59ª Sessão Extraordinária - 18/11/2009
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, companheiros deputados, companheiras deputadas, não poderia deixar de mencionar um ato que ocorreu, ontem, nesta capital. Um ato positivo, deputado Pedro Uczai, para o qual fui convidado pelo prefeito em exercício, Gean Loureiro.
A Acate - Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia - começou com poucas empresas, seis ou sete apenas, numa incubadora, trabalhando com a parte eletrônica, com informática; hoje são mais de 400 empresas, uma grande fonte de arrecadação do município de Florianópolis, que, no meu ponto de vista, está-se transformando na capital do conhecimento, na capital com a melhor qualidade de vida.
Nesse ato foram assinados vários convênios que eu gostaria de ajudar a divulgar para todas as prefeituras, para o governo do estado e para todas as instituições.
Trata-se, deputada Ada De Luca, da inclusão social e da inclusão digital ao mesmo tempo. Isso quer dizer que nós temos estudantes que num prazo de quatro meses poderão ter a sua inclusão digital, depois terão de estudar mais quatro meses para ser monitores e poderão também fazer um curso técnico em dois anos e depois o curso superior. Por que a Associação das Empresas de Tecnologia está fazendo isso? Porque precisa de mão de obra qualificada, pois é um setor que cresce 20% ao ano.
Portanto, temos que acabar de uma vez por todas, seja no setor da economia empresarial, seja no setor da administração pública, com o "papelório", com o "carimbório", como diz o governador Luiz Henrique, pois cada vez mais a informática está-se fazendo presente.
É dentro dessa visão que a Acate, através de convênios com a prefeitura, quer formar mão de obra qualificada nesse setor, porque as escolas de nível superior e de nível técnico não estão atendendo à demanda.
Parabéns a Florianópolis, através da secretaria de Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável, uma secretaria nova criada pelo prefeito Dário Berger, atendendo à demanda da nossa capital.
Eu me sinto participante desse processo, professor que sou da área de pesquisa desde o início da década de 70, quando começamos a utilizar o primeiro computador; primeiro se assinalava com lápis, depois o grafite era perfurado e passávamos no computador. E quando esse cartão sofria alguma torção, dificilmente passava no computador para termos o primeiro fluxograma. Como era difícil, através da linguagem símbolo, front-end, fazer um simples fluxograma ou um programa.
Hoje, por exemplo, nós vemos, no supermercado, através da caneta ótica, do leitor ótico, o preço do produto aparecendo no computador; assim que o preço é lido, é dada baixa, automaticamente, lá no depósito, recebendo também o fornecedor o pedido de compra. Isso tudo é feito de forma automática, porque muitas vezes o produto já está ali em consignação.
Assim nós fizemos também quando fomos para a prefeitura. Depois que o carnê do imposto era pago, à noite, 25 funcionários, numa máquina daquelas antigas de contabilidade, trabalhavam para dar baixa. Posteriormente, com a caneta ótica que introduzimos nos bancos que recebiam o IPTU, eles já davam a baixa automática e a conferência era informatizada, o que representou um grande avanço na prefeitura. Conseguimos ter um cadastro com 80% dos contribuintes, fato que ajudou a desenvolver Florianópolis de forma sustentável sem precisar aumentar os impostos.
E eu falo isso porque essa incubadora foi desenvolvida pela maioria dos nossos alunos de cursinhos e universidades. Nós fizemos pós-graduação em cristais líquidos, que é o que usamos no display do computador, na televisão LCD, nas operações das máquinas de calcular, porque antes as operações eram feitas em máquinas como a Facit, como as primeiras máquinas Texas, que vinham dos Estados Unidos, em réguas Parshad & Paika, que se mandava buscar para a matéria Cálculo Numérico I e II. E hoje constatamos a importância da informática, do desenvolvimento da ciência e da tecnologia.
Na Tecnópolis, da qual fui vice-presidente, onde está concentrada a maioria das empresas de serviços de informática - e com numa delas tive o prazer de trabalhar em cursinho com o professor Marafon -, há hoje, aproximadamente, 500 funcionários, a maior parte com pós-graduação e doutorado, que estão trabalhando em empresas de criação e criatividade, prestando serviços não só ao Brasil como ao exterior. Mas poucas pessoas sabem disso.
Portanto, parabéns, Florianópolis, isso muito nos orgulha, pois no futuro esta capital será a ilha da tecnologia, a ilha do silício, assim como o vale do silício nos Estados Unidos. E, como já falei, não é por acaso que foi feito um trabalho no passado, envolvendo todas as instituições, para podermos chegar aonde chegamos.
Um segundo assunto que me chama a atenção e sobre o qual eu disse que todos os dias falaria, é o que trata do encontro em Copenhague - o COP-15 -, que é o maior encontro sobre as mudanças climáticas, sobre o controle da emissão do dióxido de carbono, que é o principal agente na produção do efeito estufa, do aquecimento global, que provoca o desequilíbrio do nosso clima. Faltam somente 18 dias para começar esse encontro.
Está ocorrendo também a reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da China, Hu Jintao - e somente essas duas grandes potências estão participando -, na qual estão discutindo o G-2. Nós já queremos o G-20 achando que o G-8 já está superado. Eles estão querendo fazer o G-2 porque são responsáveis pela metade da poluição do mundo.
Eles estão querendo esvaziar esse encontro em Copenhague, que é promovido pelas Nações Unidas, e nós queremos dar aqui alguns dados para os quais pedimos a atenção de v.exas., a fim de que deles tomem conhecimento.
(Procede-se à apresentação de vídeo.)
A linha verde que aparece no vídeo representa o aumento do dióxido de carbono nos países em desenvolvimento, enquanto nos países desenvolvidos continua dentro da mesma proporção.
Mas o que significa isso? É que a China está entre os países em desenvolvimento e é, talvez, um país tão poluidor quanto os Estados Unidos ou mais. A Índia também está entre esses países, como o próprio Brasil, que é o quarto mais poluidor, não por causa da indústria nem por causa do combustível fóssil, mas por causa das queimadas.
Assim sendo, é importante que o nosso país, a China e a Índia tenham metas, e eu estou percebendo que o governo brasileiro está amadurecendo, pelo menos está mostrando vontade, não ainda em forma de lei, que poderá sair no encontro de Copenhague.
Portanto, é fundamental saber que hoje um dos maiores poluidores do mundo é o carvão, como combustível fóssil. Por quê? Porque a maior parte da geração de energia elétrica através do carvão é européia. Apenas os países baixos é que estão incentivando o uso da energia solar, como é o caso, por exemplo, da Dinamarca. Lá, deputado Pedro Uczai, o morador que tem energia solar em casa, em vez de pagar, recebe do governo, porque sai muito mais barato, uma vez que não existem quedas d'água para construir hidrelétricas.
Então, o carvão ainda é o que mais polui nos Estados Unidos, cerca de 60%. Depois nós temos o petróleo, o gás e assim por diante, que são setores que continuam a produzir dióxido de carbono.
Mas nós voltaremos ao assunto no próximo pronunciamento.
Muito obrigado, sr. presidente.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)