7ª Sessão Extraordinária - 10/04/2007
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, catarinenses que nos acompanham pessoalmente e através da TV Assembléia e da Rádio Digital, como iniciei a manifestação no horário do nosso partido, hoje deveríamos comemorar, deveríamos celebrar os primeiros 100 dias de governo com mais notícias positivas, com anúncios de inaugurações, convites, com obras que deveriam ter sido concluídas no governo passado e com novas obras no atual.
Afinal de contas, na entrevista que já li aqui nesta tribuna, o governador, no dia 31 de dezembro, afirmava que iria começar o governo no dia seguinte, 1º de janeiro, engrenando a 5ª marcha. O que nós vimos até aqui, deputado Kennedy Nunes, foi o governo engrenar a marcha ré.
O que aconteceu, efetivamente, nesses 100 dias, deputado Silvio Dreveck? O próprio balanço que o governador fez no Diário Catarinense neste final de semana, nos seus primeiros cem dias, com "c", sem obras, com "s", demonstra, inclusive, a falta de verdade, na manifestação dele. Ele chegou a afirmar que está tranqüilo, que o governo está bem, e que o que mais o alegra é que o governo dele não recebeu nenhuma denúncia neste período todo de equívocos.
Será que o governador não foi notificado ainda sobre as 28 ações populares que nós ingressamos somente no governo anterior? E as que tiveram primeira sentença, já a maioria esmagadora, contra o governo, que protela, que tenta atrasar a decisão, porque sabe que o desfecho não será positivo, deputada Odete de Jesus? Tem aquela, por exemplo, da Casvig. E me alegro em ver os estudantes de Direito, que bom poder falar na presença deles.
O nosso partido ingressou há quase quatro anos como uma ação popular - e é isso que me entristece, às vezes, porque também sou estudante de Direito - quando o governo aumentou o contrato de prestação de serviços da Casvig, empresa do prefeito de Florianópolis, e do seu irmão que, na época, era deputado estadual, alterando o contrato em torno de R$ 1 milhão para quase R$ 3 milhões por mês. Coincidência ou não, no mesmo dia, os dois irmãos, um prefeito e o outro deputado, trocaram de partido, deixaram o antigo PFL e ingressaram num partido de sustentação do governo. Deve ter sido uma coincidência. O fato é que foi no mesmo dia. Contrato para lá, filiação para cá.
Temos uma ação popular sem decisão, ainda. Passar de R$ 1 milhão para R$ 3 milhões, pelo mesmo serviço e trocar de partido no mesmo dia?! E ainda disse que não teve nenhuma denúncia? E tem mais 27, deputada Odete de Jesus! Tanto que aquela concorrência dirigida, fraudulenta, uma semana antes da abertura das cartas, deputado Reno Caramori, foi publicada no Diário Catarinense a oração a São José, antecipando já o seu resultado.
Alguém com muita fé publicou a oração dizendo quem ficaria em primeiro, em segundo e em terceiro lugares. E deu certinho. Uma terrível coincidência ou então alguém de muita fé.
Mas se não bastassem as 28 ações populares que nós patrocinamos, o governador fez de conta que não ouviu o que disse o seu correligionário e companheiro de partido, um peemedebista histórico, Dejandir Dalpasquale, que no governo do PMDB tem gente que entrou pobre e que ficou milionária. Isso não é denúncia? Isso não tem consistência? E não foi nenhum linguarudo da Oposição que disse isso, foi o histórico Dejandir Dalpasquale, ex-deputado, ex-presidente estadual do PMDB e ex-ministro de estado da Agricultura, que denunciou o seu governo, numa verdadeira guerra de bugios, deputado Kennedy Nunes, porque depois alguém do governo já disse que estava levantando um dossiê contra o Dejandir Dalpasquale, com medo de ter o seu nome incluído na lista dos que enriqueceram.
