11ª Sessão Ordinária - 04/03/2008
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, catarinenses que prestigiam a nossa sessão, especialmente o povo do alto Uruguai, do grande oeste catarinense, demais catarinenses que nos acompanham através da TVAL e da Rádio Alesc Digital, meus cumprimentos.
Deputado Reno Caramori, eu acho que a bancada do PP teria que ter pelo menos três espaços para abordar, deputado Décio Góes, todos os assuntos que tem a tratar. Um diz respeito aos interesses de v.exa. e do deputado Clésio Salvaro, que são os dois candidatos assumidos à prefeitura de Criciúma.
Eu penso que v.exas., hoje, pela grande repercussão da mídia catarinense, ganharam discurso para a campanha. Quisera eu ter um cabo eleitoral como o PMDB! O PMDB, ao sacar o coitado do Antonelli, disse: "Olha, Antonelli, joga a toalha porque você não serve para ser o nosso candidato à reeleição".
Deputado Pedro Uczai, que coisa de louco, de doido esse PMDB! Como é difícil entender isso! Colocaram o Antonelli na cadeira que era do deputado Décio Góes, perderam a eleição para o Décio Góes por mais de 10.000 votos de diferença, e aí não foi golpe, deputado Silvio Dreveck. Para cassar Luiz Henrique da Silveira por usar a máquina de todo jeito é golpe! Para tirar o mandato do deputado Décio Góes não foi golpe. Sacaram o deputado Décio Góes da cadeira, colocaram o Antonelli e agora disseram: "Antonelli, você não presta para ser o candidato à reeleição. Agora vai ser o Acélio ou o Ivo Carminati".
Então, deputado Pedro Uczai, é o próprio PMDB reprovando o governo do PMDB. Os deputados Décio Góes e Clésio Salvaro ganharam o discurso para a campanha inteira.
O segundo assunto, deputado Silvio Dreveck, meu líder, não é menos polêmico e não ocupou menos espaço na imprensa neste final de semana, que é o tal do trenzinho da alegria do governo do estado. Deputado Kennedy Nunes, o Ministério Público do Trabalho está entrando com uma ação dando conta do trem da alegria, sem precedentes, feito neste estado com alto custo para o erário. A litorina é pequena, a litorina é pequenininha! Bota trem naquilo!
A matéria dá conta de 600 funcionários. São mais de mil funcionários que tiveram salários aumentados em até 650%, deputado Pedro Baldissera! Eu conheço alguns casos lá do nosso sul do estado. Deputado Moacir Sopelsa, eu conheço uma professora, ex-secretária regional, irmã de um ex-prefeito, que teve o salário quadruplicado. Ela saiu do magistério e foi para a Fazenda. Conheço a mulher desse mesmo ex-prefeito, que também é professora, que foi para a Procuradoria-Geral do Estado e o seu salário aumentou cinco vezes. Há tantos casos que na hora que começarmos a detalhar, aqui dentro inclusive, vai ser um Deus nos acuda. Mas é um assunto que vai render ainda.
Mas eu preciso, srs. deputados, abordar outros dois assuntos. Um deles diz respeito ao nosso governador, que foi citado numa grande revista de circulação nacional. O governador Luiz Henrique da Silveira está emplacando toda semana nas revistas nacionais, mas não emplacou nenhuma vez com uma notícia boa, deputada Odete de Jesus.
Na semana passada foi na revista Veja, nesta semana está na revista IstoÉ, na coluna Brasil Confidencial, que é uma coluna muito lida, com uma nota com o seguinte teor:
(Passa a ler.)
"A estrela e o governador.
O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, está com o mandato em sério risco. O TSE o julga por abuso de poder econômico na eleição de 2006. Já são três votos a zero contra ele. Mais um contra e será cassado. No processo de apuração, seus adversários descobriram um caso novo curioso. Luiz Henrique tirou R$ 500 mil de um fundo cultural, criado com renúncias de dívidas tributárias das empresas, para financiar uma peça da atriz Vera Fischer, Porcelana Fina, em cartaz no Rio de Janeiro. Vera é catarinense. Como o governador raspou o caixa da Cultura para ajudá-la, faltou dinheiro para outros projetos." [sic]
Foi gasto, deputado Reno Caramori, R$ 1,5 milhão para o sobrinho de Ivo Carminati fazer um filme chamado Quebrador de Corações, em Criciúma. E agora foram gastos mais R$ 500 mil para a Vera Fischer colocar a peça dela em cartaz no Rio de Janeiro.
E a greve do magistério pegando fogo por toda Santa Catarina, deputado Reno Caramori, e o governador tirando dinheiro e dando para o sobrinho do Ivo Carminati fazer o filme Quebrador de Corações e para a Vera Fischer fazer o filme Porcelana Fina. E os nossos alunos esperando o uniforme escolar, esperando as merendas, as escolas chovendo dentro, professor entrando em greve e essa quebradeira por toda Santa Catarina. Não dá mais para entender este governo.
Deve haver pelo menos uns 50 secretários de estado nos assistindo neste momento, porque entre efetivos e adjuntos, Santa Catarina tem cento e poucos secretários. Mas uns 50 devem estar nos assistindo. Pelo amor de Deus, peçam para o governador pagar as contas do estado!
Há bolsas do art. 170 pendentes do ano passado ainda, deputado Décio Góes, mas foram gastos R$ 500 mil para patrocinar uma peça da Vera Fischer. E foi dado também R$ 1,5 milhão para o sobrinho do Ivo Carminati.
Isso não deixa ninguém mais indignado, deputado Moacir Sopelsa! Não é possível que isso não indigna mais a nossa gente!
Temos também o escândalo da Epagri. Em dezembro, deputado Reno Caramori, quando alertamos, quando questionamos aqui sobre essa roubalheira da Epagri acharam um absurdo e agora a imprensa está dizendo que foram desviados R$ 6 milhões.
Mas eu vou revelar, deputado Moacir Sopelsa, uma coisa que aconteceu comigo. O ex-presidente da Epagri tomou liberdade comigo sem que eu lhe concedesse nenhuma intimidade para isso. O dr. Athos de Almeida Lopes, cidadão que até então tinha um respeito muito grande, ousou, deputado Romildo Titon, contei isso a v.exa., ligar para mim no meu celular para me desacatar dizendo bobagens. Ele me desaforou como nunca ninguém fez, nem o meu pai, tratando-me de moleque para baixo, ao ponto de eu ter que desligar o telefone e dizer que ele não tinha liberdade e amizade comigo para ligar no meu celular chamando-me de irresponsável por eu ter trazido, na ocasião, uma notícia sobre a existência de centenas de fantasmas na Epagri.
E agora, dr. Athos de Almeida Lopes, que a sindicância concluiu que são mais de R$ 6 milhões desviados de 2003 a 2006 com fantasmas na Epagri, o que vai acontecer?
Eu acho que o que começamos a conversar hoje com alguns deputados precisa avançar. Penso que é chegado o tempo da CPI dos contratos. Esta Casa não pode mais se curvar a votar no governador; não pode mais se intimidar e deixar de apurar os fatos. É hora de apurar através de uma CPI esses contratos, essas terceirizações, porque há mais coisas vindo aí, deputado Kennedy Nunes. E deve chegar, nos próximos dias, a notícia de que essa pobre família Berger vai abocanhar, sem nenhum procedimento legal, mais uma boa fatia dos contratos do governo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)