28ª Sessão Ordinária - 27/04/2006
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente e srs. deputados, eu, como professor de carreira da rede pública estadual, me entristeci ao ler, hoje, nos principais jornais de Santa Catarina, notícias repercutindo a manifestação de ontem, deputado Dionei Walter da Silva, havida em todo o estado de Santa Catarina, com o início do movimento grevista dos professores da rede pública estadual.
E aí eu fico lembrando, deputado Vieirão, daquele discurso de campanha do governador. Eu não sei se o deputado Dionei Walter da Silva tem o livrinho do Plano 15, pois é o mais assíduo leitor e cobrador desse plano. Até a deputada Ana Paula Lima, nesta semana, já assomou à tribuna da Assembléia com o livrinho do Plano 15 na mão. Porque o então candidato, aliás, o sempre candidato, ele foi candidato há quatro anos, passou três anos e quatro meses no governo como candidato, não desceu do palanque e agora continua candidato o sr. Luiz Henrique da Silveira.
Eu lembro que ele tirava e mostrava aquele livrinho milagroso todo dia durante a campanha, o tal do Plano 15. Aquele plano, deputado Gilmar Knaesel, que continha as fórmulas para a solução de todos os problemas. Como tenho dito sempre, até problema de unha encravada, segundo o então candidato Luiz Henrique da Silveira, tinha uma solução naquele Plano 15. Tudo seria melhorado se ele fosse eleito. Santa Catarina viraria um paraíso, a ambulancioterapia iria acabar, os problemas de saúde, de educação, de segurança, tudo iria melhorar. Ninguém imaginava que era exatamente o inverso que iria acontecer.
Na Segurança Pública, por exemplo, deputado Vânio dos Santos, os números são os mais desalentadores de toda a história de Santa Catarina.
Mas a partir da semana que vem nós teremos aqui o ex-secretário da Segurança Pública, o suplente de deputado Ronaldo Benedet, que era um assíduo cobrador no governo passado, deputado João Henrique Blasi. Ele era o que mais cobrava e mostrava, no dia-a-dia do governo Amin, uma preocupação muito grande com o crescimento da violência. E, para infelicidade dele, foi no período de sua passagem pela secretaria da Segurança Pública que experimentamos os piores índices de criminalidade da história de Santa Catarina.
V.Exa., deputado João Henrique Blasi, fez um esforço muito grande e eu sempre reconheci o seu trabalho pela passagem no comando da Polícia de Santa Catarina, mas o seu sucessor, o suplente de deputado Ronaldo Benedet, foi uma tragédia, levou Santa Catarina a números amargantes, aos piores índices de violência, de criminalidade da nossa história.
Ele saiu bem. Pelo que consta, pela movimentação que vejo dele como candidato, ele saiu muito bem. O que ele tem feito lá pelo sul do estado, por este estado afora, deputado Julio Garcia, eu não sei, mas há histórias assustadoras de que a violência, a situação de segurança de Santa Catarina é caótica.
E na educação, deputado Vieirão, o então candidato, o sempre candidato Luiz Henrique da Silveira, apresentava aquele livrinho e dizia que era para ler, guardar e cobrar. Os professores leram, acreditaram, votaram nele em sua maioria, guardaram o livrinho e agora estão cobrando, entrando até em greve. Não tem jeito.
Entendo que vamos ter que fazer uma cópia daquele exemplar do Plano 15, do deputado Dentinho e do deputado Dionei Walter da Silva, porque eu acho que Luiz Henrique da Silveira perdeu o seu exemplar. Vou fazer uma gincana para ver se achamos um outro exemplar por este estado afora, para dar de presente a ele, para ver se ele mesmo cobra agora como candidato que é.
O salário, deputado Reno Caramori, do professor do estado está igual ao salário do professor de Joinville?! Não foi isso que foi prometido, deputado Reno Caramori? O que foi dito para o professor? Para votarem em Luiz Henrique da Silveira, que o professor do estado ganharia como o professor de Joinville. E estão em greve, deputado Vieirão, porque nem a incorporação do abono o secretário, compadre do governador candidato, quer fazer. Que decepção!
O policial militar foi enganado, porque até hoje não foi integralizado o aumento; os demais servidores enganados; o estudante foi enganado com o art. 170, com o art. 171; o cidadão catarinense foi enganado com a não-solução dos problemas da saúde; o agricultor catarinense foi abandonado, tanto que está aí o problema do trancamento da exportação da carne suína para a Rússia. Não temos nada de solução. O que existe é muito passeio do governador a Moscou em vão, ao teatro Bolshoi, enfim, é um monte de excursão e nada de solução. E agora temos a decepção dos professores de Santa Catarina.
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Anteontem tivemos nesta Casa uma audiência pública sobre as contas do Besc. E o secretário, compadre do governador, nesta tribuna, tinha os olhinhos brilhando quando dizia que o estado tinha dado 66% de reajuste aos servidores públicos.
Eu lembro ainda da promessa do então candidato ao governo, ou seja, que igualaria o salário dos professores da rede pública estadual aos da rede pública municipal de Joinville.
Eu escutei as declarações do deputado Peninha dizendo que o estado está estudando. Mas acho que existe algum discurso errado. Primeiro, acho que os professores não estão em greve, que estão, sim, em passeata em agradecimento ao governador pelos 66%, porque hoje eles estão ganhando igual aos professores de Joinville.
Nós é que aqui estamos na Oposição criticando o incriticável. Nós aqui somos os invejosos, porque não conseguimos dar para eles 66% nem igualá-los a Joinville. Eu acho que alguma coisa está errada - ou o discurso de quem hoje é governo ou o nosso, da Oposição. E talvez busquemos nessa greve a resposta. Se é greve por rejeição ao atual governo ou greve, talvez, de agradecimento ao atual governo.
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Deputado Vieirão, vamos dar cópia para o deputado Peninha da manchete do jornal ANotícia de hoje: "Professores em greve fecham a ponte". Então, não era uma passeata de agradecimento ao Luiz Henrique. É greve mesmo!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)