71ª Sessão Ordinária - 29/09/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados e senhores que nos honram com a presença, tenho dois assuntos para tratar nesta oportunidade. Porém, quero registrar, com satisfação, a presença do presidente do PSDB de Canelinha, o Edinho, que está em companhia do secretário de Obras daquele município.
Ato contínuo, sr. presidente, quero discorrer sobre o evento solene que aconteceu na noite de ontem, em que 40 pessoas ou entidades que prestam relevantes serviços na área social foram homenageadas.
Houve muitos discursos emocionados, como o do deputado Duduco, e eloqüentes, como o da deputada Ana Paula Lima. Mas quero destacar a entidade que por nós foi indicada:
(Passa a ler)
"O Hospital Infantil Seara do Bem
Figura jurídica de direito privado, filantrópica, com sede na cidade de Lages, Santa Catarina, é o único hospital especializado em pediatria do interior catarinense e faz parte do sistema estadual de referência hospitalar, atendendo a todos os municípios da região serrana e de outras regiões de Santa Catarina e também, eventualmente, recebe pacientes de outros estados".
Sr. presidente, o Hospital Infantil Seara do Bem é mantido pela Associação Beneficente Seara do Bem.
(Continua lendo)
Em 30 de junho de 1968 foi inaugurado. Este hospital foi idealizado graças aos esforços da sra. Auta de Castro Silva (dona Autinha), que dedicou grande parte de sua vida a essa obra.
É um hospital de porte médio. Destina-se ao atendimento clínico e cirúrgico para crianças com até 15 anos, possuindo uma UTI capacitada para 10 leitos, de um total de 113 leitos ativos.
Possui pronto atendimento de emergência funcionando 24 horas por dia.
As crianças internadas são acompanhadas pelas mães nas 24 horas em todas as dependências, incluindo o Centro Cirúrgico".
Compareceu, ontem, para receber a honraria em nome da diretoria do hospital, o Dr. Frederico Manoel Marques, diretor-presidente.
É um hospital que presta relevantes serviços; jamais deixou de atender a uma única criança que procurasse seus serviços. Desde a sua fundação até o final do ano passado já havia atendido 171.000 crianças. Na sua UTI foram atendidas mais 9.600 crianças. Hoje, está em plena campanha, sr. presidente faço questão de fazer esse registro, para adquirir um itensificador de imagem para cirurgias de ortopedia.
Portanto, fica aqui o registro da existência de uma entidade, a única do interior do estado, que presta atendimento às crianças. Na capital existe um hospital infantil e no interior aquele é o único.
Feito este registro, sr. presidente, quero, apesar da maciça presença em plenário, dizer que o governo do Partido dos Trabalhadores, numa ação inédita na história da república brasileira, canalizou para as mãos do setor financeiro, em oito meses, R$ 105.6 bilhões, sugando a economia brasileira; sugando o suor, o sangue da gente brasileira que produz neste país, numa verdadeira ação nunca vista de centralização da riqueza dos recursos dos Brasil. Cento e cinco bilhões de reais em oito meses, fruto da opção impatriótica dos juros altos praticados por esse governo. São os juros altos que sugam o dinheiro da economia, porque o governo é o maior tomador de dinheiro deste país e paga juros altíssimos.
Em função disso pagou os R$ 105 bilhões, que poderiam estar circulando na economia brasileira; recursos que faltam para a infra-estrutura deste país para a melhoria das nossas rodovias, do setor portuário, do aeroviário, da educação pública. Para melhorar, sr. presidente e srs. deputados, a infra-estrutura de um modo geral e para aquecer a economia, para construir habitações populares.
Esse dinheiro, por opção do governo dos trabalhadores, entre aspas, está sendo canalizado para o setor financeiro, que auferiu o maior lucro da história da existência dos bancos deste país, o maior lucro nesse espaço de tempo.
É uma opção equivocada, impatriótica, sr. presidente, o centralismo dos recursos na mão do governo federal e a destinação dos recursos, deputado Antônio Carlos Vieira, e v.exa. que é da área entende, para as mãos do setor financeiro, já que o governo é o maior tomador de dinheiro. Isso é uma coisa criminosa. É uma coisa que vai às raias da condenação pública, da execração pública. É inadmissível uma coisa dessas.
Depois vêm debochadamente, no relatório que fizeram para as leis de meio do orçamento do próximo exercício, destinar míseros e debochados R$ 8 milhões para a BR-282. Isso é um acinte, é uma agressão.
Por isso, sr. presidente, faço esse registro nessa oportunidade. Gostaria que estivessem aqui os bravos parlamentares do PT, para me apartear e dizer alguma coisa sobre esse crime que se perpetra contra a economia brasileira e sobre essa discriminação odiosa contra o estado de Santa Catarina, contra uma obra de vital importância para Santa Catarina, a BR-282, denominada corredor do Mercosul, ligação bioceânica (Oceano Atlântico-Oceano Pacífico), mas que está parada no trecho São José do Cerrito-Campos Novos. São 70 quilômetros: 56 de São José do Cerrito até Várzea e 14 de Várzea até Campos Novos. Depois, são mais 30 de São Miguel d’Oeste até a Argentina.
Recursos no valor de R$ 8 milhões? É muito deboche, é uma desfeita inaceitável que praticam contra o nosso estado de Santa Catarina. Infelizmente, ousaram optar pela centralização dos recursos na mão da União - 65% de tudo que é arrecadado neste país fica nas mãos da União. E aí a União, generosa, canaliza para o setor financeiro, para os bancos. É uma opção impatriótica canalizar para os bancos. Depois, é claro, faltam recursos para aplicar em infra-estrutura; depois, é claro, agridem os catarinenses com míseros R$ 8 milhões para uma obra de vital importância como a BR-282.
A propósito, não está acontecendo nem manutenção no trecho Florianópolis-Lages, Águas Mornas-Alfredo Wagner. E esse trecho pede socorro, eis que os remendos entregaram devido às constantes chuvas que aconteceram. Os buracos são uma constante. Não existe acostamento; é uma rodovia perigosa ceifando vidas semanalmente. Todo final de semana é uma tragédia, e vidas são ceifadas nesse trecho de lastimáveis condições de trafegabilidade.
O moço do DNIT é muito cordial, é muito esforçado. Eu acho que se dependesse dele, deputado Manoel Mota, as coisas até aconteceriam no estado. Mas a opção equivocada que fez o governo federal lamentavelmente deixa em situação constrangedora os seus apoiadores, os seus correligionários.
Nós temos que denunciar, sim. E a exemplo do que tem sido feito, vamos fazer umas tomadas, umas filmagens, para mostrar a situação de abandono da BR-282.
Eu, que iniciei, sr. presidente, falando em coisas boas, em um evento que aconteceu na noite de ontem, fui obrigado a fazer esse desabafo nesta oportunidade, eis que os jornais estampam que só em agosto e julho foram pagos pelo governo federal R$ 13,4 bilhões de juros ao setor financeiro. Só no mês de agosto o governo federal pagou de juros ao setor financeiro um volume que dava para resolver os problemas das rodovias brasileiras. Só no mês de agosto, sr. presidente!
Aonde vamos parar? É preciso uma explicação convincente. É preciso dizer o porquê dessa opção impatriótica, do centralismo do dinheiro nas mãos da União. E depois da canalização generosa para o setor financeiro, não ouvi um banqueiro falar mal do governo. Estão muito bem, obrigado.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)