73ª Sessão Ordinária - 09/10/2002
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente, peço licença para colocar a bandeira do PT nesta tribuna. Eu mereço!
O SR. PRESIDENTE (Deputado Onofre Santo Agostini) - É bandeira do Internacional, não é?
O Sr. Deputado Heitor Sché - V.Exa. me concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Pois não!
O Sr. Deputado Heitor Sché - Deputada Ideli Salvatti, gostaria de parabenizá-la pela sua magnífica vitória e de complementar que virei à tribuna todos os dias antes do final do meu mandato para falar sobre essa imoralidade.
Muito obrigado!
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, queria nesta tarde começar o meu pronunciamento agradecendo os 1.054304 votos me confiados nesta eleição, porque é isto que eu preciso agradecer, ou seja, este voto de confiança que recebi de mais de um milhão de catarinenses. Por mais que eu viva não vou conseguir nunca agradecer de forma adequada, a altura, a confiança que estes catarinenses estão depositando na minha pessoa para representar o Estado de Santa Catarina no Congresso Nacional, de forma muito especial no Senado.
Esta vitória só foi possível porque foi construída por muitas mãos. Em primeiro lugar, pelos meus companheiros do glorioso Partido dos Trabalhadores, dos Partidos que integram a Frente Popular em Santa Catarina, além do PT, o PC do B, o PL e o PMN. Quero agradecer minha equipe, minha coordenação de campanha que foi incansável, que se multiplicou as dezenas e as centenas para podermos chegar a este resultado.
Quero também agradecer do fundo do coração o apoio que recebi de outros Partidos, de muitos, eu ousaria até dizer quem sabe da totalidade dos Deputados desta Casa, porque tenho a convicção de que o fato de ter dois votos ao Senado deve ter levado muitos Companheiros de mandato a lembrar de mim, tenho certeza disso.
Queria nesta tarde homenagear aquela que foi a precursora - hoje tenho a honra de ser a primeira Senadora eleita de Santa Catarina - que se chama Luci Choinasky que teve a ousadia, há oito anos, de fazer também a sua campanha e que por muito pouco, por menos de 2%, talvez porque naquela época nós não chegamos a acreditar efetivamente que seria possível elegê-la, não chegou a ser Senadora.
A nossa eleição se encaixa também dentro de um contexto que nós estamos comemorando da maior vitória do Partido dos Trabalhadores da Frente Popular em Santa Catarina. Vitória esta que nos dá o orgulho de ter tido em nosso Estado a maior votação que o Luiz Inácio Lula da Silva recebeu percentualmente em todo o Brasil. Perto dos 57% dos votos catarinenses foram dados ao Lula. Em nenhum outro Estado obteve uma votação tão expressiva.
Tivemos também a maior votação para o Senado da República. Nenhum outro candidato obteve a votação que tanto me honrou. Tivemos os dois Deputados Federais mais votados da história de Santa Catarina, o nosso querido Carlito Merss, com mais de 138.000 votos, e a nossa querida Luci Choinasky com mais de 126.000 votos. Dobramos a nossa Bancada Estadual de cinco parlamentares para dez, sendo nove do PT e a nossa companheira Deputada Odete de Jesus que se reelegeu. Para a Câmara Federal nós alcançamos quase um terço da bancada. Dos 16 Deputados Federais de Santa Catarina, cinco serão do PT a partir da legislatura seguinte.
Se não tivéssemos sido mais uma vez roubados, garfados pelas pesquisas eleitorais de última hora, com certeza José Fritisch estaria disputando o segundo turno, porque a pesquisa que foi anunciada na noite de Sábado, dava uma diferença de dez pontos percentuais entre Luiz Henrique e o José Fritsch e, horas depois, abertas as urnas, com os votos dos eleitores, isso não se confirmou, foi reduzida para menos de 2%. Luiz Henrique ficou com 30% e o Fritish com 28%.
Portanto a pesquisa com as tais margens de erro, que sempre erram na mesma margem, quer dizer, sempre erram do mesmo lado, mais uma vez nos prejudicaram. E nós, com certeza, estaríamos no segundo turno nesta eleição agora para o Governo do Estado com o nosso ex-Prefeito de Chapecó, José Fritish.
No Senado não foi diferente porque na pesquisa do sábado a noite o nosso companheiro Milton Mendes sequer foi citado como estando no páreo e quando foram abertas as urnas estava lá em inúmeras regiões com uma votação expressiva, na maior parte delas em segundo lugar. Esta Deputada em primeiro e o Milton Mendes em segundo, provando que a estratégia que o PT adotou em lançar dois candidatos fortes estadualizados era correta, com chance de eleger as duas vagas ao Senado.
Mas nós temos uma tarefa. Nós não paramos, não descansamos e não descansaremos até o dia 27 de outubro porque, apesar de Santa Catarina ter dado a maior vitória de Lula no primeiro turno, perto de 57% dos votos, nós vamos trabalhar incansavelmente para que a vitória de Luiz Inácio da Silva seja a vitória mais expressiva, mais representativa do povo brasileiro, para que possamos efetivamente dar a este País a perspectiva de uma vida digna, com oportunidade para o povo brasileiro trabalhar, estudar, poder circular com segurança, morar com tranqüilidade, enfim de ser feliz.
É para isso que estamos empenhados neste momento. Estamos fazendo dentro do Partido o debate sobre a questão do segundo turno em Santa Catarina e o divisor de águas é a eleição presidencial. A posição do Partido dos Trabalhadores, que está sendo debatida, será tomada no domingo numa plenária em Rio do Sul e terá como eixo central a garantia da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como Presidente da República.
Para terminar, não poderia deixar de dizer que sou uma pessoa honrada pelo povo catarinense. Não vou poder agradecer nunca as honras que o povo catarinense me deu nestes meus 50 anos. Eu tenho 27 anos em Santa Catarina. São 50 anos de vida e 27 anos como habitante deste Estado maravilhoso. Sou catarinense de coração, adotada, mãe de dois joinvilenses, e não vou poder nunca agradecer o suficiente as honras que este Estado me deu.
Em primeiro lugar por presidir durante oito anos o maior sindicato deste Estado, o Sindicato dos Professores, uma categoria que sofre mas que realiza e constrói o futuro, a dignidade dos nossos jovens e crianças. Tenho a honra de ao longo de oito anos ter ocupado uma cadeira na Assembléia Legislativa. Eu que fui a quarta mulher da história a ocupar uma vaga, não esquecendo que apenas cinco mulheres chegaram a esta Casa, Antonieta de Barros, Inge Comin, Luci Choinasky, Ideli Salvatti e Odete de Jesus. E agora tenho a suprema honra de ser a primeira Senadora dos catarinenses. Este Estado feminino, que tem um nome de mulher, que tem como heroina Anita Garibaldi, que tem como mestra Antonieta de Barros, que tem como Santa Madre Paulina, terá também agora, Sr. Presidente, uma Senadora.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Onofre Santo Agostini)(Faz soar a campainha) - V.Exa. dispõe de um minuto para encerrar seu pronunciamento.
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Terá também agora, Presidente, uma Senadora que não vai descansar um minuto, um segundo. Se sou conhecida como leoa me aguardem, porque no Senado da República vou fazer valer cada um dos 1.054.304 votos de confiança que recebi dos catarinenses.
Só o que posso dizer é muito obrigada, do fundo do meu coração!
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)