Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

83ª Sessão Ordinária - 02/09/2010

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, utilizando esses minutos do nosso partido, gostaria de prestar uma homenagem muito especial a uma figura que eu poderia dizer a v.exas. que é das mais importantes dentro do contexto político do município de Araquari, uma cidade que é vizinha de Joinville, faz parte de Joinville, uma cidade satélite de Joinville.

Eu me refiro ao vereador Jamico, conhecido assim, que já estava na quinta legislatura, uma liderança das mais importantes dentro do contexto político daquele município. Eu mantinha com ele laços políticos e de amizade por longa data.

O vereador Jamico, juntamente com o vice-prefeito Paulino Sérgio Travasso, o vereador Clenilson e mais o secretário Graciliano David Cardoso, forma um grupo de lideranças políticas do nosso PSDB, no município de Araquari. E sempre que se tinha que tomar alguma uma posição ou uma decisão, essa conversa passava, forçosamente, pelo vereador Jamico, meu parceiro, meu amigo.

A última vez que estive na casa do vereador Jamico foi no sábado retrasado. Sentamos na varanda de sua casa, um lugar aprazível, gostoso, juntamente com a sua esposa. E não demorou muito chegaram alguns dos seus vários filhos, já adultos. Rimos, conversamos, conjecturamos sobre os mais variados assuntos, evidentemente, sobre política e o momento atual que vivemos, as projeções de trabalho etc.

O vereador Jamico estava feliz, contente, e ficamos lá pelo menos uma hora e meia. Eu me despedi com um caloroso e forte abraço no vereador Jamico e na sua esposa e segui minha viagem. Eu ia para São Francisco do Sul, depois Barra do Sul, Barra Velha e Guaramirim. Este era o meu itinerário naquele dia.

Na terça-feira, mal cheguei ao meu escritório e recebi a notícia de que o vereador Jamico havia morrido. E já estava no meu site, na minha página, e para quem não sabe e quiser acessar é www.nilsongoncalves.com.br, a minha foto, sentado na varanda da casa do vereador Jamico. Eu mal cheguei e fiquei sabendo da morte daquele velho companheiro. Foi como levasse um murro na boca do estômago, foi um choque. Fiquei extremamente chocado e imediatamente corri para Araquari. A sua esposa e a família estavam inconformadas, os amigos, chocados. Enfim, a vida daquelas pessoas virou do avesso, ficou de pernas para o ar.

Eu, que tinha naquele vereador uma das minhas referências naquele município, fiquei também chocado tanto quanto os demais. Por que o vereador Jamico morreu? Simplesmente de um ataque cardíaco fulminante, mal deu para chegar ao hospital na madrugada de segunda-feira para terça-feira ou de terça-feira para quarta-feira, se não estou enganado.

Então, olhando uma por uma aquelas fotos do vereador Jamico naquela varanda - e até revelei as fotos que tínhamos tirado para levar para a sua família - calmamente fiz uma reflexão sobre a minha vida. Até porque há alguns meses perdi outro parceiro político, outro companheiro no município de Guaramirim em condições parecidas: o vereador Marcos Mannes.

O nosso pessoal da Casa Amarela fez uma oficina naquele município ensinando a mais de 50 senhoras daquela localidade a fazer artesanato. E todo esse trabalho foi organizado pelo vereador Marcos Mannes. Estivemos lá no encerramento entregando o diplomazinho àquelas senhoras, e o vereador estava entusiasmadíssimo, conversando e fazendo projeções para o futuro.

Alguns dias depois, recebi a triste notícia da sua morte, também vítima de um ataque cardíaco fulminante. Era um rapaz com 48 ou 49 anos. Aí fiquei analisando essas coisas e fazendo uma análise da minha própria vida. E hoje estou aqui conversando, falando com v.exas. da tribuna desta Casa, e daqui a pouco seguirei viagem para a minha terra. Mas quem me garante que eu vou estar vivo à tarde, à noite, amanhã? Quem garante a nossa vida? Quem sabe da nossa vida? Nós somos tão frágeis e podemos, de uma hora para outra, sair desta vida.

Quando faço essa reflexão analisando a nossa fragilidade como seres humanos, fico analisando também determinadas pessoas do meio político até, porque é onde mais convivemos, soberbas, orgulhosas, ambiciosas, muitos, inclusive, achando-se acima do bem e do mal. Muitos, inclusive, olhando por cima do ombro como se fossem imbatíveis ou eternos. Mal sabem essas pessoas que orgulho, prepotência e ambição não nos somam exatamente nada, porque a única coisa que podemos fazer para sair bem deste mundo é praticar o bem ao próximo, é estar de bem com o próximo, é estar de bem com a família e de bem conosco. É somente isso que interessa e mais nada, sr. presidente.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)