60ª Sessão Ordinária - 31/08/2004
O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - Sr. Presidente, Srs. Deputados, eu lembro muito bem quando comecei na Presidência da Casan, e o Governo naquela época recebeu orientação para demitir, e veio para este Deputado, na ocasião, para demitir 700 pessoas que não fizeram concurso na época em que o Governo era do seu Partido, Deputado Manoel Mota. Eles foram admitidos sem concurso público, irregularmente.
Este Deputado, quando Presidente, não demitiu um sequer. Assumi a responsabilidade total e plena de não admitir ninguém. Por outro lado, também não houve nenhuma perseguição política naquela época. Nós não distinguíamos ninguém.
Tínhamos as nossas encrencas, o Paladini sabe disso muito bem, com o Sindicato, que é uma coisa normal. Se sabe muito bem disso, porque fui Presidente das Centrais Elétricas de Santa Catarina.
Ora, nós pegamos a empresa numa situação delicada. Mas quem sabe administrar em conjunto, porque ninguém administra nada sozinho, quem sabe administrar em conjunto, avaliar em conjunto, traçar os objetivos em conjunto, chega a um determinado local.
Agora, o atual Governo, com respeito aos Deputados governistas, ele não quer administrar, ele quer simplesmente se desvencilhar de uma empresa que tem uma história muito grande em Santa Catarina e uma empresa responsável pela saúde do Estado de Santa Catarina.
Nós sabemos que existem empresas... E temos o Deputado Mauro Mariani, que foi Prefeito em Rio Negrinho, que administrou muito bem o Samae de lá. E também teve resultados surpreendentes.
Mas a grande maioria dos Municípios do Estado de Santa Catarina não tem como implantar um sistema próprio. E aí começou esse processo de municipalização, fazendo com que a Casan perdesse uma arrecadação violenta, e perdeu mesmo. E agora chega-se à conclusão, porque é uma questão de sobrevivência, de simplesmente demitir as pessoas.
Vamos refletir sobre as demissões. Eu tenho autoridade para falar nisso aí, assim como muitos dos senhores que viveram no período da ditadura, aliás, até o Sr. Presidente, Valmor de Lucca, num discurso aqui, saudando Ulysses Guimarães, que era um inimigo da ditadura...
Se olharmos o comportamento desse cidadão, ele não era um inimigo número um da ditadura. Ele era um excelente aluno, um aluno dos melhores, para implantar esse processo, de um ano e sete meses, dentro da Casan.
Eu estou quieto, acompanhando, falando com amigos meus e não usando da tribuna. Só estou tomando conhecimento, conversando, mas o que ele está fazendo é um desastre, e cito um exemplo.
O Deputado João Henrique Blasi indicou um cidadão que é peemedebista, sim, mas um grande profissional, para a Regional da Florianópolis. E ele recebeu a ordem de denunciar os nomes que tinham que ser demitidos, independentemente de quem fosse. Mas ele disse não, não vou demiti-los. E eles o tiraram do cargo. E assim foi.
Na Central também, os gerentes que não aceitaram, mas no interior foi pior, aceitaram. E o pior é que foi critério sem nenhuma razão. Em muitos Municípios o critério foi político, Simplesmente isso.
Então, demitir 500 pessoas, 500 famílias, deixando-as ao relento? Essas pessoas estão habituadas a trabalhar, foram instruídas, treinadas para trabalhar dentro de uma empresa de economia mista, que é a Casan. E vão sair dela depois de 25, 30 anos, com as suas vantagens, mas para onde?
Só gostaria de dizer que esta Casa tem que tomar uma atitude. E atitude não é com esse Presidente aí, não, da Casan. Tem que ser com o Sr. Governador, porque ele é o verdadeiro patrocinador dessa história. Porque se ele não concordasse com essa ação, esse Presidente que está lá já deveria ter saído há muito tempo. Então, a ação da Assembléia, através de uma comissão, deverá de sensibilizá-lo, eis que é uma empresa responsável que quer fazer o melhor para o Estado de Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)