38ª Sessão Ordinária - 23/05/2006
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Sr. presidente, srs. deputados e sras. deputadas, venho novamente à tribuna para relatar o que ocorreu nesta segunda-feira no município de Abelardo Luz, ou seja, uma mobilização dos produtores rurais que se manifestaram através do Sindicato dos Produtores Rurais de Abelardo Luz, nas pessoas de Orides Dal Bem e do vice-presidente da Faesc, Eroni Barbieri; estiveram lá também o prefeito do município de Abelardo Luz, Nerci Santin e prefeitos da região; os presidentes dos sindicatos dos municípios de Campo Erê, Palmas e contamos também com a presença dos deputados Jorginho Mello e Gelson Merísio. E o que constatamos nesta mobilização do "último grito do campo", foi que de hora em hora eles liberavam o tráfego para os caminhões e para quem transitava por aquela rodovia. Mas colocaram colheitadeiras, caminhões na pista para demonstrar a crise que está passando a agricultura catarinense e brasileira. É uma crise sem precedentes, deputado Romildo Titon! E não é choradeira dos agricultores; a questão da agricultura em nível de Brasil está muito difícil - e aqui se faça justiça - pois não é possível o produtor depois de três estiagens, deputado Manoel Mota, continuar produzindo. E o deputado Onofre Santo Agostini, que me antecedeu, relatou que antes eram necessárias 1.700 sacas de soja para comprar um pequeno trator e hoje são necessárias 4.500. Mas vejam que para comprar um saco de adubo no ano de 2005, precisava-se de um saco de soja. Hoje temos que vender duas sacas de soja para comprar uma saca de adubo.
Srs. deputados, a crise na agricultura é tão grande que o sistema cooperativista em nível de Santa Catarina, que é um sustentáculo da agricultura brasileira e de Santa Catarina, não terá suporte para sustentar os créditos que deram aos produtores rurais. Por quê? Porque os financiamentos via governo federal são em torno de 25% do financiamento de toda a agricultura brasileira. Hoje os agricultores não podem saldar as suas dívidas com o banco, porque não têm condições.
Gostaria de pedir o apoio de todos os líderes e deputados para assinarem esta moção, que é a reivindicação de toda a categoria produtora do estado de Santa Catarina e do Brasil. Mas a Assembléia Legislativa, representada por este deputado e pelos deputados Gelson Merísio e Jorginho Mello esteve lá - e sei que outros deputados gostariam de ter estado lá, deputado Manoel Mota, haja vista a manifestação que ocorreu em Araranguá, para assinar esta moção que está sendo encaminhada ao presidente da República, aos ministros da Agricultura, da Fazenda e do Planejamento. A questão é "o buraco na agricultura", como diz o ministro Roberto Rodrigues, que está em torno de R$ 40 bilhões, e o governo deverá tomar uma decisão no dia 25 próximo anunciando medidas para a solução dos problemas na agricultura.
Pedimos aos senhores deputados que queiram subscrever esta moção, que possam realmente assiná-la para que tenha a concordância dos 40 deputados.
O Sr. Deputado Romildo Titon - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Pois não!
O Sr. Deputado Romildo Titon - Quero parabenizá-lo pela moção que v.exa. está apresentando e com sua aquiescência nós também já a assinamos.
Quero dizer que nós participamos de várias manifestações na semana passada na nossa região. O governo federal ainda não percebeu a dimensão da crise que estamos vivendo na agricultura, no agronegócio, na pecuária, na avicultura, na suinocultura e que, sem dúvida nenhuma, vai ser uma quebradeira geral.
V.Exa. já fez uma colocação muito correta que este ano, devido às poucas condições que os agricultores tiveram de buscar o financiamento nos bancos, pelas dívidas que já estavam renegociando há vários anos, tiveram que comprar os insumos nas casas comerciais e nas cooperativas.Agora não têm condições de efetuar seus pagamentos. Vai ser uma quebradeira geral em termos de estrutura das cooperativas, não só de Santa Catarina como de todo o Brasil, refletindo em todo o comércio.
Outro ponto importante que o governo ainda não se deu conta é o desemprego que esse problema com a agricultura vai causar. Mais de 100.000 pessoas serão desalojadas do trabalho e irão para um centro maior em busca de outra oportunidade, aumentando mais ainda as favelas.
Era essa a contribuição que gostaria de dar ao seu pronunciamento.
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Agradeço o seu aparte e o incorporo ao meu pronunciamento.
O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Pois não!
O Sr. Deputado Manoel Mota - Quero parabenizá-lo e dizer que v.exa. está coberto de razão, porque a crise hoje na área da agricultura está generalizada, todos os setores estão com problemas.
Portanto, há uma desmotivação total da área produtiva e não temos condições de motivá-los para que continuem produzindo e plantando para a próxima safra, porque eles não têm como pagá-la. Acho que se o governo federal não tomar uma medida, vamos ver os agricultores quebrados e uma situação muito difícil para o próximo ano.
Quero dizer que vou assinar essa moção com muita honra e que v.exa. está no caminho certo. Nós precisamos nos manifestar e dizer do nosso sentimento para com aqueles que trabalham e produzem, porque matar o produtor é matar a galinha dos ovos de ouro.
Parabéns, caro deputado!
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Com certeza os produtores irão agradecer aos deputados catarinenses que assinarem a moção.
O Sr. Deputado Antônio Aguiar - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Aguiar - Gostaria de parabenizá-lo e dizer que nós do planalto norte estivemos presente na cidade de Mafra em uma grande manifestação e assinamos a moção com muito prazer.
Queremos dizer aos agricultores que realmente esta é uma crise sem precedentes. E, por isso, temos que tomar uma atitude para ajudá-los nessa hora difícil.
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Gostaria de dizer que vemos com tristeza a situação daquele agricultor que tem o seu trator, a sua ceifa, parada. É lógico que colocaram lá uma ceifa velha para queimar, demonstrando sua insatisfação, pois a agricultura familiar também tem que se engajar, para que no futuro possa produzir alimentos para este Brasil.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)