Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Wilson Vieira - Dentinho

76ª Sessão Ordinária - 02/10/2003

O SR. DEPUTADO WILSON VIEIRA - Sr. Presidente, Sra. Deputada, Srs. Deputados, público que nos visita, telespectadores da TVAL, quero falar um pouco hoje sobre a situação da juventude em relação à droga.

Normalmente se considera um grande "barato", ou melhor, seria um grande "barato", na linguagem do jovem, ter uma vida saudável, com muito fôlego, sem mau hálito e sem complicações pessoais do que ter que esconder a sua atividade no dia-a-dia.

Nós temos que ter claro que não existem drogas inofensivas. O álcool e a nicotina prejudicam seriamente a saúde e retardam o desenvolvimento físico e intelectual das crianças e adolescentes. Não podemos esquecer de orientar os nossos jovens a evitar o álcool, apesar de termos, em Santa Catarina, grandes festas que incentivam a utilização do álcool, o uso da cerveja, ou melhor, do chope. Temos que orientar os nossos jovens para participarem das festas, evitando ao máximo a utilização do álcool, assim como da nicotina.

Toda a propaganda feita em cima do álcool, em cima do cigarro, em nosso País, mostra uma característica diferente, mostra para o jovem uma característica de vencedor. É nosso papel reverter essa situação, mostrar o outro lado e, principalmente, as conseqüências que ele sofre ou vai sofrer futuramente, por acabar adotando o vício de fumar e também o vício do alcoolismo.

Outro equívoco que também temos que discutir com a juventude, até em sala de aula quando for possível, é a questão de que a maconha é um droga leve. Na verdade, fumar maconha provoca séria dificuldade de concentração e prejudica o desenvolvimento escolar.

Se queremos cidadãos do futuro competentes, capazes de desenvolver ciência e produzir tecnologia, temos que ter jovens saudáveis que jamais utilizaram maconha ou qualquer outro tipo de droga, porque esse tipo de droga afeta o desenvolvimento mental, reduz a concentração e, é claro, causa também surtos paranóicos. São esses surtos que muitas vezes levam alguns jovens, já viciados, ao suicídio ou a atos catastróficos que acabam afetando toda a sua família.

O consumo de drogas expõe o usuário ao submundo do tráfico e da vigilância policial. Esta é uma outra questão. Toda vez que o jovem envolve-se com drogas ou com qualquer tipo de droga, ele acaba saindo do mundo social onde a maioria do povo vive e passa a viver no submundo que é administrado pelo tráfico de drogas, que oferece vida fácil, com muito dinheiro, com status e que na verdade desvirtua o futuro que o jovem pensava construir antes de se envolver nesse tipo de vida.

Temos que discutir, permanentemente, com os jovens as conseqüências do uso da droga, seja qual ela for, seja o álcool, seja o fumo, o cigarro comum, a maconha ou uma outra droga pior ainda, que torna o vício muitas vezes irreversível.

O vício da dependência de drogas, como a cocaína e o crack, levam o jovem normalmente ao roubo e à delinqüência e, o que é pior, a um conflito familiar, onde acaba, muitas vezes, agredindo a própria mãe, os pais, os avós, os tios, os irmãos e muitas vezes faz com que toda a família seja destruída, prejudicando todos os seus membros, causando um verdadeiro caos e a preocupação permanente, principalmente das mães, que acabam vendo o filho ou a filha sair de casa e entregar-se totalmente ao mundo da droga.

É por isso que levanto esta questão. A segurança pública depende principalmente da educação dos jovens. Se conseguirmos reverter o quadro que existe hoje em relação à juventude e relação ao adolescente, certamente poderemos diminuir bastante a criminalidade em Santa Catarina e em nosso País.

O fato é que hoje as estatísticas mostram que a incidência da vida criminal, o maior índice, o maior percentual são justamente os adolescentes e os homens que entraram na idade adulta, recentemente, de 18 a 20, 21 anos, o que mostra que realmente o caminho para reduzir a criminalidade é a educação do jovem e atividades que o mantenha ocupado na sua formação profissional ou escolar, como as atividades culturais, atividades esportivas sadias, que façam com que ele evite o uso de qualquer tipo de droga, por mais liberada que essa droga seja em nosso País.

