23ª Sessão Ordinária - 14/04/2004
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, companheiros Deputados, assomo à tribuna na tarde de hoje para deixar registrado nos Anais desta Casa alguns comentários necessários.
Tenho procurado não usar muito essa tribuna, porque penso que nunca vivemos um momento de tanto falatório, de tanto discurso como o que estamos vivendo neste País.
De uma forma geral o povo não suporta mais o discurso, estamos cansando de tanta conversa. Nunca se conversou tanto e fez-se tão pouco em favor de uma nação, em favor de um povo, como está-se fazendo nesta época ou neste Governo.
Estamos aqui cumprindo a nossa função. Se somos Oposição, mesmo contrário à nossa vontade, a torcida é para que o Governo acerte, faça o melhor em favor do povo, porque assim estará fazendo o melhor em favor do meu futuro, em favor do futuro da minha família, do futuro do meu País.
Mas as manchetes, as notícias, cada dia pioram, cada dia que passa elas nos revoltam ainda mais. E olhando as últimas notícias nos jornais, todas elas nos entristecem muito.
O que mais nos entristece é quando um povo como o nosso, calcado mais na esperança, no sonho de ter no Governo do PT um Governo que crie um fato novo para a Nação brasileira, para o povo brasileiro, tem a infelicidade de ver que as notícias continuam de mal a pior para o Brasil, de mal a pior para o cidadão brasileiro.
Temos visto manifestações absurdas do MST, invadindo terras produtivas, mostrando isso para a Nação, criando um problema exatamente em uma das poucas coisas que dão certo neste País, que é a agricultura.
Temos acompanhado o dia-a-dia deste País. E temos que reafirmar e reconhecer que graças ao potencial da produção agrícola brasileira temos conseguido amenizar um pouco o sofrimento do povo brasileiro, especialmente. Conseguimos dar uma alavancada no crescimento deste País graças à força que vem da produção rural.
Vemos o pouco caso do Ministro Miguel Rosseto em relação às invasões do MST, em relação às vítimas do MST. Isso nos enoja, também, quando vimos, como ontem, mais uma vez, já tínhamos visto no cenário nacional, um pai de família tentar se jogar do hall do Senado para chamar a atenção sobre o desemprego neste País.
Ontem mais um pai de família, não conseguindo falar com o Presidente da República, para chamar a atenção do País e do Presidente sobre a situação que está vivendo o desempregado, ateou fogo no próprio corpo.
É uma coisa estarrecedora que nós estamos vivendo. O aumento do desemprego está abalando os sonhos e a esperança do povo brasileiro; nós vivemos um dos piores momentos da Nação. Nada é mais triste do que ver um Governo covarde, um Governo negociante, que comercializa os interesses da Nação em troco de favores com aqueles que já levaram este País para onde levaram até agora.
Não quero falar aqui do passado, mas quero falar de alguém que pregava a esperança, de alguém que nos dava esta esperança, de alguém que há poucos meses dizia o seguinte - e esta notícia é da Folha de S.Paulo - em um discurso, nos seus famosos discursos, que faz adequado para cada um de seu público: "Não tem Congresso Nacional, não tem Poder Judiciário, só mesmo Deus é que poderá fazer e ser capaz de impedir que façamos o País, o Brasil ocupar o lugar de destaque que ele nunca deveria ter deixado de ocupar".
Não há ninguém que possa atrapalhar o crescimento deste País, dizia o Presidente Lula.
Já na semana passada, dez meses depois, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse o seguinte: Que Deus possa ajudar o povo brasileiro, sobretudo aqueles que estão sofrendo, sobretudo aqueles que estão desempregados, aqueles que estão vivendo na verdadeira miséria.
Em 10 meses o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou a sua postura de bravata. Que sempre invocando Deus, ou posto de outra forma, nem é preciso fazer análises mais profundas nem recorrer aos discursos da Oposição para atestar como tão rapidamente o Governo Lula passa da sensação do todo poderoso à confissão de fracassado, dizia então o jornalista da Folha de S.Paulo, ao admitir que ele não pode ajudar o povo brasileiro e que devolve ao povo brasileiro às mãos de Deus.
