37ª Sessão Ordinária - 25/05/2005
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Sr. Presidente, Srs. Deputados, gostaria de dizer que no momento em que esta Casa colocar-me, às claras, que eu deverei comparecer sem os tênis, com certeza vou respeitar. Mas enquanto não houver nada que diga o contrário, que ele não faz parte do traje de passeio, eu virei de tênis. Embora eu tenha um pouco de conhecimento, hoje, com as mudanças na moda, não se sabe mais o que é traje de passeio, se é terno acompanhado de tênis ou não...
O Sr. Deputado Francisco Küster - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Pois não!
O Sr. Deputado Francisco Küster - Se V.Exa. me permite, o Deputado Federal Maurílio Ferreira Lima comparecia de conga. Não sei se V.Exa. lembra, mas era um calçadinho bem inferior ao tênis. Um dia questionaram aquela situação e o protocolo esclareceu que estava plenamente compatível, que não havia nenhum reparo a fazer.
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - O tênis dá para acompanhar o terno e usar na Assembléia? Então não vou encontrar dificuldade em usá-lo.
O Sr. Deputado Francisco Küster - Sim, com certeza absoluta!
O Sr. Deputado Francisco Küster - O Regimento Interno do Congresso exige paletó e gravata, evidentemente que com camisa, para não parecer ululante, e calça. Claro que não pode entrar vestido com bermuda.
Maurílio Ferreira Lima, lembro como se fosse hoje... Houve uma tremenda encrenca. Ele era muito conversador, e lá tirou uma casquinha muito grande por conta daquele questionamento.
Então, V.Exa. está absolutamente regular.
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Muito obrigado!
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa., me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Deputado Nilson Machado, eu gostaria de dizer que em momento algum partiu deste Parlamentar qualquer alusão aos seus tênis. Essa alusão partiu do Sr. Presidente da Mesa. E V.Exa., com seus tênis e com essa sua vestimenta, está muito mais bem vestido do que muitos Parlamentares sem os tênis. Cumprimento V.Exa. porque seus tênis realmente são ímpares perante sua própria vestimenta, e fazem parte do seu procedimento, e por isso é muito bem recebido por nós.
O que eu coloquei, Sr. Presidente, foi terno - gravata, paletó, camisa e calça - obviamente, para que depois não aconteça de um Deputado vir aqui com gravata, paletó, camisa e bermuda.
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Mas depois desse debate sobre moda, com certeza vou consultar o meu amigo Calvin Klein para que ele me diga o que pode e o que não pode usar no Parlamento, e o que é um traje de passeio.
Eu gostaria, Sr. Presidente, de comentar sobre o que houve hoje aqui na Assembléia, o desentendimento entre os Deputados. Há pouco tempo um jornalista me criticou dizendo que eu havia usado uma palavra de baixo calão, mas não usei nenhuma palavra de baixo calão. Outro dia eu ouvi o próprio Deputado Antônio Carlos Vieira falar, não sei o quê, bunda. Penso que não é uma palavra de baixo calão; é uma palavra corriqueira, e foi a mesma que usei.
Hoje usaram palavras mais pesadas, mas com certeza não vão ser colocadas na imprensa, porque quando é o Duduco, é o Duduco! Só sei dizer que depois que aquela cobra passou por aqui, o ambiente nesta Casa não ficou muito bom, parece que ela trouxe uma fonte negativa, e de lá para cá estão custando a se entender. Mas vi, mesmo naquela época achando que estava errado em trazer a cobra, que ela foi pequenina para os atos que partiram de lá para cá.
Srs. Deputados, gostaria de dizer da felicidade de o nosso País ter o dia de hoje registrado em Brasília, e levado a diversas Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, como o Dia Nacional da Adoção.
Também gostaria de salientar a tristeza de saber, acompanhando os jornais de hoje, que as crianças são adotadas só até dois anos aqui no Brasil. É muito comum a adoção ser feita com crianças de até dois anos, brancas e saudáveis. Segundo a pesquisa do jornal, os brasileiros não gostam de adotar crianças negras, crianças doentes nem crianças acima de dois anos.
