29ª Sessão Ordinária - 02/05/2006
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. presidente e srs. deputados, gostaria de tocar num assunto que me chamou a atenção quando li os jornais de hoje, sobre o fechamento de algumas creches por Santa Catarina afora. Mas gostaria de me ater à creche do Saco dos Limões.
A creche do Saco dos Limões, com mais de 20 anos de existência fechou as portas no dia de hoje. Como é que pode deixarem uma creche fechar suas portas em plena capital? Isso é uma vergonha! Eu me sinto envergonhado de ter que tocar neste assunto na tribuna da Assembléia Legislativa: a creche do Saco dos Limões, em Florianópolis, na capital dos catarinenses, fechou suas portas. E nem o vereador Jaime Tonelo, que faz um trabalho muito bonito junto à creche, conseguiu mantê-la com suas portas abertas.
As dívidas tomaram conta da creche! E o vereador Jaime Tonelo tem batido neste assunto na tribuna da Câmara de Vereadores, pedindo socorro para a creche, e não teve uma autoridade competente que lhe desse atenção. Não ao vereador Jaime Tonelo, mas às crianças do Saco dos Limões.
Que vergonha! Dá vontade de chorar aqui na tribuna e de pedir pelo amor de Deus para essas autoridades pararem de fechar creches, asilos e instituições de caridade! É que v.exas. não vêem uma outra maneira de aliviar os gastos com a máquina! Mas não com crianças! Onde já se viu isso?! Que piedade, no dia de hoje as crianças do Saco dos Limões estão sem creche!
Olha, é triste, é deprimente, deputado Vieirão, saber que uma creche fechou suas portas. E aí atingiram a mãe, a criança, o pai, enfim, a família toda! E ninguém tem uma resposta para dar. Está estampado nos jornais de hoje da cidade!
Que tristeza, um deputado vir aqui e chamar essa gente de incompetente. Não é incompetência da diretoria da creche, não! Porque a diretoria já estava falando há muito tempo que a creche estava com a situação difícil, como estava a creche do Monte Verde. Enquanto não fecharam as portas da creche do bairro Monte Verde não sossegaram. E agora é a vez do Saco dos Limões. Vamos ver qual será a próxima creche que fechará suas portas! Vamos ver! Existe dinheiro para tantas outras coisas e não tem para manter uma creche com suas portas abertas.
Coitada daquela mãe assalariada, que precisa trabalhar no dia de hoje, moradora lá da Caeira do Saco dos Limões ou da Costeira, que usa a creche e ao chegar lá viu as portas da creche fechadas! Será que se precisa de tantos recursos assim para manter a creche do Saco dos Limões aberta? Fiquei entristecido quando abri o jornal Diário Catarinense de hoje e li que a creche do Saco dos Limões fechou suas portas. É muito triste, realmente, muito triste!
Gostaria de fazer um apelo a essas damas do município, para que dessem uma atenção a essas instituições. Têm senhoras que assumiram esse trabalho e, ao lado do marido, vivem fazendo pose na coluna social e se esquecem de olhar as entidades da sua cidade. Algumas nem sabem que na sua cidade existe uma entidade assistencial precisando de ajuda. Mas quando é para virem aqui para a capital, elas vêm acompanhadas dos maridos, com os vestidos mais chiques. Se duvidar falta pouco para pedirem emprestado um vestido para a esposa do Alckmin.
Isto é uma vergonha! E aí leio nos jornais a primeira-dama dizendo que vai fazer um chá para os idosos no Ribeirão da Ilha e que vai fazer não sei o que para as crianças! Será que não enxergam uma creche fechando?! De que maneira eles querem que os pais das crianças venham protestar?! Eu faço um apelo para que o Ministério Público dê uma olhadinha na situação da creche do Saco dos Limões para ver quem está errando ali. É impossível que mais de 200 crianças fiquem sem creche, sem comida e sem o professor dentro da sala de aula. Eu me sinto muito envergonhado em ter que vir à tribuna desta Casa para pedir socorro em favor de uma creche.
O Ministério Público que anda cobrando das creches o alvará de bombeiro e da vigilância sanitária deveria dar uma olhadinha nesta situação para saber se é culpa do município ou do estado, para autuar. A moda agora é andar nas creches, principalmente nas não-governamentais, cobrando os alvarás e se os encargos dos funcionários estão sendo pagos em dia. E agora quem vai lá? Quem vai é a imprensa para denunciar que a creche fechou as portas!
Eu vou ver qual o mecanismo que se pode usar aqui, através da Assembléia Legislativa, pois se trata de uma creche não-governamental que tem convênio com o município e com o estado, para ver se há condições de convidar a diretoria desta creche para comparecer aqui na comissão de Educação para sabermos o que está acontecendo. Pelo que li no jornal a falha é do estado, que não está repassando a subvenção para eles.
O Sr. Deputado Djalma Berger - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Pois não!
