12ª Sessão Ordinária - 06/03/2013
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, público que nos acompanha aqui presente nesta tarde de quarta-feira e também pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, queremos, inicialmente, nos solidarizar e somar esforços, dentro dos nossos limites, aos trabalhadores da Celesc, no seu pronunciamento nesta tribuna, na sua campanha, no seu ato estadual de hoje contra o processo de enfraquecimento da empresa, que tem sido patrocinado justamente pela sua direção no concurso público que foi realizado com o objetivo de não contratar ninguém ou quase ninguém.
A direção da empresa fez o concurso público conforme era a reivindicação dos trabalhadores. Inclusive, diante da pressão dos trabalhadores foi feito o concurso público. No entanto, a prova para os cargos mais necessários, para as funções mais necessárias, foi de uma dificuldade tal que passou apenas cerca de 10% daquelas poucas vagas que estavam abertas. E está se entendendo isso corretamente por parte dos trabalhadores como uma forma de golpe, no sentido de continuar as terceirizações, levando a empresa a perder sua característica de empresa pública, de ter um quadro funcional comprometido com a qualidade da empresa e do serviço. E na nossa forma de ver terceirização é igual à privatização.
Parabéns aos trabalhadores celesquianos, parabéns ao povo de Santa Catarina, que tem visto a nossa solidariedade a este movimento de vocês.
O meu pronunciamento de hoje, srs. deputados e quem nos acompanha, não poderia ser outro. Ontem, a America Latina, o povo pobre da América Latina, perdeu o seu comandante, o bolivariano Hugo Chávez Frias. Aqui no Brasil faz um par de anos, ou uns pares de anos, que a classe econômica e politicamente dominante, assim como a grande imprensa, que também é classe economicamente dominante, tem sido incisiva no objetivo mordais de satanizar Hugo Chávez. Assim como fazem há décadas contra Fidel Castro.
Por isso, a grande massa do povo, pulverizada na frente da telinha, tem uma ideia torta sobre quem foi e quem é Hugo Chávez, mas existe, felizmente, um grande número de militantes que conhece e reconhece a importância de Hugo Chávez para o povo da Venezuela e para o povo de toda a América Latina.
Faz 15 anos, desde 1998, portanto, que Hugo Chávez foi eleito pela primeira vez - pela primeira vez, eu disse, eleito. Fala-se em falta de democracia na Venezuela sob o comando político de Hugo Chávez, mas em nenhum país do mundo houve tantas eleições quanto na Venezuela, nos últimos 15 anos - eleições, referendos, plebiscitos. Sempre o povo foi chamado a tomar as decisões mais importantes para o país.
Hugo Chávez ganhou quase todos esses processos. Perdeu, infelizmente, o mais importante, o referendo para aprovar uma nova Constituição que transformaria efetivamente de forma profunda as estruturas econômicas e políticas da Venezuela. Apesar da importância disso, Chávez e o processo bolivariano perderam aquele referendo, porque os velhos políticos ainda incrustados na estrutura política da Venezuela, inclusive, no próprio partido do presidente, não aceitaram entregar o poder para o povo.
Entregar efetivamente o poder para o povo, para que os conselhos populares fosse um poder decisivo da sociedade venezuelana. Por isso, Chávez perdeu aquele referendo. Apenas aquele! E repito, em nenhuma sociedade do mundo houve mais eleição do que na Venezuela, nos últimos 15 anos. A assessoria está passando algumas imagens que mostram alguns momentos importantes, inclusive, os últimos momentos, a tristeza, a comoção do povo da Venezuela, que sabe da importância dramática da perda que tiveram ou que tivemos no dia de ontem.
Fala-se de Hugo Chávez, que era ditador, mas em poucas sociedades do mundo houve tantos debates políticos na Venezuela dos últimos 15 anos. Em nenhuma sociedade latino-americana o debate foi mais intenso e feito por uma quantidade tão grande de pessoas. A própria oposição venezuelana radical, ofensiva, golpista, e não é só uma força de expressão, deram um golpe em 1992 e tiveram que correr, porque o povo teve que correr para Hugo Chávez, ou devolver Hugo Chávez ao poder, em abril de 2002.
Uma pergunta cabe: a democracia é o que existe por aqui, onde a própria Oposição é cada vez menor e mais silenciosa? Ou é o debate intenso e rico Venezuela? Por aqui, quando falo, refiro-me ao país imenso chamado Brasil, quase partido único.
Dizem que Hugo Chávez fez populismo, ganhou os pobres para o lado dele com o dinheiro do petróleo, mas não se perguntam que o petróleo já existia muito antes de Hugo Chávez e que os governos anteriores de direita exploravam esse petróleo que servia para enriquecer alguns magnatas e servia também para a luxúria de uma casta de burocratas ou de tecnocratas que orbitava em torno da Pedeveza - empresa de petróleo da Venezuela.
Chávez reabriu as porteiras da América Latina para o levante dos povos, fez-se presente no imaginário popular de vários países do continente que elegeram governos não alinhados com a política pró-imperialista, que alguns chamavam ou ainda chamam erroneamente de neoliberalismo. A partir de Chávez outros povos do mundo se levantaram.
Foi bom para a América Latina e foi bom para o mundo. Agora, fala-se que a Venezuela está em crise econômica. Os especialistas no Brasil em economia, os chamados bam-bam-bans da nossa imprensa em economia, dizem que a Venezuela está em crise. Qual país do mundo que não está em crise? A Venezuela está crescendo pouco, pois tem os países tidos como os mais avançados do capitalismo, que não só têm crise, como estão decrescendo, do ponto de vista econômico.
Fala-se que Chávez deu um golpe em 1992. Na verdade esse processo começou antes. Em 1989, o governo de direita, pró-imperialista, pró-Estados Unidos mandou o exército massacrar o povo em Caracas, capital. O exército de Hugo Chávez e esse episódio fizeram com que um grupo de jovens oficiais da Venezuela, a partir do massacre que o exército foi obrigado a fazer contra o povo em Caracas, jurou por Bolívar que nunca mais massacraria o povo. E a partir disso surgiu o levante de 92, a vitória de 98 e o processo posterior.
É preciso dizer ainda que o processo bolivariano na Venezuela está forte, que Nicolás Maduro ganhará a eleição e que a gente espera que o processo bolivariano caminhe para frente e aprofunde-se. Como praça, gostaria de dizer que se houvesse no Brasil um coronel ou um general do status de Hugo Chávez, para que pudéssemos efetivamente ter um comandante a que seguir...
Para concluir, não deu para refletir o suficiente, é preciso dizer que este parlamentar, na condição de militar e de praça da Polícia Militar de Santa Catarina, está de luto e sente que efetivamente perdemos o nosso verdadeiro comandante.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)