21ª Sessão Ordinária - 27/03/2008
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, srs. deputados e sras. deputadas, nós sabemos que até pela questão de interesses cada parlamentar, cada partido, cada pessoa, cada cidadão tem a sua visão, a sua forma de fazer política.
Eu gostaria de deixar bastante clara a nossa concepção, a nossa visão de fazer política. Por exemplo, com relação à concepção de que quem é Situação tem que dizer "sim" a tudo e de que quem é Oposição tem de ser contra tudo que é do governo, não é essa a nossa forma de fazer política. A nossa forma de fazer política é uma conquista de toda a sociedade, pois queremos contribuir, com o PPS, para o crescimento da visão de que o mundo não é maniqueísta, onde alguns são do bem e outros do mal. Essa é uma concepção da Idade Média: ou se está a favor de Deus ou contra Deus; ou está na nossa igreja ou é herege. Essa visão atrasou muito o desenvolvimento.
Então, o que nós temos como política na forma de ciência é a proposta de fazer um projeto, dando a nossa contribuição, colocando o nosso posicionamento político, respeitando todas as demais correntes de pensamento, sejam contrárias ou favoráveis, porque esta é a essência da democracia: a soma de todas as cores, de todas as tendências e correntes, o branco da paz.
E é neste sentido que nós, nesta Casa, somos uma caixa de ressonância de todos os recantos de Santa Catarina. Mas o que nós vimos, recentemente, na Assembléia não nos credencia a ser os representantes da esperança que o povo catarinense tem requerido de cada parlamentar. E olha que somos eternos aprendizes da esperança.
Essa questão me lembra o momento histórico, devido à nossa formação no maniqueísmo, de que somos os bons e os outros são os maus. Essa concepção levou para a fogueira, de acordo com a concepção da ciência na época, um grande pensador, Giordano Bruno, que questionou Copérnico, que obrigou Galileu a desmentir suas idéias e que no final concluiu, no seu depoimento junto à Inquisição, o seguinte: "Eppur, si muove", que quer dizer: "E, no entanto, move-se".
Srs. deputados, o que significa isso? A concepção herética do pensamento. Quer dizer, no momento em que se dizia que a terra se movia ao redor do Sol e que o Sol era fixo, isso não preocupava a visão da população daquela época, porque ela olhava todos os dias a natureza, via o Sol nascer e pôr-se, não tinha a concepção da ciência, até porque não havia conhecimento da formulação de Copérnico.
Mas tudo isso tocou fundamentalmente na força dominante da igreja predominante na época, através do conhecimento e da ciência. E tocou onde? Até hoje o povo não sabe. Tocou num princípio muito claro: Moisés, voltando do Egito, à procura da terra prometida - sabemos que não conseguiu chegar à terra prometida -, morreu no caminho com a sua grandiosidade, que foi a revelação dos dez mandamentos. E coube a Josué dar essa condução até chegar à terra prometida. Ele travou batalhas e numa dessas batalhas estava escrito na Bíblia que, para dizimar todos os inimigos, teria que pedir para que o Sol parasse, a fim de que não anoitecesse e tivesse mais tempo para matar os seus inimigos. Quando a concepção de Galileu tocou no que estava escrito na Bíblia, foi que começou realmente o apavoramento, porque aquilo que estava escrito eram palavras de Deus e Deus não poderia estar errado; como o Sol já estava parado, então, não poderia ficar parando o Sol.
Outra questão: ele tinha que parar era a Terra, porque a Terra é que se move ao redor do Sol, se queria ter mais tempo para dizimar os inimigos. Essa concepção que contradizia esse princípio da Bíblia, que poucas pessoas conheciam, foi a grande causa de toda a Inquisição para incriminar Galileu. Por quê? Porque contrariava as palavras santas da Bíblia, pois na sua concepção científica não podia a Terra girar em torno do Sol já que o Sol estava girando ao redor da Terra. E como na Bíblia afirma que Deus parou o Sol, pensaram: "Ele já está parado, como é que ia parar"? Com isso é que começou a mudar toda a concepção.
A mesma coisa é na questão política! Nós avançamos, nós nos organizamos em partidos políticos, em democracias, com todas as suas contradições, e temos que ouvir todas. A democracia não é só representativa, ela é participativa, antes de tudo. Nós sabemos que a democracia não se faz só no Parlamento, no Poder Executivo ou no Poder Judiciário, tem que ser feita nos três poderes de forma harmônica. No mundo moderno, as associações de bairro, os sindicatos, as associações científicas propõem diretrizes e linhas políticas à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
De vez em quando o maniqueísmo se manifesta onde há o Obscurantismo. Foi aí que se originou o Iluminismo. Nós somos filhos do Iluminismo, queremos as discussões, nós não queremos o obscurantismo de dizer que a célula-tronco não pode existir. Não! A ciência está aí para discutir, vamos vencer mais essa etapa.
De vez em quando se manifestam na questão política com o simples fato de posições consumadas. Nós temos que entender que na democracia, a maioria não está sempre correta, porque podemos ter a ditadura da maioria sobre a minoria. A democracia é um verdadeiro exercício e esta Casa tem a função de exercê-la.
Por isso é que o nosso comportamento - e há muito tempo quem nos acompanha sabe - deixou de ser no sentido de se pôr a favor ou contra quem está no poder. Sempre fomos a favor daquilo que colocamos de forma científica, daquilo que em que há a tese e a antítese. E o que nós temos? Temos aquilo que chamamos de dialética, o a favor e o contra, e a questão correta do posicionamento com toda a transparência.
Nunca fizemos política - e quem nos acompanhou pôde observar - com qualquer ataque pessoal. Nunca nos viram fazendo qualquer acusação. Isso significa mais ou menos firmeza, porque ser contra e atacar alguém para dizer que é firme, não é política. Isso é até má educação. É má educação!Então, o que precisamos ter? Temos que ter um posicionamento ideológico, ser educados e cada um defender as suas teses e suas correntes políticas.
Até faço este pronunciamento para muitos eleitores, pessoas que nos conhecem pela nossa forma de fazer política. As nossas normas são bastante claras: não fazer ataque pessoal e posicionar-nos ideologicamente. Temos como certo que fazer política é ter propostas, ter projetos de lei, acompanhar as reivindicações das comunidades. Isto, sim, dá muito mais trabalho do que fazer discursos emocionais, oportunistas e ter posicionamento de primeira hora: manter a coerência ao longo dos tempos, manter o espírito de dizer que a missão política, como ciência, é das mais difíceis, muito mais do que a matemática, do que a física ou a química.Por que é muito mais difícil do que essas disciplinas? Porque fazer política é convencer cada ser humano e nós temos que respeitá-los. Por isso a política é muito mais difícil do que todas as ciências. Nós não vamos agradar todos, mas temos que mostrar coerência, trabalho, abnegação e mostrar que não se faz política de forma oportunista.
Este é um apelo que faço a todos os srs. parlamentares, para que não mais ocorra o que ocorreu ontem. Hoje já começaram de novo os ataques e acusações. Se alguém quiser dar exemplo político e tiver qualquer denúncia, para isso existe o Ministério Público, instância criada pela democracia deste país com a redemocratização, ou seja, existe a Justiça! Nós, políticos, devemos valorizar-nos, nivelar-nos por cima. Era isso, sr. presidente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)