Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

50ª Sessão Ordinária - 02/08/2005

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, enquanto isso acontecia, fatos que o eminente Deputado Antônio Carlos Vieira terminou de relatar, enquanto a festa estava sendo preparada, Deputado Afrânio Boppré, onde se encontrava o Secretário Ronaldo Benedet? Consultamos a agenda e o jornal Diário do Litoral, de quarta-feira, traz uma matéria dizendo que o Secretário Ronaldo Benedet, Deputado, candidato em campanha, estava na Argentina comprando vinho e farinha. Vinho e farinha! A festa de lançamento do seu colega de dobradinha sendo preparada aqui na Capital e o Secretário, candidato, Ronaldo Benedet, na Argentina comprando vinho e farinha.

Diz a matéria que ele até atravessou a fronteira para comprar vinho em uma caminhonete grande, pretona, daquelas de cabine dupla. Em Tubarão, eu conheço uma caminhonete branca, zeradinha. Não era aquela, Deputado Manoel Mota. Não era aquela branquinha, que V.Exa. conhece, zerada. Era, sim, uma pretona! Mas, o que é pior, junto com ele estavam dois carros oficiais e policiais militares de Santa Catarina comprando vinho e farinha na Argentina. Certamente um dos ingredientes da festa de lançamento da candidatura era o vinho argentino que o Secretário, em horário de trabalho, estava comprando, com viaturas oficiais, naquele país. É isso que estão fazendo com a polícia em Santa Catarina, com a segurança em nosso estado.

Mas enquanto isso, Deputado Manoel Mota, lá em nossa região, o nosso Colega Ronaldo Benedet determinou a transferência, por perseguição política, de três policiais militares, e a condenação desses três policiais é por terem votado no Prefeito Marcos Tibúrcio, do meu partido, que ganhou as eleições. São os policiais Hilton Gongo Urbano, José Serafim Alves Filho e Fábio José Marques. O primeiro foi transferido para Itajaí, o segundo, para Joinville e o terceiro, Deputada Ana Paula Lima, para Blumenau. Crime que cometeram: votaram contra o candidato do Secretário. Tanto que na reunião da Secretaria de Desenvolvimento Regional, realizada sexta-feira em Jaguaruna, Deputado Mota (não sei se V.Exa. esteve lá), todos os Prefeitos da região assinaram uma nota de repúdio e um pedido de providências ao governo do estado para impedir essa perseguição política desencadeada na Polícia Militar de Jaguaruna.

Isso é o que estão fazendo com a segurança de Santa Catarina. Enquanto isso, o Diário Catarinense do dia 27 de julho trouxe uma matéria que dava conta, Deputado Afrânio Boppré, do assassinato de número 100 na Grande Florianópolis, somente neste ano.

Misturar politicagem com segurança não dá certo. Será que este governo não compreendeu ainda? Não dá certo! Não vai funcionar nunca misturar política, campanha, dobradinha, manutenção de suplente na Assembléia. Eu entendo o esforço do Governador. Por isso eu entendo essa defesa apaixonada do Deputado Manoel Mota por essa questão. O Secretário Ronaldo Benedet é suplente de Deputado, mas está lá, e se voltar, o Deputado Manoel Mota não fica mais aqui. Dá para compreender tudo isso, mas misturar segurança com política não dá certo!

A maior angústia, o maior clamor da família catarinense, hoje, é por segurança. Não dá para continuar todos esses escândalos! Quantos na segurança neste governo? Quantos? Fraude em concurso público, sindicância, uso de palanque em campanha eleitoral e outras coisas. Onde estão os resultados dessa sindicância? Agora, o Governador afasta porque nem ele mais acredita no instituto da sindicância, porque manipulam politicamente. É assim que age este governo politiqueiramente.

E aí, é claro, mais um lançamento de candidatura, Deputado Antônio Carlos Vieira, e ninguém segura mais esse negócio. Vai ser um lançamento todo dia! Em cada Secretaria - comitê - Regional vai ser um lançamento. São 30 comitês de campanha e em cada um vai haver um lançamento. Ninguém segura, não há controle. Este governo só pensa em voto, só pensa em campanha!

