Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jaime Mantelli

13ª Sessão Ordinária - 11/03/1999

O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Sr. Presidente, Sra. Deputada e Srs. Deputados, farei uso da tribuna neste espaço, porém, seguramente, não vou usar os trinta minutos, até porque o assunto é extremamente chato e a pessoa que deveria acompanhar o que eu vou dizer disse o que quis e se retirou, nunca querendo levar até o final presente a discussão.

Mas, somente desejo dizer o seguinte: ontem fiz uma referência à Deputada Ideli Salvatti desta tribuna, e mantenho hoje inalterada a mesma posição, o mesmo pensamento, voltando aqui até para complementar o que foi falado ontem.

Eu usei uma expressão, sobre a qual a Deputada hoje veio dar uma aula de história, no que está totalmente dispensada, porque quando fiz a referência "bruxa" foi exatamente no sentido histórico. Usei porque quando ela, ou qualquer pessoa, independentemente do sexo, quer fazer um julgamento do possível comportamento moral dos outros no futuro, querendo adivinhar, está fazendo, evidentemente, aquele papel.

Eu não tenho por que retirar, pois ela disse tacitamente ontem, desta tribuna, que a grande maioria dos exercícios de imaginação que ela havia feito no passado acabaram dando certo, e que ela se preocupava com o destino do Governador Esperidião Amin.

Então, ela veio aqui colocar exatamente a intenção daquilo que foi falado ontem. Ela procura, sim, não agir como um ser humano normal quando atribui a si o poder de fazer exercício de futurologia.

Dentro deste enfoque, ela veio hoje aqui e distorceu o assunto completamente, dando-se, por ser mulher, o direito de dizer o que quisesse e bem entendesse a respeito da moral dos outros.

Lamentavelmente, tenho a dizer que essa distorção que ela coloca é uma afronta à inteligência humana, porque não é possível, quando há um comportamento repreensível sob todos os aspectos, quando uma pessoa quer fazer julgamento de valor da moral dos outros, do que pode acontecer no futuro, e fala isso na imprensa, não pode, terminantemente, colocar-se como um bom exemplo ou como uma ótima representante do mundo femininº Não é verdade! A Deputada está equivocada; ela não é, quando se comporta desta forma, um bom exemplo de mulher. Com certeza não.

Eu teria na história presente contemporâneas que são excelentes exemplos de mulher. Aquelas, sim! Se forem usados adjetivos ou comparativos, como foram usados pela Deputada ontem, serão uma afronta ao mundo feminino, porque nunca se ouviu dizer que muitas mulheres estiveram envolvidas em fofocas, em intrigas, em sacanagens, na formação de brigas paroquiais. Nunca se ouviu dizer! Por isso, o nosso respeito à mulher.

Agora, ela se colocar como um exemplo vivo da mais alta moral do mundo feminino... Aí eu questiono, sim, porque, mulher que tem um comportamento de responsabilidade não fala mal da vida dos outros. Este é o ponto de partida. E coloco isso aqui do ponto de vista moral, do ponto de vista político, do ponto de vista religioso e do ponto de vista que a Deputada Ideli Salvatti quiser colocar.

E reafirmo, aqui, aquilo que disse na comemoração do Dia Internacional das Mulheres: que a mulher é, sim, a ligação do nosso mundo com Deus, porque é através dela que se perpetua a espécie humana. Eu disse alguma coisa nesse sentido e repito aqui. Agora, que tem mulher que é um mau exemplo de mulher, não resta a menor sombra dúvida! Não vamos nos iludir!

Inclusive é na semana que se comemora o Dia Internacional da Mulher que essas coisas precisam ser colocadas. Quem faz fofoca não é, definitivamente, um bom exemplo ou alguém que mereça todas as loas porque é mulher.

A mulher, como o homem, não tem o direito de julgar a moral dos outros, e principalmente em exercício de futurologia. Isso eu quero deixar muito claro. Reafirmo o que disse ontem, e se a Deputada Ideli Salvatti quiser continuar com esse assunto, ela que dê o tom, porque eu estou disposto a enfrentar.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)