Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

8ª Sessão Ordinária - 08/03/2001

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, não poderia deixar de estar nesta tribuna, nesta manhã de quinta-feira, dia especial em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher.

Desta tribuna e nesta tribuna já tive muitos constrangimentos e por muitas vezes encontrei dificuldades de fazer um discurso, mas é certo que, dentro da formação mais matuta desse Deputado, fazer um discurso em relação à importância da mulher, tanto na sociedade, na formação da humanidade, como na vida de cada um de nós, parece-me ser bastante difícil, no sentido de conseguir transmitir tudo aquilo que sinto em consideração e em respeito à importância da mulher na minha e na vida da sociedade.

Mas com absoluta certeza posso pelo menos dizer e deixar registrado nos Anais desta Casa, através deste meu humilde discurso, que no decorrer da vida falamos muito e aprendemos muito sobre o sexo frágil. E o sexo frágil dentro do nosso aprender era a mulher.

E aí cabe o questionamento: que sexo frágil é este que é a primeira a levantar e a última a deitar? Que sexo frágil é este que consegue dar a vida ao ser humano? Que sexo frágil é este que não se cansa e que, através da sua valentia, através da energia que só uma mulher tem, consegue superar todas as dificuldades do dia-a-dia da sua vida? Ela é a última a esmorecer! Que sexo frágil é esse?!

Mas este mesmo sexo frágil aos poucos foi buscando reconhecimento dentro deste mundo machista em que fomos formados e criados. E ela, na busca do seu espaço e do seu reconhecimento, fez a sociedade começar a ver, com surpresa, a sua capacidade quando assumia um cargo, seja à frente de uma indústria, do comércio, ou de atividades sociais, que ela e somente ela consegue muito bem fazer. Ela é a grande maioria à frente da luta empunhando a bandeira por mais justiça, por mais solidariedade, por mais investimento, mais atenção e mais carinho nesta área tão importante, que é a área social, especialmente voltando o seu trabalho para as pessoas mais carentes.

Mesmo tendo dificuldade de fazer este discurso consigo reconhecer que a mulher - além de todas as suas vitórias - conseguiu uma vitória fundamental, que foi quando se enveredou na política. E é na política que ela está conseguindo criar uma oportunidade nova ao ser humano e ao cidadão; é na política que ela conseguiu, participando diretamente da administração, diminuir em muito a corrupção; ela conseguiu fazer o que faz no dia-a-dia na cozinha, que é o dinheiro render; conseguiu investir num tratamento com mais atenção ao ser humano e conseguindo bem mais e melhor! É com raras exceções, claro que sempre há, mas já não dá para imaginarmos a política sem a participação da mulher. Está ficando evidente para todos nós o quanto é importante a participação da mulher na política. E hoje a maior das Prefeituras deste País, na grande metrópole chamada São Paulo, é governada pela mulher.

Temos grandes Parlamentares no Congresso Nacional, que já são de renome nacional! Temos Senadoras importantes no Brasil que nos surpreende por sua atuação e, aí, mais uma vez, fica evidente a capacidade da mulher.

Falando de política, e não querendo falar dela partidariamente, em Santa Catarina também houve importantes e boas experiências, gratas experiências, da participação da mulher catarinense na política. Cito, então, para prestigiar e valorizar a mulher catarinense e reconhecer a mulher pública catarinense, o exemplo da Prefeita da Capital de Santa Catarina, Angela Amin, que com certeza tem mostrado a capacidade e a importância da mulher à frente da administração.

Não posso deixar de fazer referência às duas Parlamentares que convivemos dia-a-dia e que sabemos o quanto são determinadas. E elas aqui não são sexo frágil, pelo contrário, temos visto mulheres aguerridas lutando, do seu jeito e de sua maneira. Não quero contestar a atuação e a forma de atuação de nenhuma, mas mostrar que sexo frágil é a única coisa que elas não são.

Gostaria, neste momento, em homenagem à minha mãe, à minha esposa, à minha filha e em homenagem a todas mulheres catarinenses, brasileiras e do mundo, a todas elas, se não posso fazer o mais bonito discurso, mas tenho que, pelo menos, dizer que sei reconhecer a importância da mulher na vida de cada cidadão que faz parte, que compõem este grande e imenso Brasil e este mundo.