O Sr. Deputado Djalma Berger - Realmente este problema das creches já é crônico na cidade de Florianópolis. A falta de vagas nas creches é bastante significativa. E o prefeito se deparou com este problema, que já existia mesmo antes do seu mandato iniciar.
Eu só quero informar a v.exa. que a prefeitura de Florianópolis já tem em construção ou já concluídas, obras para mais 2 mil vagas para a cidade, em creches municipais mantidas pela prefeitura de Florianópolis. E aí a primeira-dama, Rose Berger, uma pessoa de finíssimo trato, educadíssima, que atende a todos, de maneira indistinta, principalmente àquelas pessoas de poder aquisitivo mais baixo, tem feito um trabalho realmente soberbo juntamente com a secretaria de Educação, com o professor Rodolfo Pinto da Luz, que é outra figura de um trato extraordinário, perante a sociedade florianopolitana.
Então, acho a intervenção de v.exa. oportuna, em determinados momentos, e acho que v.exa. tem que trazer e tornar públicos estes problemas, para que esta Casa se sensibilize e busque soluções.
Mas quando v.exa. quiser um contato direto com a secretaria de Desenvolvimento Social da cidade de Florianópolis, bem como com a secretaria de Educação, este parlamentar está à sua disposição, para que vejamos a veracidade dos fatos e aí, sim, possamos fazer um juízo de valor, de forma bem isenta e longe de qualquer paixão.
Agradeço e cumprimento v.exa. pelo pronunciamento.
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Deputado Djalma Berger, pelo que pude perceber o problema está nos convênios feitos com o estado, pois estão atrasados.
Mas gostaria que a dona Rose Berger, já que ela é tão sensível assim, visitasse a creche do Saco dos Limões, para que, quem sabe, com sua sensibilidade, pudesse ajudar aquela creche. Não sei se ela já conhece, mas se não conhece eu a convido para uma visita, para que possamos fazer alguma coisa em favor das crianças da creche do Saco dos Limões, para que elas possam voltar urgentemente, depois de sua reabertura.
Por último, sr. presidente, gostaria de dizer que esta é uma situação difícil. É triste dizer, mas tem horas que me enojo de ser político. É verdade! Eu estou vendo tanta lambança, tanta sujeira, tanto ataque de um deputado contra outro, na tribuna da Câmara Federal ou da Assembléia Legislativa, um falando contra o outro e no dia seguinte já estão ligando para os jornalistas para contar a nossa vida, para falar besteiras e falar abobrinhas. Eles não aceitam críticas e estão sempre atrás, como uns tubarões, para ver quem critica fulano, beltrano, e daí tratam de vasculhar as nossas vidas para expô-las em jornais ou com holofotes.
Eu estou vendo, em níveis federal e estadual, essa forma muito desonesta de se fazer política, como nessas candidaturas a presidente da República. O meio de campo para as eleições estaduais e para o governo federal está muito embolado. Chega a dar realmente ânsia de vômito, quando vemos tantas acusações. Vejo poucas propostas e muitas acusações!
Já começaram a acusar este tal de Alckmin - nem sei pronunciar o nome deste homem e a cada dia vê-se uma pessoa pronunciá-lo de maneira diferente. É como aquela história do dr. Jorge Bornhausen, que para uns é Bornhausen e para outros é "Bornausen".
Mas, seja como for, eu gostaria de dizer que, muitas vezes, deputado Lício Silveira, eu fico envergonhado. Talvez v.exas. possam ficar chateados comigo por eu usar este termo e ser político, mas é verdade os ataques pessoais que eles fazem uns contra os outros. Basta se fazer uma manifestação que, mesmo que ela tenha consistência, eles não aceitam e, imediatamente, vêm com contra-ataque e com golpes baixos. Isto que é o pior!
Por mais que venham me contra-atacar, não irei me ocultar de fazer uso da palavra na tribuna para dizer aquilo que penso e mostrar a minha posição, independente dos ataques que irei sofrer. Realmente, vou abrir o verbo na hora que precisar.
Agora, fico muito chateado quando algumas pessoas usam desta artimanha, usam deste mecanismo para calar a nossa voz. Isto é deprimente e fico até envergonhado quando vejo pessoas utilizando esse golpe baixo. Quando vimos à tribuna, se falamos do prefeito, está mal; se falamos do governador, está mal; se falamos do Lula, a mesma coisa. E aí nós nos sentimos em uma situação constrangedora porque no outro dia, ao abrirmos o jornal, vemos que está escrito na coluna de alguém que o Duduco isso, que o Duduco aquilo, que fez uso da tribuna para falar do prefeito Dário, do governador Luiz Henrique ou do Lula. No outro dia, eles colocam um batalhão de choque em cima de nós - porque eles têm gente em todos os lugares - para ver o que temos de falhas. "E agora pega, e agora pega!"
Mas, para mim, está tudo bem, eu vou continuar fazendo uso da tribuna para colocar, através de palavras, os meus pensamentos, e não vou me calar! Seja o que for, daqui para a frente...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)