Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Nelson Machado

29ª Sessão Ordinária - 30/04/2003

O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. Presidente e Srs. Deputados, faço uso da palavra para, simplesmente, trazer ao conhecimento desta Assembléia Legislativa e, muito acima desta Casa, dos catarinenses, a notícia que vem sendo veiculada durante esta semana no jornal Diário Catarinense, na coluna do Cacau Menezes, falando que eu teria funcionários fantasmas em meu gabinete.

Quero daqui transmitir meu recado ao Cacau Menezes, principalmente para dar satisfação ao povo catarinense, mais do que ao Cacau, já que ele não gosta de nos ouvir ao telefone, porque costuma desligar o aparelho quando o procuramos para nos defender. Ele tem oportunidade de, todos os dias, escrever o que bem quer na sua coluna no Diário Catarinense, e, em contrapartida, não temos a mesma oportunidade. Sempre vigora a palavra do jornalista, que está sendo pago para todos os dias estar aqui.

Mas, a nota, um tanto salgada, diz que este Deputado teria um conceituado cabeleireiro fantasma na Casa, o Helinho, inclusive uma pessoa folclórica de Florianópolis.

Por diversas vezes o Hélio já conversou com vários Deputados aqui no corredor. Por ele ser da assessoria de imprensa, não está fixado no gabinete, cumprindo quatro, seis ou oito horas. Todos sabem, acredito que até o menos esclarecido dos catarinenses, que muitos dos Deputados Federais, Estaduais e Senadores têm seus funcionários, muitas vezes, nas suas bases eleitorais, principalmente da assessoria de imprensa.

Fui questionado também, em tom de ironia, pelo próprio Cacau, quando usei o termo jornalista. Não sei por que, pois sei que ele não é formado em jornalismo assim como o nosso amigo Helinho. Eles estão na mesma situação!

Não estou aqui para questionar a formação deles e sim para dar satisfação à população sobre a nota que o próprio Cacau escreve, com muita ênfase, que o Helinho mora no Jurerê Internacional, um bairro nobre de Florianópolis. E quero dar garantia de que não é com o salário da Assembléia.

Faço questão de dizer publicamente, com autorização do próprio Hélio, que ele ganha nesta Casa R$495,00. E não seriam R$495,00 que iria dar direito ao Hélio de morar no Jurerê Internacional, onde mora o colunista Cacau. É lá que mora o colunista Cacau e muitos jornalistas desta cidade, e do próprio Diário! No Jurerê Internacional, todos têm conhecimento, não mora quem ganha R$500,00!

Não sei por que me causou surpresa o colunista levantar, com tanta ênfase, que ele mora no Jurerê Internacional, querendo conciliar que seria com o supersalário da Assembléia Legislativa. Não é o caso do Hélio e de nenhum funcionário meu.

Também fiquei triste quando ele falou em cassar o Deputado Nilson Machado e outros Deputados que se encontram nesta situação. Não sei por quê! Respeito muito o ex-Deputado Manoel de Menezes, pai do Cacau, que foi cassado. Minha mãe foi eleitora de Manoel de Menezes na década de 50 ou 60. Realmente, o pai do Cacau foi cassado, talvez até injustamente, da mesma maneira que o Cacau manda-me cassar. Mas, é assim mesmo, aqueles que lutam pelos oprimidos, pelos excluídos muitas vezes são cassados.

Então, não me causaria surpresa o pedido de cassação do Deputado Nilson Machado pelo Cacau, assim como pediram a cassação do saudoso e grande Manoel de Menezes.

Minha família, meus avós, minha mãe, que foi eleitora de Manoel de Menezes, ficaram muito constrangidos na época, quando viram o pai do Cacau ser cassado.

Quero ainda levar ao conhecimento da população de Santa Catarina que eu jamais teria um funcionário fantasma na Assembléia Legislativa. Jamais!

Ele fala também que foi um grupo de madames que indicou o Helinho. Um grupo de senhoras interveio a favor do Helinho pela sua competência, e até pelo trabalho que fez durante todo esse tempo em prol dos trabalhos sociais que realizo! Ele é um dos que muito lutam a favor dos menos favorecidos. Muitas vezes, o Hélio, em programas de televisão, fez campanhas a favor não só da minha creche, como de várias outras entidades sociais.

Todo mundo tem conhecimento, aqui em Florianópolis, das várias solenidades que o Hélio promoveu a favor de tantas instituições de caridade. Quantas rifas o Hélio fez? Quantos cafés coloniais ele participou com várias senhoras da sociedade, intervindo a favor do hospital infantil, da Creche do Duduco e de tantas entidades que precisam do auxílio da população?

Então, levo ao conhecimento da população que isso não existe e que tenho trabalhado muito para combater o funcionário fantasma. No meu gabinete, jamais! Mesmo porque instalei, recentemente, um cartão de ponto no meu gabinete para que isso não acontecesse. O Helinho comparece na Casa, não assiduamente, porque eu estaria mentindo. Ele é um daqueles funcionários que mantemos na base. Na assessoria de imprensa é comum!