Deputado Manoel Mota, o exemplo tem que ser dado pelo chefe. Que demagogia é essa do Governador?! Evidente que o subordinado não vai parar de fazer campanha se ele não pára. Para que uso mais escancarado da máquina pública em favor da campanha do que o próprio Governador está fazendo? É uma campanha permanente. Não se vê uma ação administrativa. Cada evento é um evento político de campanha, falando mal dos outros partidos, lançando candidaturas à Assembléia, cooptando lideranças de outros partidos, inclusive o meu partido foi dizimado! O meu partido foi dizimado! E o Governador se gaba disso, vangloria-se e diz: "Eu estou diminuindo esse partido", num momento como esse! Diminuindo, como? Diminuindo com que oferta? Será que é a cor dos olhos? Será que a careca dele é mais atraente que a careca do outro? Não é só isso, não! Outros devem ser os motivadores. Ninguém muda de posição assim como se muda de camisa. Ninguém passa uma vida toda discursando contra aquele e depois se junta, abraça e diz que é o melhor. Se for para passar o país a limpo, que se passe mesmo, Deputado Pedro Baldissera. Que se discuta a fundo. Por que esse adesismo? Por que o Governador se gaba, Deputado Francisco Küster, ao dizer: "Eu diminuí aquele partido". Por que será? Será que não é chegado o momento de discutirmos aqui também o que se discute lá?

Acho que é chegado o momento e nós estamos dispostos a fazer o debate de peito aberto, com a consciência tranqüila, cumprindo com o nosso papel. Voltamos para cobrar, sim. Vamos estar aqui diariamente para fazer um pedido ao Governador. Governador - se V.Exa. não estiver assistindo, deve ter um dos seus 30 Secretários ou um dos 30 Secretários Adjuntos assistindo, até porque, administrativamente, pouco fazem -, pare com essa campanha antecipada. Pare com isso. Faltam 14 meses para as eleições. Governe. Cumpra com as promessas de campanha. Mande o projeto de lei para reajustar os salários dos professores para a Assembléia. Implemente o aumento das bolsas do art. 170. Pague os beneficiários do Programa de Reflorestamento e Renda Mínima. Acabe com a "ambulancioterapia". Tente encontrar uma cópia do Plano 15, aquele livrinho mágico que era apresentado durante a campanha, aquele livrinho que tinha solução até para unha encravada. Tente reencontrar-se com o candidato, Governador Luiz Henrique! Resgate os compromissos! Ainda há tempo! V.Exa. pretende renunciar ao mandato daqui a uns oito meses. Portanto, desça do palanque, governe, resgate os seus compromissos!

Governador, misturar segurança com politicagem não dá certo. Nós não podemos mais suportar tantos escândalos na área da segurança pública. A sociedade catarinense está angustiada. Não pensem que me alegra fazer este tipo de discurso. Faço com muita tristeza, faço com muita indignação porque tenho percebido que a ação deste Governo é politiqueira e demagógica.

E aí diz que afasta o delegado por 15 dias. Está baixando decreto para dizer que é proibido fazer campanha antes do tempo. Mas, meu Deus, se ele próprio não pára, não governa, não administra, só faz campanha, é evidente que o subordinado também se acha no direito de fazê-lo! Se o chefe, que é candidato à reeleição, vive em campanha usando a máquina descaradamente, imaginem se o subordinado também não vai fazer. Afinal de contas, o subordinado é candidato a Deputado Estadual, é candidato à Deputado Federal e estufa o peito, ergue a cabeça e pensa: se o meu chefe, se o meu ídolo pode fazer campanha, por que eu não posso?!

O Sr. Deputado Manoel Mota (Intervindo) - Eu quero agradecer pelo aparte que V.Exa. me concedeu!

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Peça, Deputado Manoel Mota, para o seu Governo governar...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)