58ª Sessão Ordinária - 25/08/2004
O SR. DEPUTADO CÉZAR CIM - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, li não sei onde, ouvi não sei de quem que o Brasil é a República dos banqueiros. Infelizmente é uma verdade, tamanha a facilidade que a legislação nacional, federal especificamente, propicia aos banqueiros para espoliar concomitantemente, o que é mais intrigante ainda, tanto o capital como o trabalho.
Esta eu não ouvi nem li, esta é minha: os banqueiros acendem uma vela para o Santo quando se abre uma conta e acendem uma para o diabo para que o correntista entre em desgraça. Porque eles ganham tanto com quem tem dinheiro, como com quem não tem dinheiro! Não se vê nenhuma legislação que imponha alguma responsabilidade aos banqueiros. Quanto mais cheques sem fundos na praça mais os banqueiros ganham, mais sacrificado é o capital e mais sacrificado é o trabalho.
Os lucros são cada vez mais volumosos: Itaú, R$ 1.800 milhão no último semestre; Bradesco, R$ 1.250 milhão no último semestre. Tudo bem, vivemos numa República capitalista onde o capital tem que ser remunerado, mas a pergunta, principalmente do produtor nacional, é por que não se tem as mesmas facilidades para a produção que se tem para os bancos?
Mas não quero falar sobre esses bancos, Sr. Presidente e Srs. Deputados, quero falar de um outro banco, quero falar do banco do meu coração, quero falar do banco dos catarinenses, quero falar do meu BDE onde tenho conta corrente desde a década de 70, o BDE idealizado pelo ex-Governador Nereu Ramos e colocado em prática pelo então Governador Celso Ramos, através do Decreto Lei nº 2.719, em 1961, com a primeira agência na nossa Praça XV de Novembro defronte à Igreja matriz de Florianópolis.
Quero falar do Besc das dificuldades, do Besc que foi durante tanto tempo influenciado pelos critérios do QI e do CP. QI não é Coeficiente Intelectual, é "Quem Indica" e CP é "Critério Político". E conseguiram fazer com que um banco tão bem estruturado acabasse chegando ao estado em que chegou o nosso querido Besc. Mas o catarinense superou as dificuldades. Nós não desanimamos! Se fosse um banco privado, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que tivesse passado pelas influências negativas pelas quais passou o Besc, teria fechado num prazo máximo de dois meses. E nós resistimos. O nosso Besc resistiu!
Superamos as dificuldades e, com uma diferença em relação aos outros bancos (e é isso que me revolto), revogamos a sangria desavergonhada, como diz o gaúcho, e a oficialização da ladroeira, como diria o meu irmão tijucano.
O nosso Besc está, hoje, com 473 pontos de atendimento, sendo 265 agências, 75 delas pioneiras e 217 postos de atendimento, 71 deles pioneiros.
Ah se os bancos privados tivessem esse caráter social! Ah se os bancos privados dedicassem ao catarinense esse respeito que dedica o nosso Besc!
Eu vi, Sr. Presidente e Srs. Deputados, na semana passada, estampada nos jornais a notícia segundo a qual o nosso Besc, no primeiro semestre deste ano, teve um lucro de R$15 milhões! É pouquinho, perto do bilhão de reais e de outras tantas moedas angariadas pelos bancos privados! Mas é a prova da superação, é a prova do trabalho, é a prova de que, se levarmos a coisa com seriedade, vamos continuar salvando o nosso Besc, que é o orgulho de todos os catarinenses.
Então, eu gostaria, Sr. Presidente, de registrar aqui a homenagem do PDT, pedindo vênia para fazê-lo em nome de todos os Deputados, à diretoria do Besc, que é comandada pelo Presidente Eurides Mescolotto. Gostaria, ainda, de registrar que essa homenagem é extensiva a todos os demais membros da diretoria do Besc.
Poeticamente falando, o Besc não vai ser privatizado para desespero dos urubus e das piranhas de plantão e para alegria dos catarinenses que têm o banco no seu coração!
Tenho dito, Sr. Presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)