55ª Sessão Ordinária - 28/05/2014
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, quero me irmanar ao deputado Darci de Matos e dizer que ele pode contar também com este deputado, e como dizem as pessoas, principalmente do meio do futebol: estamos juntos. Vamos dar o nosso melhor, vamos lutar por isso.
Sr. presidente, eu estava vendo uma notícia ontem e passando, inclusive, essa notícia dentro do meu programa de televisão.
Um menino de cinco anos entregou uma porção de maconha de presente para uma professora numa escola municipal em Campo Grande. Segundo a informação, o Conselho Tutelar foi acionado pela direção da escola e o caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
O Conselho Tutelar disse que a criança chegou à escola com a droga e quis fazer um agrado à professora dando-lhe de presente, alegando que uma tia usava todos os dias e gostava. Como a tia usava todos os dias e gostava, ele entendeu também que a professora poderia gostar. Assim, levou a droga para a professora.
A direção da escola confirmou que se tratava de maconha. O Conselho foi acionado e a criança foi levada para um abrigo onde foi ouvida por psicólogos e assistentes sociais. Equipes do Conselho Tutelar e de policiais foram até a residência da criança, e de acordo com a informação, a situação no local era degradante, de total abandono, havia tudo naquela casa.
Estava lá ainda um menino de dois anos, uma adolescente de 14 anos, irmãos do menino, e outro adolescente de 17 anos com um bebê no colo. Todos sem documentos foram encaminhados ao abrigo. O pai está preso por tráfico de drogas e a maconha que estava com o menino tinha sido apreendida.
Simplificando tudo isso, o meio em que esta criança estava vivendo é literalmente de drogas. O pai, preso por tráfico, na casa todos consumiam droga, a tia gostava e o menino achou que podia agradar a professora levando um pouquinho daquilo que a tia gostava tanto.
Isso mostra, deputado Ismael dos Santos, a que ponto estamos chegando neste país em relação às drogas. Na segunda-feira recebi a informação de que foi derrubada uma casa em Joinville. Quando se fala assim é que a casa, onde eram vendidas as drogas, caiu. Ontem, demos outra informação de outra casa que caiu, também por conta de drogas, e hoje a polícia derrubou outra casa, também por conta de drogas. Isso tudo, nesta semana, são três dias da semana que a polícia, através de investigação ou a detenção de consumidor, encontra cocaína ou crack. E em todas as casas havia centenas de pedras já prontas para o consumo. E esse pessoal com várias passagens pela polícia. Por isso que dizia um comandante de Joinville, que prender em Joinville ou em outro lugar deste país é enxugar gelo, porque a pessoa entra por uma porta, fica lá por algum tempo e logo em seguida está de volta às ruas. Então, a maioria das pessoas presas são distribuidores de drogas, não são os traficantes, pois eles não aparecem. O traficante dificilmente a polícia prende. Eu digo que não é traficante, porque quando se derruba um local desse de drogas é sempre uma casa miserável, de gente que não tem bens, gente que tem muitas vezes um carro velho na garagem, quando tem. E o traficante ganha muito dinheiro e nem aparece. Ele tem os distribuidores que são presos de forma muito comum e depois soltos.
Essa é a situação de hoje, deputado Ismael dos Santos. Nós deveríamos ter incluído no currículo escolar matéria específica, pois hoje é mais importante ter uma aula sobre drogas todos os dias. Isso é mais importante do que geografia, do que história, mais importante do que qualquer outra matéria, porque o nosso maior problema hoje são as drogas, que estão consumindo toda a nossa geração, que está acabando com o futuro de toda nação. Por que não temos nas escolas uma matéria especifica ou alguma coisa que trate de maneira específica e diária sobre isso? Porque antes tínhamos drogas rondando nossas escolas e hoje elas estão dentro das nossas escolas. Aí vão dizer que não se pode fazer isso, porque não existe um preparo para isso. Que se prepare, então, professores ou pessoas específicas para dar esse tipo de orientação.
Há o Proerd da Polícia Militar, que faz milagres. A Polícia Militar, através do Proerd, faz um trabalho magnífico, mas não é um trabalho diário na sala de aula que mostra para os adolescentes as nefastas consequências do uso das drogas. Precisamos é que haja diariamente na sala de aula alguém falando sobre o assunto, mostrando fotos de pessoas famosas, bonitas, que tinham dinheiro e de como ficaram depois que entraram para as drogas, tentando colocar o máximo da realidade para as crianças. Depois que estão viciados, para conseguir reabilitá-los, o governo gasta um horror de dinheiro. Consegue-se salvar de cada 100 pessoas, duas ou três, do mundo do crack, das drogas menos pesadas talvez até mais.
Então, porque não se gastar o dinheiro do governo para evitar que as crianças comecem a usar as drogas. Essa é uma questão que nos preocupa, pois tenho neto com 13, 15 anos. E as drogas estão aí, sendo servidas como se fosse sobremesa.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)