10ª Sessão Ordinária - 26/02/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas e quem nos acompanha na tarde de hoje pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital e aqui presentes, eu quero esclarecer e reiterar de forma mais clara o que já falei ontem. Que não serei candidato a deputado na eleição de 2014 por questões políticas e pessoais. Falei também que na Aprasc após o meu declínio está sendo discutido nas bases o nome de um substituto. A Aprasc na sua diretoria sugere o nome do soldado Elisandro Lotin de Souza. Esse é um debate que está sendo feito.
Estamos pleiteando junto ao Partido Socialismo Liberdade, o PSOL, a candidatura ao governo do estado de Santa Catarina. O PSOL também tem outro pré-candidato, o ex-deputado, o ex-vice-prefeito da capital e atualmente vereador, nesta cidade, o companheiro Afrânio Bopré. O PSOL também tem o convite para uma candidatura ao Senado. Eu estou repetindo isso para fazer uma pequena reflexão, porque me espanta, deputada Luciane Carminatti, o fato de as pessoas se espantarem com alguém dizendo que não quer ser candidato à reeleição.
Acho que isso não é uma profissão e sim um exercício de um mandato temporário, no caso, de quatro anos, para que haja a representação de alguns setores ou dos diversos setores da sociedade. Vejo perfeitamente e natural que haja a renovação de quadros, a substituição de lideranças. Ninguém na luta popular pode ser considerado e muito menos se considerar insubstituível.
A luta do povo continuará nos próximos anos e nas próximas décadas. A nossa categoria assim como as outras, como o conjunto da classe trabalhadora ou das classes trabalhadoras, das bases da sociedade, precisará sempre fortalecer a sua participação nas instâncias de decisão da sociedade. Sem ilusões de que pela via do Parlamento e da instituição do estado atual seja ela qual for se vá efetivamente fazer as transformações necessárias para o futuro da sociedade catarinense, brasileira e inclusive mundial. Sem nenhuma ilusão, mas a importância do mandato parlamentar como mais uma ferramenta, e tão somente isso, um instrumento a serviço das lutas populares e das bases da sociedade.
É justamente por isso e razões políticas pelas quais me coloco à disposição para ser candidato a governador inclusive, se assim for o entendimento das bases, para contribuir. E que possamos reorganizar uma efetiva alternativa de esquerda à sociedade catarinense do nosso ponto de vista. Está faltando tanto em nível nacional quanto em regional, estadual e municipal o velho debate nos processos eleitorais e a necessidade das mudanças estruturais que a nossa sociedade precisa.
Mas como militante a serviço dessa luta, se os companheiros assim entenderem, estarei feliz, se for apenas mais um militante desse processo, sem a necessidade de concorrer a qualquer cargo eletivo. E estarei por certo convicto disso, por todos os outros dias da minha vida comprometido com esse objetivo, trabalho e tarefa grandiosa de defender sempre a possibilidade da humanidade se emancipar do jugo dos monopólios, do imperialismo, do latifúndio, do capitalismo no seu conjunto e apresentar uma alternativa global de sociedade que possa garantir vida longa à civilização e à humanidade, porque entendemos também que o capitalismo é o coveiro da possibilidade de felicidade e de continuidade da própria espécie humana na face da Terra.
E daqui para o ano que vem vamos debater, teremos a oportunidade neste processo de retirada de despedida, de recomposição e readequamento na luta da classe trabalhadora, da qual a minha categoria, os praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, faz parte.
E com essa compreensão de fazermos parte integrante da classe trabalhadora brasileira, da imensa classe, queria também falar e já sinto que tenho demorado a abordar a situação da Venezuela, onde tem ocorrido fatos lamentáveis nas últimas semanas.
É preciso esclarecer ou então tirar a nuvem da coisarada e bobajada que dizem especialmente nos meios de comunicação, e o termo anterior é incorreto, na verdade o discurso comprometido da maior parte dos grandes meios de comunicação com a direita golpista na Venezuela, uma direita reacionária, violenta, que já deu golpe, porque em 2002 executaram o golpe e perderam 48 horas depois.
Faz 15 anos que a direita venezuelana perde uma eleição por ano. E, agora, está muito irritada porque não aguenta mais perder eleição e tem partido para a ignorância. São francos atiradores que nas manifestações populares da oposição e dos governistas atiram para os dois lados, simplesmente para fazer aumentar o ódio entre as partes e criar esse clima, essa sensação de pânico. São lamentáveis as 14, 16 mortes na Venezuela, neste ano, nas últimas semanas.
É preciso dizer, e qualquer inteligência mediana deste país pode compreender, que aquela direita não tem moral, é golpista, não tem apoio popular, perde sucessivas eleições para o povo da Venezuela, pois se o governo desse país não fosse apoiado pelas massas populares já teria sido golpeado no máximo em 2002, ou teria perdido as sucessivas eleições, pois, como falei, praticamente todo ano tem eleição na Venezuela, e a direita sempre perde. Aliás, desde 98, porque antes a direita sempre ganhava.
Então, é preciso dizer isso e entender o conceito de liberdade na boca dos poderosos desta sociedade. E aprendi isso com o norte-americano Noam Chomsky que disse para ficarmos todos muito atentos, porque quando a Casa Branca, a Wall Street e o Pentágano falam em liberdade, estão falando em liberdade de comércio, pois dos monopólios dos Estados Unidos nos explorarem em qualquer parte do mundo.
Os que defendem a liberdade para a Venezuela estão defendendo que o governo abra todas as portas para que a Venezuela continue sendo apenas um espaço de realização da mais valia explorada do povo venezuelano, por parte dos monopólios internacionais, a maioria dos quais sediados nos próprios Estados Unidos.
A liberdade que eles falam é a liberdade deles nos explorarem. E é preciso que nós, brasileiros, a população trabalhadora brasileira, não nos confundamos com esses termos. Fico bastante admirado, irritado, indignado com certos filósofos da democracia no Brasil, que defendem e continuam defendendo o golpismo na Venezuela e em outros países da América Latina, de uma direita rancorosa, antipovo, que já governou por muito tempo na Venezuela e por aí afora, que só excluiu, só massacrou, só explorou a própria sociedade.
É preciso que falem pelo menos um pouco da verdade a respeito do que acontece na Venezuela. Não é possível que pessoas inteligentes não possam perceber. E quem tiver dúvida pode ir visitar e ver o processo da Venezuela é um processo profundamente democrático, de profunda participação popular, como há décadas, talvez séculos, não ocorre neste país e não ocorre em nosso continente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)