57ª Sessão Ordinária - 15/07/2008
O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, tive o privilégio e a satisfação de participar na Fiesc, na tarde de ontem, de um seminário que tratou do potencial energético e de toda a cadeia produtiva que exerce a Petrobras, em nível de Brasil, e de alguns investimentos previstos para Santa Catarina.
Nesse seminário tivemos o privilégio de contar com a presença do presidente da SCGAS, nosso amigo e ex-deputado Ivan Ranzolin; do secretário de estado do Desenvolvimento Sustentável Onofre Santo Agostini; da senadora Ideli Salvatti, que promoveu esse encontro juntamente com a Fiesc; da diretora de gás de energia da Petrobras Maria das Graças Foster, que fez uma brilhante explanação juntamente com o químico Eduardo Falabella, que faz um estudo direcionado à política do carvão, à geração de combustíveis, óleo diesel, lubrificantes, gasolina, querosene e também a geração de gás, a partir do carvão.
(Passa a ler.)
"A diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, inicialmente, deixou muitos empresários desanimados sobre as chances de Santa Catarina sediar o terceiro terminal de gás natural liquefeito (GNL) da Petrobras, ao falar sobre o tema, ontem, em seminário na Fiesc.
Isso porque afirmou que a função do gás liquefeito, pelo preço mais alto, será para geração de energia. Mas, no final, disse que São Francisco do Sul tem chance de sediar a unidade porque conta com infra-estrutura de gasodutos para o transporte do insumo a outras regiões do país.
A diretora apresentou uma lista de requisitos técnicos para a decisão, que será tomada após o leilão de energia térmica, previsto para agosto. Segundo ela, vão ser considerados aspectos técnicos, ambientais e econômicos, entre outros.
O presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa disse que Santa Catarina tem condições técnicas para receber o terminal e até de sediar usina térmica. Disse que a unidade da Tractebel que está funcionando com óleo no Mato Grosso, poderia ser transferida para o norte do estado.
Segundo o presidente da SCGás, Ivan Ranzolin, há grupos interessados em investir em térmica a gás na região de Joinville. Um desses investidores pode ser a Celesc.
O presidente da Fiesc Alcantaro Corrêa, aproveitou o evento de ontem para cobrar da diretora de gás e energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster, a suspensão dos dois novos reajustes do gás natural previstos para este ano: 15% este mês e 11% em outubro.
Corrêa foi enfático ao afirmar que as empresas não têm condições de absorver esses aumentos, e que a SCGás está lucrando muito. Citou a Revista Exame Maiores e Melhores, segundo a qual a SCGás foi a empresa no país com a maior rentabilidade, chegando, no ano passado, a 32.5% de resultado.
Conforme Corrêa, quando o gás foi oferecido em 2000 a todo o segmento industrial de Santa Catarina, representava 15% do custo das indústrias cerâmicas. Hoje chega a 23%, e a maioria está no vermelho, enquanto a SCGás já gerou, de lucro aos acionistas, R$ 130 milhões. Detalhe: juntos, eles investiram apenas R$ 32 milhões no negócio e já obtiveram um resultado, um lucro de R$ 130 milhões."
Eu fiquei muito impressionado com o que a diretora da Petrobras, Maria das Graças Foster, colocava a respeito desse terminal para a distribuição do gás, o terminal de regaseificação, com a possibilidade não só para São Francisco do Sul, mas sim o porto de Imbituba abrigar esse investimento.
Eu pensava e refletia, enquanto ela fazia a explanação, que pelos dados estatísticos que temos, o sul do estado, nos últimos 18 anos, sequer alcançou o índice médio de desenvolvimento comparado às demais regiões do estado de Santa Catarina. Isso pela falta de infra-estrutura básica para o escoamento da produção e, principalmente, pela não-duplicação da BR-101, que hoje felizmente é um fato que está ocorrendo e devemos muito ao governo federal por isso.
E sendo o governo Lula um governo que tem no bojo, na essência dos seus programas de governo a inclusão social, nós estamos reivindicando que esse investimento, esse terminal de gás da Petrobras seja canalizado para a região do porto de Imbituba. Com isso certamente nós teremos uma grande oportunidade de agregação de valor e renda.
Dentro da cadeia do sistema irão se desencadear milhares de oportunidades de negócios, de renda e de emprego. Quem sabe com isso nós possamos, daqui a dez, 11, 12 anos, nos equivaler ao crescimento que hoje o norte do estado vem tendo, com um PIB maior que o da China, com um crescimento de mais de 10%, em torno de 12%.
É um macro investimento de grande alcance social, e nós esperamos obter a sensibilidade do governo federal e dos técnicos da Petrobras, para que realmente esse investimento venha para Santa Catarina e, de uma forma especial, que ele possa ser construído todo na região sul, mais especificamente no porto de Imbituba.
Nesse evento se fizeram presentes também o Sindicato dos Mineradores da Indústria do Carvão, na pessoa do dr. Ruy Hülse, meu caro presidente Julio Garcia, com demais empresários e também o segmento do setor da cerâmica branca, pisos e azulejos de todo o estado de Santa Catarina.
Assisti, pela segunda vez, a brilhante explanação do engenheiro e químico Eduardo Falabella da Petrobras, uma vez que é um grande conhecedor, um expert no assunto, na pesquisa, no P&D, Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras, e ele caracteriza como de excelência o carvão que está no subsolo catarinense. E afirmou, pelos dados que já tem, que nas jazidas catarinenses e gaúchas há possibilidade de se produzir em torno de 322 mil barris de óleo diesel por dia durante 50 anos, além da geração de gás, de energia, e de sulfato de amônia, fertilizante essencial para o segmento agrícola do estado de Santa Catarina.
Para que v.exas. tenham uma idéia, o Brasil importa hoje, da Rússia, em torno de cinco milhões de toneladas de amônia, produto esse que poderíamos extrair, produto agregado aos subprodutos interligados na cadeia produtiva do carvão. Por isso necessitamos desses investimentos!
E tivemos o anúncio também, na tarde de ontem, pela dra. Maria das Graças Foster de um investimento de R$ 1.5 milhão para pesquisa e desenvolvimento da política de geração de energia e gás a partir do carvão catarinense.
Era isso sr. presidente e srs. deputados.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)