Tem colunista que faz o seu trabalho de imprensa em casa e remete por e-mail; tem colunista que diz que está em casa, doente, parado ou em algum lugar de Santa Catarina, e remete o seu trabalho por e-mail! Não quer dizer que esteja dentro da redação! Isso é comum! Como um jornalista manda suas colunas por e-mail, não cumpre as suas oito horas, não bate o ponto?

Sei que em muitos jornais aqui na cidade, em muitos setores da imprensa o jornalista não bate ponto! Leva a matéria e vai embora, e nem por isso pedem a cabeça desse jornalista ou daquele colunista!

Se formos mandar cassar ou pedir a exoneração, a saída de jornalistas que levantam calúnias, não sei, penso que o próprio Cacau já teria sido retirado da empresa onde trabalha! Quantas vezes o Cacau veiculou notícias que não eram verdadeiras? Talvez tenha até recebido a denúncia através de um telefonema e veiculou sem antes perguntar para a pessoa se tinha veracidade, como foi o meu caso.

Ontem telefonei para o Cacau e disse que estava trabalhando em cima dessa situação, mas não podemos admitir que o Hélio seja um funcionário fantasma.

Os funcionários do gabinete, ficam a critério do Deputado. Não podemos levar isso à Presidência da Casa, que não tem culpa dessa situação! A Presidência cuida dos funcionários da Casa. No gabinete, a responsabilidade é de cada Deputado. Por isso, não gostaria que isso fosse levado à Presidência da Casa, mesmo porque ele é um funcionário lotado em meu gabinete. Fica imune, então, a Presidência desta Casa.

Para encerrar, gostaria de dizer ao colunista Cacau Menezes que com o mesmo metro que mede, será medido, porque aqui, nesta passagem terrestre da nossa vida, é assim mesmo: nós medimos, e quando menos pensamos estamos sendo medidos. E o Cacau, que já passou por essas medidas diversas vezes, ainda não aprendeu a lição.

Vamos admitir que tenho um funcionário fantasma que ganha R$495,00, e com esse valor paga a sua casa lá no bairro onde mora o Cacau - Jurerê Internacional, e eu, com o meu salário, que é superior, moro no Morro da Caixa.

Então, não sei por que essa perseguição com os Deputados, com a classe política. Outro dia vi um jornalista dizendo que foram eleitas poucas pessoas com estudos para a Assembléia Legislativa, como se aqui fosse lugar só para, talvez, juizes e advogados. Imaginem se a população elegesse somente juizes e advogados. Não seria mais o Poder Legislativo e sim um Judiciário. Não sei por que essa perseguição com a Assembléia Legislativa, que acredito seja a que trabalha de forma mais transparente do Brasil. Tenho certeza de que a gestão do Deputado Volnei Morastoni será sempre transparente.

Atualmente, sou do Partido de Oposição ao Deputado Volnei Morastoni, mas tenho gostado do trabalho que S.Exa. vem desenvolvendo aqui na Assembléia Legislativa, assim como o da Mesa. E orgulho-me muito, nos poucos dias que estou aqui na Assembléia, tanto da Situação como da Oposição.

Não sei por que alguns setores da imprensa vivem procurando notícias em cima de Parlamentares desta Assembléia, que têm feito um bonito trabalho a favor dos catarinenses. Por que temos de dar satisfações, exonerar pessoas só porque o jornalista quer? E para os jornalistas temos de ser formados na universidade, criticando o próprio Presidente da República, que é um humilde metalúrgico.

Já pensaram se não tivéssemos aqui a presença do Deputado João Rodrigues, que veio do interior do Estado? E não é nenhum juiz! Já pensaram se não tivéssemos aqui a presença do Deputado Pedro Baldissera, do interior do Estado, representando tanta gente excluída? E não é formado em Direito!

Esta é uma Casa democrática e o povo, democraticamente, elegeu-nos. Por isso não sei por que essa interferência, essa perseguição na Assembléia Legislativa.

Muitos jornalistas deviam continuar fazendo, o próprio Cacau, o que têm feito, e muito bem feito, colocando fotos de mulheres nuas nas suas colunas, para satisfazer, talvez, o seu ego e o de muitos homens dessa sociedade.

Penso que deveriam olhar melhor, porque muitas vezes colocam uma notícia sobre obras de caridade ou Fome Zero ao lado da foto de uma mulher nua. Isso nem bate! Deveriam procurar melhorar o seu texto, a sua redação.

Mas, em nome da moralidade, gostaria de dizer ao colunista Cacau Menezes que agradeço pela sua preocupação por esta Casa, e que também vou continuar me preocupando com o mesmo metro que ele poderá ser medido no futuro.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)