste Parlamento!
Mas, Deputada Ana Paula Lima, V.Exa. fez um desafio para que os 40 Deputados Estaduais, mais os 16 Federais, fossem a Brasília falar com o Ministro dos Transportes sobre a BR-101. Eu me incluo nessa relação dos 40 Deputados, se V.Exa. desejar fazer esta visita a Brasília.
Eu gostaria de dizer a V.Exa. que seria muito mais fácil o Ministro dos Transportes, numa única passagem, uma única pessoa, uma única autoridade, vir a Santa Catarina e nesta Assembléia Legislativa fazer um depoimento sobre a BR-101. Mas mesmo assim, se ele não quiser vir, eu me incluo para ir falar com ele se ele puder nos receber. Eu, tranqüilamente, estarei junto.
Mas hoje quero fazer uma homenagem, Sr. Presidente, Sra. Deputada e Srs. Deputados.
(Passa a ler)
"No dia 13 de outubro, exatamente há 70 anos, chegavam a Santa Catarina famílias de agricultores vindas da Áustria, comandadas pelo ex-Ministro da agricultura daquele país, Dr. Andréas Thaller, e pelo padre católico José Reitmeier.
Desciam na gare da estrada de ferro da então localidade de Itapiú, hoje Município de Ibicaré, e dali embarcados em carroças ou montados e cavalos se dirigiram até uma região depois denominada de Núcleo Colonial Papuan.
Com olhos votados para o futuro e fugindo das dificuldades, inclusive do flagelo da fome que assolava a Europa Central, esses imigrantes tinham a esperança de encontrarem, como efetivamente encontraram, para si e para seus descendentes, a garantia de uma nova vida.
A epopéia se concretizou desde o instante em que o Governo brasileiro atendeu apelo do governo austríaco e recebeu essa leva de imigrantes - homens, mulheres, jovens e crianças - que aqui encontraram a sua segunda pátria.
O Governo brasileiro, por outro lado, concedeu títulos de propriedade de terras aos imigrantes e ali nascia um núcleo de colonização e povoamento subordinado ao Instituto Nacional de Imigração e Colonização - INIC -, órgão que era vinculado ao Ministério da Agricultura brasileiro.
Com a esperança renovada numa nova vida, os imigrantes austríacos trouxeram para Santa Catarina, também, os usos, os costumes, as tradições, a cultura e a força do trabalho que praticavam na terra de onde partiram.
Aqui chegados, adaptaram-se, com facilidade, com os caboclos nativos que ali residiam e com os descendentes de italianos que, procedentes do Rio Grande do Sul, passaram a ocupar o interior do então Papuan, nas chamadas linhas Caçadorzinho, Três Barras, Pinhal e Barraca.
Fascinados pelo relevo do solo e pelo clima, os imigrantes passaram a dedicar-se à criação do gado leiteiro e, posteriormente, à produção de laticínios e todos os seus derivados, indústria que hoje se constitui num dos pilares da economia local.
Os tiroleses, como eram conhecidos, porque oriundos do Tirol austríaco, ao mesmo tempo em que se dedicavam às lides agropastoris, desenvolveram artes plásticas, com o entalhamento na madeira e a fabricação de esculturas sacras, bem como fundaram uma biblioteca pública, e desenvolvem até hoje danças típicas e a música.
Em 1963, foi criado o hoje Município de Treze Tílias, juntamente com o Município de Ibicaré, ambos emancipados de Joaçaba. Tília é uma árvore própria da Áustria e que naquele país originou um dos seus principais poemas épicos, ‘Die Dreizehnlinden’, de Wilhelm Weber.
Lamentavelmente, o Ministro Andréas Thaller veio a falecer seis anos após ter chegado ao Brasil, em 1939, quando procurou impedir que um pontilhão de madeira sobre o rio Papuan ruísse, tragado pelas águas da grande enchente que naquele ano assolou todo o Vale do Rio do Peixe.
Enquanto amarrava na ponte, essa desapareceu nas águas revoltas e com elas o próprio Ministro.
O Monsenhor José Reitmeier viveu ainda por muito anos, em Treze Tílias, e, aposentado, retornou à Áustria, onde faleceu. Hoje, alguns poucos austríacos ainda são remanescentes, mas os seus descendentes, em número considerável, mantêm as tradições dos seus antepassados, inclusive conseguiram estabelecer um relacionamento permanente com o país da origem dos seus ancestrais, indo estudar na Áustria, ou de lá recebendo turistas que se extasiam emocionados ao constatarem que um pedaço do seu país permanece vivo e altaneiro no interior do Brasil, precisamente, senhoras e senhores Deputados, a Áustria está presente no interior de Santa Catarina.
