Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

67ª Sessão Ordinária - 19/08/2015

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Muito obrigado sr. presidente. Quero cumprimentar os srs. deputados e sras. deputadas, catarinenses que nos acompanham pelos nossos meios de comunicação, saudar o deputado João Amin e, de forma especial a bancada do PP que está se organizando para uma grande convenção nos próximos dias, especificamente no sábado, um evento democrático e político muito importante.

Gostaria aqui da tribuna, sr. presidente, cumprimentar aos médicos de Santa Catarina que hoje somos praticamente 15 mil médicos que estão no CRM atuantes, apesar de que o número de CRMs já alcança os 20 mil. E a grande maioria desses médicos de Santa Catarina foram alunos do professor Ernesto Francisco Damerau.

(Passa a ler.)

"Como parlamentar, cidadão e, principalmente como seu ex-aluno e sempre aluno, gostaria de registrar e de me associar às inúmeras manifestações de pesar pelo falecimento, nesta quarta-feira, dia 18, do amigo, professor, médico, o dr. Ernesto Francisco Damerau.

A prática da medicina humanizada em nosso estado teve no cirurgião dr. Ernesto Francisco Damerau sua maior expressão, constituindo-se num verdadeiro exemplo para várias gerações de médicos formados em solo catarinense. Durante toda sua trajetória profissional, seu acolhimento àqueles que lhe confiaram à vida e a saúde serve como modelo na importante relação de confiança entre o médico e o paciente.

Registrou o seu nome no Centro de Pequenas Cirurgias da Policlínica Municipal do Continente, em Florianópolis, cidade onde exerceu suas atividades. E, certamente, o nome dele será indicado não apenas em Florianópolis, mas em outras cidades de Santa Catarina e instituições de utilidade pública para lembrar justamente a figura que foi, que é e que será sempre o dr. Ernesto Damerau.

Por sua destacada atuação, foi merecedor, em vida, de inúmeras homenagens, como médico, cidadão e professor da Universidade Federal do Estado de Santa Catarina, bem como professor da residência em cirurgia. Entre as inúmeras premiações recebidas está a Medalha Emílio Blum, distinção da Acif - Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, dirigida a personalidades especiais da capital. Também, recebeu o título 'Bisturi de Cristal', maior que de ouro, da Academia Mundial de Medicina, de Salzburg, na Áustria, em sessão conjunta com o Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Em 23 de maio do ano passado, foi alçado à categoria de Membro Emérito da Academia de Medicina do estado de Santa Catarina.

Além de sua prática médica, o cirurgião dr. Ernesto Damerau não se furtou de atuar junto às entidades da sua categoria. Fez parte da diretoria da ACM (Associação Catarinense de Medicina) em três gestões, integrou a diretoria do Simesc (Sindicato dos Médicos) e foi conselheiro do Cremesc (Conselho Regional de Medicina) por mais de dez anos. Foi um dos fundadores da Unimed de Florianópolis e membro do Conselho da Reitoria da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Depoimentos de seus colegas e contemporâneos resumem que 'Ernesto Francisco Damerau exerceu a medicina e o ensino médico com extrema e peculiar diligência. Não sonegou ensinamentos aos jovens estudantes e aos residentes. Com os pacientes doou-se em competência e profundo respeito. Foi um médico amoroso e tratou a todos com humanismo, compaixão e ética'.

Nós reafirmamos tudo isso!

Que descanse em paz o nosso querido professor dr. Ernesto Damerau e muito obrigado pelo legado que deixou à medicina e toda sociedade catarinense."

Hoje, às 17h será a cerimônia de sepultamento aqui em Florianópolis no Cemitério Jardim da Paz, no Itacorubi.

Em segundo lugar sr. presidente eu queria fazer um destaque também com relação as notícias vinculadas nesta quarta-feira na imprensa catarinense.

(Continua lendo.)

"Preocupantes as notícias veiculadas nesta quarta-feira na imprensa catarinense dando conta de que os cortes de despesas do governo federal na área educacional estão atingindo em cheio o ensino superior de Santa Catarina, prejudicando alunos e professores e a economia como um todo.

Também os cursos da Universidade Aberta do Brasil mantidos pela Universidade Federal de Santa Catarina estão sendo afetados. Prejudicam mais de dois mil estudantes. Estão canceladas atividades dos polos de Blumenau, Canoinhas, Lages, Braço do Norte, Itapema e Pouso Redondo.

Com cursos paralisados devido à greve de servidores e professores, além dos cortes no orçamento de investimentos, a biblioteca e restaurante fechado, a Universidade Federal de Santa Catarina como um todo funciona parcialmente. E começa o segundo semestre com um problema cuja dimensão ainda não é bem compreendida. Por conta dos recentes cortes do ministério da Educação, o governo federal ainda não informou qual será o orçamento real das universidades. E na Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), no Oeste, e no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) sabemos que haverá cortes, porém não foi determinado qual será o corte em cada uma.

A Universidade Federal de Santa Catarina, que retomou as aulas na semana passada, estaria recebendo repasses do MEC de forma variável. Pelos cortes, problemas de pagamento de fornecedores e falta de materiais básicos, servidores decidiram aderir à paralisação nacional. Foram seguidos por professores e naturalmente os alunos.

A situação é complicada e confusa: desde junho servidores técnico-administrativos estão de braços cruzados, seguindo uma orientação de greve nacional contra os cortes na Educação. A falta de funcionários compromete tarefas indispensáveis como inserir no sistema as notas do período anterior e novas matrículas. Há estudantes que dependem do restaurante e da biblioteca, fechados sem previsão de retorno.

O valor aprovado para todas as universidades federais do país foi de R$ 9,5 bilhões. Mas, diante da crise econômica, o MEC anunciou corte de R$ 1,9 bilhões, sem divulgar, no entanto, quanto será cortado em cada instituição. O argumento do ministério é de que isso está sendo definido caso a caso.

Enquanto isso, os cortes do MEC e a paralisação dos servidores técnico-administrativos das universidades federais atingem também outras instituições do gênero no estado. O Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), até o momento, tem 12 dos 22 campos com aulas suspensas. Nos demais campos, as aulas estão ocorrendo, mas há servidores em greve. O IFSC perdeu R$ 7,7 milhões que estavam previstos.

Na Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), a biblioteca está fechada e a secretaria acadêmica e a assistência estudantil não funcionam por causa da greve dos servidores.

Os cortes foram de 10% nos R$ 48 milhões destinados ao custeio e de 47% nos R$ 72 milhões referentes a investimentos. Além disso, obras de expansão foram adiadas.

Diante desta triste e brutal realidade cabe relembrar mais uma vez: onde foi parar o discurso da presidente Dilma Rousseff durante a campanha sobre prioridade para educação, com o esforço do slogan 'Brasil: Pátria Educadora'? Lamentável, sob todos os aspectos. Mais uma vez, o futuro do país esta sendo comprometido."

Infelizmente, na prática, em mais um setor tão importante, a Presidência da República corta investimentos que prejudicam muito o Brasil inteiro, mas nós estamos reclamando pela nossa parte, que é Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)