23ª Sessão Ordinária - 09/04/2002
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sra. Deputada, toda a imprensa brasileira dá destaque, nos últimos dias, a situação explosiva no Oriente Médio. Uma situação que causa profunda preocupação com o destino da humanidade e deixa indignados os que assistem a esta barbárie.
Na manhã desta quarta-feira, às 10h, no auditório da OAB, haverá a reunião para a formação do Comitê de solidariedade ao povo palestino.
Quero agradecer aos Parlamentares que aprovaram o requerimento de nossa autoria, a ser encaminhado em nome do Poder Legislativo, ao Embaixador da Autoridade Palestina no Brasil, ao Sr. Cristobal Ozoco, encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, e ao excelentíssimo Sr. Celso Lafer, Ministro de Relações Exteriores, dando apoio integral as negociações destinadas a trazer a paz para a região palestina. A conquista desta paz duradoura tão almejada pelos povos da região só será possível através de entendimentos capazes de levar a criação do Estado Palestino com a implantação de sua soberania sobre os territórios ainda ocupados, com o fim dos campos de refugiados e com o respeito as resoluções da ONU, que determina o estabelecimento da administração internacional para a cidade de Jerusalém. O prosseguimento do brutal sacrifício de vidas humanas é inaceitável pelos países democráticos e o convívio pacífico e fraterno na região só é possível se estas condições forem atendidas.
Eu queria agradecer aos Parlamentares pela aprovação deste requerimento que estaremos amanhã dando ciência do posicionamento do Poder Legislativo na reunião que irá criar o comitê de solidariedade ao povo palestino em nosso Estado.
Gostaria de trazer alguns dados para subsidiar a situação explosiva que nós temos no Oriente Médio. A revista Veja desta semana, que traz na capa: “A Marcha da Insensatez”, destina muitas páginas ao conflito no Oriente Médio, e talvez possamos entender o que está colocado lá mesmo sem precisar ler a totalidade das matérias, mas apenas alguns dados.
Alguns dados são suficientes para dar a dimensão e a gravidade do que está colocado no Oriente Médio. De um lado, e aqui aparece um mapa que demonstra isto, nós temos 344 milhões de seres humanos, do outro lado 6 milhões e a bomba atômica.
O Estado de Israel é absolutamente cercado por uma imensidade territorial e de povo árabes, de religião mulçumana, transformando aquela região do planeta num verdadeiro barril de pólvora pronto para explodir a qualquer momento. As atitudes de morte e assassinato, inclusive situações tipo homem-bomba, que explode para fazer represália, só pode ser entendida quando os dados econômicos são colocados.
O Estado de Israel tem um território de 20.000km²; uma idade média de 28 anos; uma renda per capita de US$19.000, uma importação de UD$35.000.000, uma exportação de US$28.000.000 e um salário médio mensal de US$1.500.
Os palestinos que estão nos territórios ocupados vivendo uma situação bastante difícil, ocupam apenas 6.000km² e a idade média dos palestinos é de apenas 17 anos, comparada com os 28 anos dos israelenses.
A renda per capita dos palestinos é de US$1.680, enquanto que a dos israelenses chega aos US$19 mil, quase dez vezes mais.
A importação palestina é de apenas US$2,4 bilhões, enquanto que a importação israelense é de US$35 bilhões.
A exportação palestina é de US$0,4 bilhão apenas, enquanto que a exportação israelense é de US$28 bilhões.
Não bastassem esses dados econômicos, os dados a respeito do aparato militar são também assustadores.
Dos 350 milhões de habitantes que vivem no Oriente Médio e no Norte da África, este grande território, apenas 5 milhões são judeus, estão incrustados nesse verdadeiro mar de árabes. Portanto, aquela situação de bomba relógio, de barril de pólvora é realmente gritante, quando esta situação é visualizada no mapa.
Dos 19 países do Oriente Médio, apenas cinco estão entre o terço mais desenvolvido do planeta.
Enquanto a renda per capita na Jordânia é de US$3.500 por ano, em Israel este indicador atinge os US$19 mil, numa diferença gritante.
O dado mais estarrecedor é que das 14 Nações do mundo que gastam mais de 5% do PIB - Produto Interno Bruto - com o militarismo, sete, a metade desses países, estão no Oriente Médio.
Para explicar o porquê de tanta guerra, de tanta disputa, de tanto belicismo e de tanto confronto, o último dado que aparece na matéria sobre o barril de pólvora é que a região do Oriente Médio detém 70% das reservas mundiais de petróleo.
Portanto, o que temos ali não é uma guerra ideológica e religiosa. O que temos no Oriente Médio é uma guerra econômica pelo controle de 70% das reservas de petróleo, esse combustível imprescindível de toda a economia capitalista do planeta.
E quero dizer que eu não vivi a II Guerra Mundial, nasci sete anos depois do seu término. Mas tenho certeza de que se a tivesse vivido, se fosse uma Parlamentar à época da guerra, viria com a mesma veemência a este microfone para rebater e condenar a barbárie cometida contra o povo judeu. Mas não posso deixar de vir à tribuna para repudiar a barbárie que vem sendo cometida contra o povo palestino.
O povo palestino tem o direito de ter o seu País, a sua Nação, até porque era ele que estava no território quando foi criado o estado judeu. Portanto, ele tem o direito de estar lá e de ter o seu reconhecimento enquanto Nação, o seu direito de sobrevivência, de cidadania e de poder viver.
Então, queremos, mais uma vez, agradecer a V.Exas. pela aprovação do requerimento e convidar não os Parlamentares, mas os cidadãos brasileiros que compõe este Parlamento para que amanhã, às 10h, possamos ter uma representação suprapartidária na formação do comitê de solidariedade.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)