Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Carlos Vieira

50ª Sessão Ordinária - 02/08/2005

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, primeiramente quero cumprimentar as Deputadas e os Deputados pelo retorno a mais um período legislativo e desejar que tenhamos no segundo semestre de 2005 uma produção muito melhor do que a do primeiro semestre e muito melhor do que a de 2004, trazendo propostas efetivamente que edifiquem este Plenário e esta Assembléia perante o conceito catarinense.

Também não vou falar aqui, Deputado Joares Ponticelli, sobre a publicidade pessoal do Secretário Ronaldo Benedet, ao Dia do Despachante. Isso aqui vai ser tratado num momento posterior. O assunto que vou falar aqui diz respeito à reunião da Polícia Civil, que está lançando candidaturas. Recentemente, os jornais mencionaram a história do delegado Ricardo Thomé. São vários os jornais que publicaram. Agora, toma-se conhecimento, também, pela coluna de hoje do jornalista Moacir Pereira, que ocorreu uma outra reunião no cenário da Polícia Civil, em Videira, em que se lançou a Deputado Estadual Flaris José Rasar, presidente do Deter, à qual compareceram vários comissionados, muitos deles com veículos públicos.

Mas eu prefiro ler a "Crônica da babada anunciada", do jornalista Marcos Espíndola, de hoje, no Diário Catarinense.

(Passa a ler)

"Lamentáveis as declarações do secretário de estado da Segurança Pública, o deputado Ronaldo Benedet, de que o delegado Ricardo Thomé foi submetido à execração pública pela imprensa. Thomé foi afastado da chefia da Polícia Civil a mando do governador Luiz Henrique da Silveira no domingo, por conta daquele encontro político organizado em apoio à sua pré-candidatura a deputado federal, no Norte da Ilha, na semana passada.

Não cabe à imprensa julgar e condenar ninguém. Longe disso, estamos falando é de uma ‘lambança’ com data e hora marcadas. Estava lá e se não fosse o DC, poderia ser qualquer outro cidadão.

Vamos aos fatos: o jornalista Roger Bittencourt, dono de uma agência de comunicação na Capital e ex-secretário de imprensa no Governo Paulo Afonso, na quarta-feira, encaminhou à redação um e-mail informando que o delegado Ricardo Thomé se reuniria no dia seguinte com o delegado e com policiais de todo o Estado para hipotecar sua candidatura a deputado federal. E mais, no Sul do Estado faria dobradinha com o então secretário Benedet."

Parece-me que aqui na Capital faria dobradinha com o Deputado João Henrique Blasi.

(Continua lendo)

"Ontem, Bittencourt esclareceu ao repórter João Cavallazzi que há mais de um mês vinha ‘ventilando’ informalmente junto aos colunistas políticos do Estado sobre a pretensa disposição de Thomé de lançar-se como candidato à Câmara dos Deputados. Estava, adiantou, atendendo a um pedido do gerente de Situações Críticas (e bota crítica nisso), o ex-deputado Murilo Canto.

Ao tomar conhecimento do local do encontro, a reportagem do DC foi lá e constatou o fato. Estavam lá para quem quisesse ver, 24 viaturas na frente do restaurante e os policiais e delegados confraternizando. Se for execração ou ‘armação’, como agora se ventila, como se explica o e-mail enviado pela própria instituição na sexta-feira pela manhã relatando o festivo encontro que reuniu policiais, delegados e o pré-candidato Thomé? E claro, uma foto do delegado afastado discursando.

Ao que parece foi uma auto-execração, do delegado e do próprio secretário, que atribui a suspensão determinada pelo governador Luiz Henrique da Silveira - o chefe - a uma punição política. Enquanto se apontam fatos, quem julga, ou melhor, defende politicamente é o deputado Benedet.

Pois foi por obra da política, ou da politicagem, que a SSP se meteu nessa confusão toda com data, local e hora marcados."