Devemos induzir os jovens a experimentar outras coisas que são boas e não apenas a droga como alternativa de felicidade, porque a droga não traz felicidade a qualquer cidadão, a qualquer ser humano.

Gostaria de dizer que o congresso que ocorreu em Joinville, da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, foi um grande sucesso, culminando com uma grande passeata com cerca de 2.500 pessoas manifestando-se contra o cheque sem fundo, dos quais milhares foram queimados em praça pública, num protesto claro contra o poder do capitalismo, que é o sistema financeiro nacional e internacional. Até porque muitos comerciantes acabam com o prejuízo do cheque sem fundo tendo que fechar os seus estabelecimentos, gerando mais desemprego e, por conseqüência, mais fome, mais miséria, porque não é possível que o comércio tenha que assimilar essa perda por irresponsabilidade do sistema financeiro que não assume a responsabilidade sobre seus clientes, que não faz uma triagem adequada, que libera cheques sem saber se o seu cliente tem condições de pagar ou de garantir a confiabilidade daquele pagamento.

Então, nós temos que exigir do sistema financeiro, temos que aderir à luta dos comerciantes neste País, porque o comércio é um dos ramos que mais gera emprego, e não podemos deixar que este setor acabe falindo por conta dos cheques sem fundo, por conta de o sistema financeiro não fazer um trabalho de qualidade, prejudicando toda a sociedade com a prática de cheque sem fundo.

Gostaria de falar a respeito do pronunciamento do Sr. Deputado Nelson Goetten, a respeito do Companheiro Lula.

Ele esquece de ver a história ou de fazer retrocesso à história, porque a situação caótica que o País vive, hoje, foi criada pelas oligarquias do PP, do PFL, juntamente com o PSDB.

Foram oito anos de atraso. E agora de uma hora para outra, a partir de 1° de janeiro, querem que o Companheiro Lula, no papel de Presidente da República, resolva o estrago que foi feito há muitas décadas neste País à sua economia, à sua distribuição de rendas. Querem que o Companheiro resolva tudo de uma vez só.

Mas todos os atos do Governo têm sido direcionados pelas questões sociais. Isso tem ficado muito claro. O Governo está buscando resolver o problema social do País, que é o desemprego que, por conseqüência, cria a mazela da fome e da miséria.

Ficou bem evidente, nesta tribuna, na fala do Sr. Deputado Nelson Goetten, que ele não concorda que cidadãos que nasceram em berço pobre possam ser grandes vencedores quando admitiu que o Companheiro Lula não tinha diploma. Só que sem diploma ele chegou a se tornar Presidente da República, numa demonstração clara de sua capacidade política, numa demonstração clara de que não é só quem nasceu em berço de ouro, não é só quem faz universidade que tem possibilidade de crescer e de se desenvolver.

A exemplo do vice-Presidente, que é um grande vencedor, porque da mesma forma não nasceu em berço de ouro, não teve oportunidade de ser um acadêmico formado, mas se tornou um médio empresário neste País.

Nós temos, em Santa Catarina, um outro exemplo que é o Beto Carrero, que é um autodidata e também não teve oportunidade de se formar academicamente, mas também se tornou um vencedor.

Ficou claro na fala do Sr. Deputado Nelson Goetten que quem é pobre, que quem é miserável tem que morrer pobre, tem que morrer miserável, não pode ter oportunidade de crescer, não pode ter oportunidade de estudar, não pode ter um salário digno, não pode ter uma empresa. Isso ficou muito evidente quando ele questionou o fato de o Presidente da República não ter um diploma de formação acadêmica.

Nós temos, neste País, muitos acadêmicos que não enxergam um palmo diante do nariz porque não foram acadêmicos de fato, mas desenvolveram o seu conhecimento acadêmico e científico para poderem, realmente, ser vencedores na sua vida social e profissional.

Porém, o Sr. Deputado Nelson Goetten, não deixou de externar as suas raízes e a forma de pensar com relação ao povo pobre e humilde do nosso Estado e do nosso País.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)