76ª Sessão Ordinária - 09/10/2008
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, srs. deputados, ouvintes da Rádio Alesc Digital, telespectadores da TVAL, pessoas que se encontram nas galerias desta Casa.
O processo eleitoral é um ato político-social importante, tanto para aquele que é candidato, quanto para os eleitores. Para os que são ou que foram candidatos, receber o voto significa um prestígio, o reconhecimento do que foram o pai, o avô, a família, o que ele é profissionalmente, enfim, é exposto à sociedade todo o seu passado e presente para ser analisado e ser colocado como ícone social, para ser o seu representante. Certamente receber o voto é algo tão extraordinário, que cada um de nós, quando somos candidatos a vereador ou a prefeitos, corre muito atrás desse prestígio do eleitor.
Por outro lado, podemos tirar algumas conclusões importantes da soma desses pequenos pensamentos quando os interpretamos. Primeiro quero analisar o que se poderia tirar do pensamento coletivo diante de alguns resultados dessa eleição. Percebemos que a eleição de um candidato indicado por alguém que já foi reeleito, ou seja, a terceira eleição, é algo extremamente difícil, e imagino que seja porque o prefeito que cumpriu o primeiro mandato, que se reelegeu e governou por mais quatro anos, somando foram oito anos, teve tempo bastante para tentar cumprir parte da grande expectativa que ele criou nas eleições há quatro, ou oito anos, quando foi candidato. No momento que ele apresenta um indicado para sucedê-lo, imagino que a população passa a ter dificuldade para acreditar, porque se nos oitos anos que esteve no poder ele não fez, como fará se nem é ele quem vai estar no poder, vai ser o indicado dele.
Por isso é que na grande maioria das cidades onde o prefeito já passou pelo processo de reeleição, dificilmente ele elege o sucessor, com raras exceções existe essa aprovação. Citamos aí inúmeras cidades, e certamente o ouvinte lembra várias cidades ao seu entorno que coincidem com essa teoria.
Em segundo lugar, há o sentimento de mudança e a cobrança do eleitor está cada vez maior. Aquilo que o candidato passa no seu plano de trabalho e que diz que vai fazer nos quatros anos subseqüentes, a população tem como cobrar, e quando ele não cumpre acaba sendo cobrando na urna, porque não cumpriu as suas promessas.
Certamente as promessas que são feitas para o eleitor num processo eleitoral, grande números de vezes é fantasiosa, no maior número de vezes o candidato imagina tudo aquilo que deveria ser feito em saneamento, urbanização, pavimentação, esgoto, calçadas, deixar a cidade bonita, reurbanizar diversas áreas da sua cidade, investir, digamos, em infra-estrutura. Na educação quantos projetos poderiam ser feitos? Melhorar as escolas, colocar computadores em todas as escolas, possibilitar creches suficientes para permitir que as crianças estejam bem acompanhadas enquanto os pais trabalham; fazer quadras poli-esportivas em todos os bairros para que os jovens possam se entreter em uma área livre no período que estão fora da escola; para que o trabalhador, no período livre do trabalho, possa praticar seu exercício, que seja um local de encontro, de festa, onde os idosos possam se encontrar.
Então, apenas na área de esporte, na área de entretenimento, quantas coisas teríamos para colocar, mas naturalmente o prefeito eleito dificilmente conseguiria atender uma expectativa dessas, até porque o conceito de bairro é uma coisa muito relativa. O prefeito faz, faz, faz, mas em alguns bairros não fez, fica devendo. Imaginem vocês na área da saúde, o que fazer para tentar agradar a população? Dificilmente conseguirá! Existe uma demanda muito grande.
Essas eleições revelaram que a população tem anotado os compromissos, os planos de trabalho que o candidato coloca para o eleitor, e na hora em que ele vai disputar a reeleição, se não cumpriu uma grande parte daquele projeto, naturalmente vai ser cobrado no pleito.
É também o momento para se analisar o eleitor, que tanto exige no momento da eleição, e muitas vezes coloca situações em que o candidato é obrigado a criar algumas fantasias a mais e que ele mesmo compreende que será impossível cumprir. Apesar disso tudo, quando termina a eleição, eleito o prefeito e os vereadores, vão-se preenchendo as vagas, e de pouco em pouco vejo que o Brasil e Santa Catarina vêm melhorando graças a esse sistema de cobrança, onde o eleitor cobra do seu candidato, e o candidato, depois de eleito, cobra da sua equipe, porque quer realizar, durante o seu mandato, o maior número dos atendimentos possíveis para satisfazer, pelo menos em parte, a sua proposta.
E assim, passado aquele período eleitoral vem nova eleição, e muitas vezes a sociedade substitui os eleitos, porém a decepção continua, mas existe o sistema de mudança, de permuta, e isso faz com que a sociedade vá se modificando, e modificando para melhor.
O PSDB, nessas eleições, conseguiu eleger 36 prefeitos, 42 vice-prefeitos e 365 vereadores, o que nos coloca, numa seqüência de números, como o quarto partido que mais tem vereadores, à frente do PT, por exemplo. Também no número de prefeituras estamos em quarto lugar, na frente do PT.
Fizemos nessa eleição para prefeito 406 mil votos e para vereador 461 mil. Lembro que o PSDB fez, para deputado estadual, 500 mil votos, um número um pouco maior do que fez nas eleições para prefeito e também do que fez para vereador nessas eleições.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)