33ª Sessão Extraordinária - 03/10/2007
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente e srs. deputados, não poderia deixar de vir aqui, hoje, para falar também um pouco desse assunto tão comentado nesta Casa, principalmente do nosso papel, já que a bancada do Partido dos Trabalhadores tem o presidente da República que está num governo de coalizão de vários partidos. Inclusive o PMDB do deputado Manoel Mota está no ministério dos Transportes.
Tenho já dito que a política do presidente Lula, o debate, principalmente, do segundo turno, foi o eixo central, deputado Reno Caramori, para não privatizar as políticas estratégicas do nosso país. Já sofremos demais pela entrega do patrimônio público, pela entrega do patrimônio das BRs, como é o caso do Rio Grande do Sul, Paraná e outros estados. E a sociedade, especialmente a de baixa renda, vem sofrendo muito quando quer passear de carro num final de semana e visitar os seus parentes. O custo do pedágio chega a ser maior do que o gasto com o combustível.
Então, eu, pessoalmente, sempre fui contra o processo de privatização. Lutei a minha vida toda contra isso porque a privatização, o desmonte da política pública do estado, prejudica mais as pessoas de baixa renda, deputado Sargento Amauri Soares, os trabalhadores que não têm condições de pagar um plano de saúde, um plano de Previdência, e precisam da presença do estado.
Por isso é fundamental não privatizarmos as nossas BRs. E temos que reconhecer que Santa Catarina tinha uma luta importante, histórica, de vários governos que passaram e pela ação do nosso partido na luta contra a privatização das BRs.
Infelizmente, como o deputado Onofre Santo Agostini levantou aqui, temos visto uma concentração de capital extraordinário pelas empresas que não investem o necessário nessas BRs.
Assim, não poderíamos deixar de nos posicionar, de estar nessa luta, de participar do ato de hoje. Eu, pessoalmente, como dirigente sindical, já tive que fazer isso muitas vezes. Talvez em muitos casos não houvesse outra saída para chamar a atenção da necessidade de haver políticas agrícolas, crédito para os agricultores, de o estado funcionar, de fazer mobilizações na frente de empresas públicas, bancos públicos e assim por diante. Então, através dessas mobilização, conseguimos dialogar com a sociedade. Eu vi que enquanto o pessoal entregava o panfleto, de fato os motoristas entendiam a importância dessa luta que estava acontecendo naquele momento.
Mas quero aproveitar o restante do meu tempo para dizer que amanhã teremos, em Brasília, a abertura da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, um evento importantíssimo que vem acontecendo no Brasil nesses últimos anos, coordenado principalmente pelo ministério do Desenvolvimento Agrário, que mostra um conjunto de experiências que a agricultura familiar e os assentamentos estão construindo, trazendo grandes experiências que poderão transformar-se em experiências alternativas de renda, de desenvolvimento nos nossos municípios no meio rural brasileiro.
Temos 41 expositores de Santa Catarina, dentre eles grupos de agricultores, pequenas agroindústrias familiares, enfim, um conjunto de experiências nas mais diversas áreas da economia ligada ao meio rural que vai estar nessa feira. Por exemplo, só em Santa Catarina deve haver em torno de 130 produtos diferenciados apresentados nessa feira. São centenas de experiências do Brasil todo que vão estar lá, sendo que acontecerão também debates sobre diversos temas durante o evento, o que será, com certeza, importante.
Santa Catarina, principalmente o oeste catarinense, está-se preparando também para participar da II Expoflor, nos dias 16, 17 e 18 de novembro, em Formosa do Sul, onde vamos ter a primeira amostra de tecnologias adaptadas à cadeia produtiva do leite em Santa Catarina. Portanto, tecnologias voltadas às pequenas propriedades para os agricultores familiares, tanto na área produtiva de armazenamento de leite, como também na área de agregação de valor na produção leiteira de Santa Catarina, industrialização do leite, uma das grandes alternativas de renda para as pequenas propriedades. E principalmente o oeste catarinense precisa de exposições como essas para mostrar a condição e a capacidade da nossa agricultura familiar em desenvolver os nossos municípios, as pequenas propriedades.
Deputado Sargento Amauri Soares, precisamos primar por essa expectativa. O que nos assusta é que já há grandes multinacionais, sr. presidente, entrando aqui e criando dentro da cadeia produtiva a chamada integração de ponta, a verticalização da produção, fazendo com que as empresas dominem tudo na cadeia produtiva, como ocorre no caso da suinocultura e da avicultura em muitas propriedades.
Então, isso nos deixa muito preocupados porque o agricultor familiar perde a sua história, o seu meio de vida, a sua relação com a propriedade, o seu gerenciamento, e outros de fora, como grandes grupos de multinacionais, acabam dominando o agricultor, como estão dominando já em outras cadeias produtivas. Infelizmente, cada vez o agricultor se torna um escravo maior do trabalho, não tendo mais final de semana, não tendo mais condição de visitar o vizinho, de sentar com a família, de ir assistir a um joguinho de futebol, porque ele vira um escravo da sua propriedade. Portanto, não podemos deixar que isso aconteça.
Essa feira do leite é um dos eventos que Santa Catarina vem construindo e que mostra que é possível construirmos uma agricultura familiar diferente em nosso estado e nas pequenas propriedades rurais.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)