Jornalista Marcos Espíndola, do Diário Catarinense.

(Cópia fiel)

Eu vou fazer algumas análises. O Governador Luiz Henrique da Silveira, Deputado Joares Ponticelli, cônscio das suas responsabilidades e tomando conhecimento do assunto pelos jornais, determinou sindicância, a ser procedida por pessoas que não são devidamente corretas perante a legislação, mas determinou a sindicância, e afastou o chefe da Polícia Civil, Ricardo Thomé, das suas funções, por 15 dias.

Deputado Joares Ponticelli, se fosse eu, como Secretário da Fazenda do governo passado, fazer reunião com diárias pagas pelos cofres públicos, com veículos públicos e locais públicos, para lançar a minha candidatura, os Deputados hoje, Deputado Manoel Mota, estariam furiosos contra essa posição. Eu também estou furioso. E vou fazer um apelo, Deputado Manoel Mota, muito veemente, não ao Governador Luiz Henrique da Silveira, mas ao Ferri. Se ele estiver na cidade e estiver nos ouvindo, ele saberá que estou-me referindo ao Ferri. O Ferri é um amigo meu de infância. Nós tivemos muito bom relacionamento. Eu e o Ferri e o pai do Ferri.

E eu vou fazer um apelo ao Ferri. Acabem com essa história toda! Acabem com esse lançamento antes do afastamento do cargo. Se ele quer fazer campanha política, Deputado Manoel Mota, que se afaste e vá fazer a suas expensas. Mas eu faço um apelo ao meu amigo Ferri. Não é caso de afastamento por 15 dias, não é caso de uma sindicância, porque os fatos já estão apontados e redondamente provados pela imprensa. Não precisa o Ferri trazer aqui os jornais que fizeram menção a toda essa festa para um delegado com carro oficial. Absolutamente!

Tenho certeza, Deputado Manoel Mota, de que o nosso amigo, seu amigo, meu amigo Ferri, Luiz Henrique da Silveira, vai tomar providências, sim, providências enérgicas, para que esses fatos não continuem ou não ocorram no futuro.

O Sr. Deputado Manoel Mota - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Pois não!

O Sr. Deputado Manoel Mota - Deputado Antônio Carlos Vieira, V.Exa., que é um homem com uma visão muito grande, muito ampla na política, sabe perfeitamente que o governo, que o Governador Luiz Henrique da Silveira não perdeu tempo. Ele baixou um decreto antipático, mas um decreto correto. Ele determinou que poderiam ser feitos encontros políticos só depois de deixar o cargo.

Então, o Governador tomou uma decisão firme imediatamente. O governo tem que ter decisão, tem que ter firmeza. E aí, evidentemente, machuca algumas pessoas. Mas esse é o caminho, o caminho da ética, o caminho da tranqüilidade, da serenidade. E é isso que está fazendo o Governador Luiz Henrique da Silveira. Ele tomou medidas para que outras questões como essa não aconteçam em Santa Catarina. Querem ser candidatos? Podem ser, ninguém proíbe. Agora, não podem usufruir do governo para fazer lançamento de candidatura.

Então, o Governo tinha que tomar medidas enérgicas. Por isso, quero reconhecer a mão firme do Governador Luiz Henrique da Silveira em busca da ética e do profissionalismo, que são tão importantes e fundamentais para Santa Catarina.

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Deputado Manoel Mota, ele tomou providências para frente. Quando se tem uma casa arrombada, a primeira providência é botar uma tranca, objetivando apurar responsabilidades pelo passado de quem arrombou a casa. Agora, daqui para frente nós vamos acompanhar, mas o passado está aí e no passado isso ocorreu. Qual a providência a ser tomada? O afastamento por 15 dias, Deputado Manoel Mota, ou a execração desse pretenso candidato a deputado federal que queria se lançar à Câmara Federal apoiado em Santa Catarina por todos os atuais Deputados Estaduais do PMDB?

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)