Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

84ª Sessão Ordinária - 11/10/2007

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sra. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, não poderia deixar de me manifestar com relação ao Dia do Professor, pois tenho 36 anos de atividade dentro de sala de aula trabalhando como professor.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que as flores da nossa luta e a razão principal do nosso trabalho são as crianças, mas isso está relacionado, sem sombra de dúvida, à educação e ao Magistério. Portanto, é uma categoria de grande importância porque o bom professor é aquele que faz com que o seu aluno saiba mais do que ele.

Às vezes perguntava em sala de aula, e ainda pergunto, o que aconteceria se um aluno soubesse tanto quanto o professor. O que aconteceria, meu amigo, deputado Peninha? Seria triste? Não. A humanidade só avançou porque o aluno acabou sabendo mais do que o professor, pois, de outra forma, estaríamos vivendo na Idade Média ou na época das cavernas. Mas a evolução está presente e a gratificação que temos como professor é de que só damos aula para quem sabe mais do que nós.

Então, as futuras gerações vão saber mais do que nós, professores. Neste mundo moderno, seja na área da ciência, na área humana, na questão da saúde, na convivência, na questão social, como na utilização dos recursos, no convívio com a humanidade, com a natureza, cada vez mais temos que ter responsabilidade.

A visão multidisciplinar não é somente a visão técnica. É dentro deste contexto que nós estamos mostrando a importância do professor, que ao mesmo tempo é um ser humano que tem família, que tem que manter essa família, que tem que pagar os seus impostos e que tem um salário que eu poderia dizer aviltante e para tristeza nossa, o mais baixo salário dos servidores públicos.

Eu, às vezes, perguntava ao nosso querido deputado Sargento Amauri Soares quem ganha mais, o policial ou o professor? Ambos têm a tarefa importante da segurança, da tranqüilidade, a tarefa do futuro, da educação e ambos são explorados. Nós precisamos melhorar, temos que ter política de incentivo. Por isso, a nossa prioridade é a luta dos professores.

Por que eu falo isso? Porque durante a época de chumbo, a época difícil, quando os professores não podiam nem ter sindicato, nós tínhamos e o mantínhamos com toda força, com toda veemência, sofrendo perseguições e conseqüências. A Alisc - Associação dos Licenciados de Santa Catarina - travou uma grande luta neste estado, porque naquela época de ditadura, sequer concurso público havia para os professores. O professor era designado, era convidado a dar aula. Mas convidado por quem? Por aqueles que eram nomeados pelo poder. Não havia concurso público.

Na nossa luta, a greve de 1980, nunca iremos esquecer, foi a primeira greve estadual que ocorreu em Santa Catarina. Nenhuma categoria, ninguém havia realizado. Nós fizemos a primeira greve estadual quando conquistamos, além de um salário digno, a questão do concurso público; o quadro de carreira; o estatuto do Magistério; hora/atividade e plano estadual de educação elaborado pelos professores, uma experiência inédita.

As escolas naquela época davam aulas aos sábados e paralisaram durante um sábado para discutir com os pais e com os alunos a realidade local, e assim fomos escolhendo os delegados, até chegarmos a um grande congresso em Lages. Esse estuário de conhecimento elaborou o Plano Estadual de Educação em conjunto com a secretaria de Educação. E pasmem senhores, conquistamos eleições diretas para diretores de escola. Depois, como prefeito de Florianópolis, demos continuidade e mantivemos esse trabalho.

Agora posso falar, e irei falar mais especificamente adiante, em próximos pronunciamentos, que da nossa época, na capital de todos os catarinenses, até hoje tivemos a educação com maior qualidade e que está sendo avaliada por órgão em nível nacional. A melhor média dos três últimos governos foi durante a nossa gestão.

A nossa equipe sempre investiu mais de 31% em educação, não os 25%, mas sempre mais do que 31%. Nós tínhamos outras atividades, por exemplo, o xadrez, o teatro, a dança, como atividades para manter, em tempo integral, os nossos estudantes, principalmente nas regiões mais pobres, onde tínhamos o caroninha.

O caroninha era um projeto que permitia que as crianças da rede municipal fossem à escola de graça no ônibus, aproveitando o fluxo e refluxo. Até isso, deputado Décio Góes, foi retirado das nossas crianças mais pobres.

Por isso é que nós temos que relacionar essas crianças com o educador, porque elas são o futuro de um país. Eu sempre digo que a maior herança que podemos deixar aos nossos filhos é uma boa educação e uma boa saúde. Esse é o papel do poder público, seja ele municipal, estadual ou federal.

Por isso, quando fui prefeito fiz um decreto que vale nessa cidade, determinando que a criança tem que se matricular na escola pública mais perto de sua casa, não importa se ela é federal, estadual ou municipal, porque tudo é público. Esse decreto é válido até hoje, porque aqui no morro da Mariquinha as crianças, por serem pobres, muitas vezes não conseguiam estudar no colégio mais próximo, que era o Instituo Estadual de Educação. Vinham inclusive crianças de outros municípios para estudar na capital, então contemplamos essas crianças, como no Saco dos Limões, na Caieira e outras regiões, as crianças matriculavam-se na escola pública mais perto de casa, que era a Escola Estadual Getúlio Vargas, e assim tivemos um grande aproveitamento, foi a grande mudança que Florianópolis sofreu.

Quer dizer, se nós temos que valorizar a escola pública, temos que fazer com que a escola municipal esteja no mesmo nível da estadual e da federal, porque todas são públicas. É através dessa consciência que se gera o bom profissional, o professor, que além de professor é mestre, porque além de ensinar o conteúdo específico da sua matéria, ele ensina para a vida, ele convive no ambiente social, e é a pessoa mais respeitada por todos naquela comunidade. Seja onde o narcotráfico comanda através da sua ditadura, onde nós temos a maior falta de assistência social, lá está o professor, respeitado como figura, respeitado como responsável por um futuro melhor, de esperança, e é quem pode construir essa esperança.

Os países que mais se desenvolveram foram os que investiram em educação, e não foi em um ano ou dois, mas num determinado período.

Nós sabemos hoje que a educação no Brasil tem muito que melhorar, mas começa por valorizar o profissional proporcionando uma boa formação com cursos de extensão. Eu lembro que nas negociações o professor era incentivado a fazer a pós-graduação, havia essa dispensa por lei, para assim proceder, melhorando a qualidade.

Hoje o nível dos nossos educadores, principalmente em nível de município, todos eles, mesmo trabalhando em creches, já possuem o curso superior, e é exigência da lei. Todas as universidades e todas as fundações no interior elaboraram cursos. E o que nós estamos vendo hoje? Cursos de aperfeiçoamento e cursos superiores para atender essa demanda, mas também estamos vendo que muito dos cursos de licenciatura estão tendo evasão. As pessoas não querem lecionar, estão faltando professores de Física, de Química, porque não há incentivo na sua profissão. Nos cursos de licenciatura de um modo geral, nós estamos observando nas nossas faculdades, nas nossas fundações, o pequeno número de pessoas que se propõe a continuar. Nós temos que mudar essa realidade.

Este professor, no Parlamento, junto aos poderes públicos, vai continuar sempre com essa luta. A nossa luta continua companheiros!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)