14ª Sessão Ordinária - 11/03/2009
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito obrigada, sr. presidente, srs. deputados; muito obrigada a todos e a todas que nos acompanham pela TVAL, pela Rádio Alesc Digital e a quem nos dá a honra de estar visitando esta Casa de Leis, esta Casa do Povo.
Quero falar, srs. parlamentares, ao povo catarinense sobre mais uma demonstração do governo federal para dois municípios atingidos pela catástrofe de novembro: a liberação do Fundo de Garantia aos municípios de Timbó e Pomerode, que estavam reivindicando há muito tempo essa liberação.
É de suma importância essa atitude célere, ágil, do governo federal, em liberar esses recursos a essas pessoas que moram nessas cidades, inclusive, para ajudar a acelerar a economia nesses municípios. Tenho a dizer também que para outras cidades que foram afetadas e que estão reivindicando, certamente o presidente Lula vai com toda sensibilidade fazer a liberação.
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - V.Exa. me concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!
O Sr. deputado Ismael dos Santos - Deputada Ana Paula de Lima, apenas quero ratificar a satisfação dessa boa notícia que vem do governo federal, embora ainda estejamos reivindicando liberação das verbas, efetivamente prometidas a todo vale do Itajaí. Mas, sem dúvida alguma, a liberação do Fundo de Garantia em Blumenau, cerca de R$ 350 milhões, salva a economia, salva a nossa cidade.
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Obrigada, sr. deputado Ismael dos Santos, pela sua colaboração.
Srs. parlamentares, outro fato que me aflige também é o que o estado de Santa Catarina tem vivido nos últimos tempos. A tragédia do mês de novembro destruiu várias cidades, principalmente no vale do Itajaí, no médio vale, na foz do Itajaí. E pelo que acompanhamos no último final de semana, deputado Serafim Venzon, inclusive a sua cidade de Brusque ficou alagada, assim como também as cidades de Itajaí, Blumenau, Balneário Camboriú, onde tivemos a interdição do Hospital Santa Inês.
Os tornados na região de Turvo destruíram várias casas, várias empresas, várias residências. A região próxima a Lages, Ponte Alta, Ponte Serrada, também foi destruída. Isso nunca aconteceu. Tivemos até ciclones no nosso estado.
Nós, deputados, temos a missão especial de votar o Código Ambiental. Por isso temos que discutir muito bem esse Código.
Quero falar também, sra. deputada Odete de Jesus e srs. parlamentares, que nós chamamos a atenção das tragédias de novembro do Brasil e internacionalmente, com o que aconteceu na nossa região.
(Passa a ler.)
"Blumenau, Itajaí, Ilhota, Gaspar, Luís Alves, Brusque, Timbó, Benedito Novo, Rio dos Cedros, tantas outras cidades há 110 dias foram brutalmente atingidas pela maior tragédia de sua história.
A dor, as mortes, as imagens de destruição comoveram o país. Do presidente da República ao mais humilde brasileiro se uniram numa corrente de solidariedade poucas vezes vista na história do Brasil.
Recebemos doações volumosas de dinheiro, alimentos, roupas, móveis, eletrodomésticos, materiais de construção de muita gente.
Qual era o mínimo que se esperava das autoridades que gerenciavam esses recursos, autoridades públicas estaduais e municipais? Fazer chegar essas doações as milhares de famílias que sofreram com as enchentes e os deslizamentos.
É por isso, srs. deputados, que não posso me calar diante do testemunho de uma mãe, em rede nacional, no último domingo, na minha cidade de Blumenau, que está num abrigo e deu à luz a uma criança depois da tragédia, dizendo ao Brasil que não tem acesso ao leite para o seu filho. Eu não posso me calar e jamais vou me calar.
Pasmem, sra. deputada Professora Odete de Jesus e srs. deputados, ao que a cidade de Blumenau teve que assistir. E reparem as imagens que vou passar agora mesmo, da TV Ric Record."
(Procede-se à exibição do vídeo.)
Srs. parlamentares e sra. deputada, por isso não posso me calar! Mais de 100 dias se passaram da tragédia e ainda há 200 toneladas de alimentos estocadas, enquanto uma mãe está precisando de leite para o seu filho.
Não dá para me calar, não! Não dá para me calar diante da incompetência dos gerentes dessa tragédia, que não fizeram a distribuição para essas pessoas. É comida jogada no lixo, num país que tem gente passando fome. A notícia por si já é lamentável, srs. parlamentares.
Num país onde a grande parcela da população ainda está com necessidades - e na minha cidade existe gente passando necessidade -, a comida doada por milhares de brasileiros, solidários com a dor dos catarinenses que perderam as suas casas na maior tragédia ambiental que o estado está vivendo, e ainda vai viver, vive-se um escândalo como esse, um escândalo de toneladas e toneladas de alimentos jogadas no lixo.
Fico perguntando a mim mesma se eles vão esperar mais 100 dias para jogar fora as 200 toneladas que estão lá estocadas. O que está faltando?
Eu recebi no meu gabinete um pessoal, hoje de manhã. São milhares de pessoas inconformadas, que deram dinheiro, comida, donativos e viram essa reportagem. Isso é um escândalo! Isso merece a responsabilidade do Ministério Público de culpar as pessoas que, em vez de entregar comida para os necessitados, está jogando essa comida fora.
Por isso, srs. parlamentares, segundo a matéria, 3,5 toneladas de comida já foram jogadas fora porque estavam estragadas. No local ainda há mais 200 toneladas. Eu espero que eles não joguem essa comida fora e dêem para as pessoas que foram prejudicadas durante a última tragédia.
O que me incomoda é que diante de tanta tragédia, a calamidade ocorrida não foi a calamidade de novembro; a maior calamidade é verificar que, enquanto temos gente passando fome, também temos gente colocando comida fora.
Sr. presidente, sra. deputada, srs. parlamentares e povo catarinense, precisamos tomar uma medida imediata para que essas 200 toneladas não vão para o lixo, enquanto há gente passando fome.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)