Ao tempo que exerci as funções de Inspetor Regional da Fiscalização, com sede na cidade de Joaçaba, pude constatar o crescimento e a evolução do Município de Treze Tílias, que hoje é sinônimo de progresso e de uma nova concepção turística, no aproveitamento das belezas da terra em que está localizado, no cultivo das tradições, no aprimoramento do artesanato e na exploração racional de uma rica gastronomia e de um moderno equipamento hoteleiro.
Treze Tílias, Sr. Presidente e ilustres Colegas, é uma síntese desse mosaico de etnias que forma o povo catarinense. Povo que é exemplo para o Brasil e modelo de como é possível que cerca de 25 etnias diferentes convivam em paz, em harmonia, com solidariedade e com justo anseio de progresso econômico e de melhoria da qualidade de viver.
Por estas razões, Sr. Presidente, desejo registrar, e o faço com emoção e respeito, a minha homenagem pessoal, que tenho certeza é a homenagem de toda a Assembléia Legislativa, à nobre população de Treze Tílias, aos que ali nasceram ou aos que para lá foram residir ou trabalhar, procedentes da Áustria, de outros Municípios catarinenses ou de outros Estados do Brasil.
Saúdo Treze Tílias, parabenizo os habitantes do antigo Núcleo Colonial Papuan. Homenageio os austríacos do Tirol que, atravessando o Atlântico, no já distante ano de 1933, encontraram em nosso Estado, no Vale do Rio do Peixe, um lugar seguro para as suas famílias e ambiente propício para fundar uma cidade que hoje é tão bonita, atraente e que honra os catarinenses e orgulha os brasileiros.
Solicito, finalmente, Sr. Presidente, que desta homenagem e deste singelo pronunciamento seja dado conhecimento aos excelentíssimos Srs. Prefeito Municipal e Presidente da Câmara de Vereadores de Treze Tílias."
Sr. Presidente e Srs. Deputados, gostaria que este meu pronunciamento chegasse ao Presidente da Câmara Municipal e ao Prefeito de Treze Tílias, para que aqueles descendentes dos austríacos que vieram e fundaram, em Treze Tílias, o nosso Tirol brasileiro soubessem da admiração que o povo catarinense, que este Deputado e, tenho certeza, os demais Deputados desta Casa, têm com aqueles habitantes e com aquele povo que mora, que reside na pacata cidade de Treze Tílias.
Terminei esta minha colocação com relação ao Município de Treze Tílias. Mas vou voltar ao assunto que foi colocado pelo Deputado Genésio Goulart.
Desejo que o Deputado Genésio Goulart traga a esta Casa e apresente a este Deputado o que nos informou, já que em setembro denunciava e declarava, em bom som, que o seu Governo aplicava, na região da Amurel, algo perto de R$08 milhões.
Desejo, sim, conhecer este trabalho, até para elogiar, se assim for o caso, o trabalho do atual Governo.
Mas hoje, no Diário Catarinense, há uma fotografia da entrega de uma centena de veículos à Secretaria da Agricultura para a aplicação no projeto Microbacias. Esqueceu de dizer que a compra desses veículos só foi possível graças ao financiamento de algo de US$107 milhões que o Governo passado conseguiu e deixou para o atual Governo.
Infelizmente, os Deputados, hoje, da Situação, Deputado Paulo Eccel, só enxergam algumas dívidas ou alguns compromissos que não foram honrados no Governo passado, mas se esquecem de dizer que a compra desses veículos só foi possível graças ao financiamento de algo perto de US$107 milhões de dólares que o Governo passado conseguiu e deixou para o atual Governo.
Infelizmente, os Deputados, hoje, de Situação só enxergam algumas dívidas ou alguns compromissos que não foram honrados no Governo passado, mas se esquecem de dizer dos recursos financeiros que foram deixados. sim, devidamente autorizados, contratados, financiados por instituições financeiras internacionais, que permitem ao Estado de Santa Catarina fazer um canteiro de obras e estabelecer a criação de microbacias que vão recuperar o que o homem destruiu na natureza.
Nós vamos ter a possibilidade, com a visão do Governo que encerrou em 2002, de oferecer para Santa Catarina uma recuperação daquilo que o próprio homem destruiu.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)