Então, venho a esta tribuna para fazer este registro e ao encerrar, então, a minha participação, gostaria de fazer uma colocação que não poderia me omitir. No Alto Vale do Itajaí há muitas coisas importante acontecendo e que aconteceram, mas uma das coisas mais importante que aconteceu lá nos últimos tempos foi o envolvimento da sociedade do Alto Vale que - do mais humilde ao mais importante cidadão - numa ação solidária, fizeram um movimento buscando apoio das forças políticas, e, através da Fundação Fusav, criada por eles, montaram o mais moderno hospital do Sul do Brasil. Este moderno hospital recebeu o apoio direto, na sua constituição, de muitos e importantes políticos catarinenses e regionais, mas especialmente do saudoso Vilson Kleinübing.

Depois de constituído e montado este hospital tivemos 4 anos sem a participação e sem o reconhecimento do Governo, da importância deste Hospital Regional e da necessidade da parceria para ajudar a fazer saúde no região do Alto Vale do Itajaí. Reconhecia-se e repassava esses recursos para a região de Araranguá, de Chapecó, de Curitibanos, de Joinville, de Blumenau, de Florianópolis, mas se desconhecia o Regional do Alto Vale do Itajaí. Penalizando aqueles que através de uma ação voluntária, num gesto humano e solidário, propuseram-se a ajudar, a fazer com que pudéssemos ter um bom hospital no Alto Vale do Itajaí para atender a sua família.

Aí o nosso Governo, Esperidião Amin, num gesto de reconhecimento, não fazendo mais do que justiça com o Alto Vale, nos oportuniza um convênio de R$140 mil/mês para aquele hospital. Que beleza! Que importante foi! Não só pelo reconhecimento, mas o quanto deu para tranqüilizar o trabalho daqueles voluntários e também dos profissionais, em favor daquilo que é mais importante para o ser humano e para a família, que é a saúde, que é a vida.

Foram, então, 24 meses de uma boa parceria. Com esse apoio importante do Governo do Estado criamos, então, a ala da dor do peito. A cirurgia cardíaca já é resolvida lá no Alto Vale do Itajaí. Também conseguimos montar naquele hospital a UTI neonatal. Aumentamos os serviços que prestávamos às nossas famílias do Alto Vale, nessa importante ação, que é a saúde.

Agora veio o momento de renovarmos os convênios. Depois que ampliamos o serviço em benefício da sociedade, surpreendentemente ontem vimos que o nosso convênio foi diminuído num valor de 50%. Espero que o Governador, o meu amigo Esperidião Amin, não conheça isso e nem tinha sido determinação dele! Espero que ele não esteja penalizando o povo do Alto Vale do Itajaí.

Espero também que não tenha sido iniciativa do nosso Secretário da Saúde, porque se foi eu quero deixar registrado o seguinte: nós vamos estar ao lado do povo do Alto Vale! Ao lado daqueles que, de forma solidária, mostraram como é que se faz administração pública! Mostraram como é que se trabalha com seriedade e responsabilidade! Aqueles que, de forma determinada, se unem, doam horas importantes do seu tempo para a comunidade, e agora estão sendo penalizados.

É penalizada quando a regional de Chapecó recebe 3 milhões, quando a regional de Curitibanos recebe mais de 2 milhões e a nossa regional de Rio do Sul recebe apenas R$800 mil. Espero que o Governador não saiba disso e que, agora, sabendo, mande corrigir essa injustiça que se cometeu contra o povo amigo, trabalhador do Alto Vale do Itajaí.

Senão, a partir de segunda-feira, estaremos a cada dia neste tribuna para cobrar o respeito ao povo do Alto Vale. Não aceitamos discriminação e não tem justificativa. Muito menos vamos aceitar penalizar aqueles que se doam, quando nos outros lugares todos os que estão lá tem que ser pagos, até o chefe de serviço. Ali não! Ali são voluntários, que se doam e mostram que uma das mais modernas administrações que temos nos hospitais de Santa Catarina está lá em Rio do Sul.

Esperamos então, que esse erro, esse equívoco, seja resolvido até segunda-feira.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)