Isso é verdade. Inclusive, o Deputado Nilson Machado mantém duas creches aqui em Florianópolis - eu tenho 25 filhos adotivos, negros -, e as pessoas, Deputado Antônio Carlos Vieira, Deputado Francisco Küster, procuram muito nas nossas creches alguma criança para adotar, mas de preferência que sejam loiras, e se tiver os olhos azuis, melhor ainda. Se houver recém-nascido, enquadra-se, mas que não seja doente. E dizem que gostariam de fazer caridade, mas nem sabiam que se fazia caridade adotando crianças. Não sei se as pessoas acreditam que adotar uma criança é fazer caridade ou se é um meio para que possam chegar ao supremo Deus. Se pensam que estão fazendo caridade por esse meio, estão enganadas. Mas fico muito triste de saber, conforme pesquisa do jornal de hoje, que a maioria das crianças - uma média anual de 30 crianças e adolescentes acima de oito anos - são adotadas por estrangeiros, porque o brasileiro insiste em levar para casa, em querer adotar, uma criança tipo Xuxa ou Angélica. Essa é a preferência do brasileiro, e isso me deixa muito triste.
Sr. Presidente e Srs. Deputados, gostaria aqui, da tribuna, de pedir para que o povo de Santa Catarina aja de maneira diferente, ou seja, que adote aquela criança negra de oito anos que está na rua, que adote a menina negra que está na rua, com sete anos, oito anos, nove anos, porque assim estaremos falando em educação, porque assim poderão falar em caridade, se é que querem falar em caridade. Mas ir na porta das creches, na porta de instituição procurar crianças recém-nascidas, dar preferência à criança loira, de olhos azuis e que não seja doente, é muita exigência para quem quer fazer caridade.
Nobres Pares, aqui no Brasil o que se vê é isso, Deputado Francisco Küster, são adoções feitas dessa maneira, e o número de crianças jogadas nas ruas aumenta cada dia mais e mais, e a adoção a elas não chega.
O Sr. Deputado Francisco Küster - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Pois não!
O Sr. Deputado Francisco Küster - Deputado Nilson Machado, em primeiro lugar quero me congratular com V.Exa., pelo seu pronunciamento, pelo registro que faz. V.Exa. fala com conhecimento de causa, pois conhece como ninguém aqui dentro, com assento neste Parlamento, essa problemática. Lamentavelmente, no Brasil, existe muito preconceito, existe muita burocracia nos encaminhamentos, nas tratativas com o objetivo de adoção. Existe muita hipocrisia também. E V.Exa acabou de dizer que existem pessoas que se vêem generosamente fazendo caridade ao adotar uma criança! Santa hipocrisia!
Então, quero me congratular com V.Exa., pois acho que é importante esse debate aqui, na Casa do Povo, para aflorar esse tema, pois a TVAL leva a todos os cantos de nosso Estado a posição dos Parlamentares.
Por isso, Sr. Deputado, é oportuno o debate que V.Exa. faz, e eu me congratulo com V.Exa.
O SR. DEPUTADO NILSON MACHADO - Eu gostaria de também saudar e homenagear a D. Marlene Narciza, moradora de Joinville, que adotou 19 crianças - está no jornal de hoje. Ao mesmo tempo, também envio o meu abraço afetivo à mãe Nina, de Criciúma, pelos seus 28 filhos adotivos, essas grandes guerreiras, que vivem se dedicando à criança no dia-a-dia. A D. Márcia Rilla, no Lar Recanto do Carinho, também faz um trabalho maravilhoso. Essas senhoras podem falar com muita propriedade em adoção, eis que são pessoas que têm no seu dia-a-dia o coração aberto para fazer adoção.
Algumas pessoas ainda acham que o Juizado de Menores pede muitos documentos, tem muita burocracia, para adotar uma criança, mas a burocracia que o Juiz exige nunca vai ser maior do que o preconceito que nós temos em não adotar a criança acima de dois anos, negra e não saudável.
Gostaria muito de pedir ao povo de Santa Catarina que adotasse a criança acima de dois anos negra e até doente, por que não? Por que não adotar uma criança doente e oferecer condições melhores de assistência à saúde a essa criança? Por que todo mundo quer adotar uma Xuxa, uma Angélica, vesti-la bem, desfilar pelas suas famílias, dizendo que faz caridade?
Que o Dia da Adoção sirva de reflexão para essas pessoas que pensam e agem dessa maneira; que o Dia da Adoção sirva de reflexão ao povo de Santa Catarina, para que ele aja de uma forma diferente, para que ele possa fazer adoções de coração. Isso é muito importante!
Gostaria, ainda, para finalizar, Sr. Presidente, que V.Exa., se pudesse, olhasse com mais exatidão ao que se refere ao traje passeio desta Casa, porque me preocupou e não quero ser pego pela Comissão de Ética ou coisa parecida, pois já virou moda nesta Casa os nossos tênis, o nosso traje passeio. Enfim, eu quero respeitar as leis deste Poder.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)