O governador, quando perguntado sobre isso, disse que não era assunto dele, e sim do Eduardo Pinho Moreira, aquele coitado que ganha R$ 22 mil de pensão de ex-governador e mais R$ 26 mil na Presidência da Celesc. Aquele coitadinho que tem um salariozinho de R$ 48 mil por mês, aquele pobre assalariado, Eduardo Pinho Moreira, que também não diz nada sobre isso.
Dejandir Dalpasquale denunciou, disse que tem gente que entrou pobre e que está milionário, que tem sanguessugas e mensaleiros no governo do Luiz Henrique da Silveira, e ninguém diz nada, deputado Reno Caramori. O governador já disse: "não é comigo, isso é problema do partido." O ex-governador, Eduardo Pinho Moreira, aquele pobrezinho, está na Califórnia de férias novamente, assumiu o cargo há um mês e já está de férias novamente! Demorou um mês e poucos dias para assumir porque estava de férias, agora está na Califórnia. Tem que ir para a Califórnia mesmo, com um salário de R$ 50 mil por mês até eu iria tirar quatro ou cinco férias por ano na Califórnia.
Srs. deputados, enquanto o presidente da Celesc está na Califórnia a serra do Rio do Rastro está apagada, onde passei no final de semana novamente, toda no escuro. Hoje li que o acesso ao Beto Carreiro está no escuro também, deputado Jandir Bellini, e não sei como está a serra Dona Francisca. Mas o fato é que ninguém responde!
Srs. deputados, aí têm dois ou três que vêm aqui e fazem aquela gritaria, dizem que sabem manipular o povo, partem para a agressão da Oposição e não respondem nada. E nesses 100 dias o que aconteceu? Só falaram na reforma. Bom, agora a reforma foi aprovada e qual será a nova desculpa? Falta consenso para nomear os regionais. Tem Regional que estão decidindo na bolinha de gude e outras serão na peteca. Fazem círculos com nome dos partidos, jogam a peteca para cima para ver em qual círculo cai e aí o partido nomeia o secretário. Outras vão ser decididas no soco, outras na gincana, mas tudo com o olho na eleição de 2008.
Uma estrutura eleitoreira; o estado abandonado; a OAB cobrando R$ 52 milhões de dívida da Defensoria Dativa; R$ 250 milhões de precatórios judiciais vencidos; as escolas abandonadas como estamos vendo a cada dia e em toda Santa Catarina, não só em uma cidade, por toda Santa Catarina, sorte que as de Joinville o governador foi resolver hoje, deputado Darci de Matos. Que bom! Foi a Joinville resolver e não foi com o secretário regional, foi com todo o staff do governo, enquanto isso aqui na Palhoça, como vimos há pouco, escolas caindo, em Imbituba, em Tubarão, em Blumenau, por toda Santa Catarina. As obras paralisadas em todo o estado, obras que foram iniciadas eleitoralmente, politiqueiramente, estão sendo abandonadas.
Srs. deputados, nenhuma resposta concreta, contundente e verdadeira nos é trazida, deputado Silvio Dreveck. É só essa tentativa de desqualificar! E veja que eles estão entrando, deputado Pedro Baldissera, no quinto ano de governo. Não é um governo que começou ontem, é um governo que tem quatro anos e 100 dias. É a primeira vez na história de Santa Catarina que acontece uma reeleição e não fizeram absolutamente nada, aliás, eu tenho certeza, devem ter feito economia nesse período, porque o dinheiro continua entrando, deputada Odete de Jesus. O contribuinte continua arrecadando e olha que a arrecadação nesses quatro anos mais que dobrou. O dinheiro continua entrando.
Essa é a prova contundente, deputada Ana Paula Lima, de que promoveram um rombo muito maior do que nós sabemos. E nesses 100 dias economizaram para tapar parte do rombo. Só pode ser isso ou o dinheiro está embaixo do colchão do secretário, porque quem tem dinheiro paga as contas e o estado não está pagando as contas, está parando as obras. Ou está cobrindo o rombo ou a coisa está bem pior do que a humilde Oposição sabe.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)