Ora, Deus não tem nada a ver com isso. Deus não tem nada a ver com as promessas vãs, mentirosas, enganosas que fez o Lula. Deus não tem nada a ver com a vergonha, com a covardia, com a incompetência, com a falta de um plano de governo do PT. Deus não pode ser usado em vão, desta maneira, porque o povo brasileiro depositou esperança em um Governo que prometeu, durante 25 anos, resolver o problema do País, gerar empregos nesta Nação.
Hoje ele adota uma postura odiosa, rancorosa, para o povo brasileiro. Adota a postura de tirar o recurso do povo em favor dos banqueiros, porque são os únicos que estão, de fato, ganhando dinheiro nesta Nação. Em favor de banqueiros ele saca, drena o dinheiro do povo, e hoje as manchetes mostram que este é o País que paga o maior spread do planeta, em conseqüência, é um País que leva a população à verdadeira miséria que estamos vivendo hoje.
Então, hoje nós sofremos a angústia de uma falta de Governo, sofremos a angústia de ver um Governo de joelhos às instituições poderosas que sempre governaram esta Nação e influenciaram esta Nação. Vemos um Governo enfraquecido perante o sistema financeiro brasileiro. Vemos um Governo enfraquecido perante aquelas decisões necessárias, para nós criarmos uma alternativa nova, para gerarmos empregos neste País. Mas se quisermos gerar emprego neste País, nós temos que valorizar quem é o empreendedor. E quem empreende neste País é o empresário.
Nós não podemos atrofiar o setor produtivo com a carga tributária com que estamos atrofiando e impondo. Então, se quisermos gerar emprego, temos que diminuir a carga tributária. Não há como gerar emprego, se não diminuirmos os juros e pararmos de dar dinheiro para aquelas grandes empresas que a vida inteira se beneficiaram dos governantes e que continuam se beneficiando.
Nós precisamos de um Governo que de fato retome a condição de líder nacional, devolva a esperança do povo, pare de enganar a Nação brasileira, porque o povo brasileiro já está vivendo assustadoramente, apavorado pela perda do poder aquisitivo, pela perda do salário, pelo aumento da violência, pelo aumento da carga tributária.
Ora, existem petistas, hoje, invejando Hugo Chaves, querendo ir para a Argentina, porque lá, parece-me, o Governo está dando certo, o Governo da esquerda. E aqui, como diz o Palocci, mudar os instrumentos que estabilizam a economia, parece-me um erro bastante infantil. Aliás, dizia Lenin que o esquerdismo é uma doença infantil.
Isto aqui está sendo dito pelo comandante da economia deste País. O esquerdismo, diz aqui o comandante da economia, o homem forte do Governo, é uma coisa de doença infantil - e de ignorância, faltou ele dizer.
Mas há 25 anos eles diziam que a esquerda resolveria os problemas do Brasil. E na mesma página dos jornais está a foto da aeronave que Presidente Luiz Inácio Lula da Silva batiza Santos Dumont.
É um avião que na suíte vai ter uma cama de casal e banheiro com chuveiro, e será também decorado em tons bege - bom gosto tem o Lula -, também terá uma sala com mesa de canto e cadeiras forrada de couro.
Que o PT é um Partido que tem bom gosto, isso tem. E os assentos para a comitiva? Há duas versões: uma com 16 poltronas executivas, para viajem ao exterior, e outra com 30, para viagens nacionais.
Parabéns ao PT!
Que Partido de bom gosto é este!
A equipe de vôo, então, são três tripulantes com três pilotos, dois mecânicos e quatro comissários, sendo que duas comissárias são para atender o Presidente da República. Isso é cuspir na cara do eleitor! Isso é fazer pouco do eleitor!
Daí temos que concordar com Lula que só Deus poderá nos ajudar, porque este Governo do PT já mostrou para que veio: covarde, enganador e que se deu ao luxo e esqueceu do pobre! Aliás, nunca valeu tanto a frase: o PT vai acabar com a pobreza. Mas vai mais além. Se continuar assim, vai acabar com o Brasil também. Que vergonha para todos nós que acreditamos nos seus belos...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)