Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Djalma Berger

11ª Sessão Extraordinária - 02/06/2005

O SR. DEPUTADO DJALMA BERGER - Sr. Presidente, Srs. Deputados, até parece que está sendo feito de uma maneira premeditada, pois sempre falo depois do Deputado Afrânio Boppré, a quem tenho uma consideração extraordinária em algumas de suas posições e uma relação de longa data.

Eu só queria aqui ressaltar alguns fatos que vêm ocorrendo e elucidar algumas situações que porventura o nosso Deputado tenha esquecido de dizer. Primeiro, a decisão de aumento das tarifas de transporte coletivo é uma decisão de decreto oriundo de administração anterior e que já foi motivo de protesto, em muitas situações.

Eu queria aqui só avivar a memória do nosso eminente Deputado Afrânio Boppré: quando Dário Berger foi Prefeito da cidade de São José, as tarifas do transporte coletivo, em sete anos, foram reajustadas em 29%. Eu duvido, faço aqui um desafio e quero que me comprovem, que me mostrem uma única cidade de Santa Catarina que tenha um reajuste inferior a esse que foi concedido pela Prefeitura de São José nos sete anos em que Dário Berger foi Prefeito daquela cidade. Enquanto que em Florianópolis foi levantado pelo PT, na campanha eleitoral, e levantado brilhantemente pelo PT, diga-se de passagem, que nisso a turma deles é craque, um reajuste em torno de 189%, nos sete anos correspondentes aos sete anos de Dário Berger na Prefeitura de São José.

Então, isso por si só demonstra o comprometimento que o nosso Prefeito tem com a população de sua cidade. Agora, esse compromisso vai além de sua vontade pessoal, vai muito além disso, vai, principalmente, no intuito de respeitar as decisões judiciais.

Caixa preta. Muito se tem falado, muito se falou da caixa preta do sistema de transporte coletivo de Florianópolis. Quando o Prefeito contratou a equipe do Jaime Lerner, sabidamente as pessoas com maior capacidade neste País - não é em Santa Catarina, não é no Paraná - e que têm condições para analisar um sistema e propor soluções a um sistema de transporte metropolitano, de transporte coletivo urbano, aí veio gente de tudo quanto é lado reclamar que contratou isso, que contratou aquilo, que contratou Jaime Lerner, vai pagar não sei o que, vai pagar isso, vai pagar aquilo. Ou seja, naquele momento não querem a solução e depois pregam que precisam de uma solução.

Então, a diferença entre o discurso e a prática é algo que nós, cidadãos, temos que combater e condenar, sob todos os aspectos.

Foi dito aqui desta tribuna, Sr. Presidente, pelo meu antecessor, que eu sou irmão do Prefeito da Capital. Eu nunca neguei isso e até ouso dizer que, em muitos momentos ou em quase todos os momentos, fiz questão de frisar, de relacionar a minha pessoa à pessoa do Dário, que é meu irmão, por quem tenho um orgulho e uma admiração extraordinárias, fruto da minha vinda aqui, e graças ao trabalho dele que estou, nesta Casa, representando também os interesses da nossa população.

Dizer que é projeto de nepotismo ele me convidar para ser seu secretário... Eu ainda não sei como negar um pedido do Dário, porque para mim um pedido dele eu encaro como uma ordem, uma determinação. Eu sou daqueles que respeito a autoridade das pessoas que têm mais qualificação que eu. Eu estou aqui ainda conversando com ele, mas se ele assim o determinar, não tenho dúvida de que servirei ao seu Governo, com muito prazer e com todas as forças que estiverem ao meu alcance. Até faço um pedido: tem um Deputado amigo nosso que tem um projeto anti-nepotismo, que está colhendo assinaturas na nossa cidade contra o nepotismo. Até queria pedir que junto com esse projeto anti-nepotismo ele também colhesse assinaturas para a CPI dos Correios, para o caso Waldomiro Diniz, para uma série de outros eventos que existem no nosso cenário e que os nossos Partidos são responsáveis por isso, para que possamos, aí, sim, ter o mesmo peso para a mesma medida. Porque termos um peso ou dois pesos para a mesma medida é uma forma muito simplista, muito equivocada de se fazer política, em todos os aspectos, principalmente na busca de soluções para a vida pública do Estado de Santa Catarina.

Temos aqui as manifestações! Não sou contra, nunca fui contra e já participei de diversas manifestações políticas. V.Exa. pode até não me ter visto em nenhuma delas, porque era muito mais militante do que eu, muito mais qualificado do que eu, provavelmente, para fazer essas manifestações, mas eu também participei. De igual forma, fui para a rua nas Diretas Já, para aquele episódio da Novembrada, também fiz um monte de coisas, até fruto da idade que se tinha e fruto da nossa determinação para mudanças neste País.

Não sou contra, nunca fui contra, como o nosso Prefeito também não é contra. Isso tem que ficar bem claro. Mas estão colocando aqui como se o Dário fosse contrário à manifestação política, livre, soberana e, para todos os efeitos, de direito para cada um de nós, cidadãos brasileiros.

O nosso Prefeito Dário não é contra a manifestação, ele é a favor da manifestação, mas da manifestação ordeira, da manifestação pacífica, da manifestação que preserva o patrimônio público, da manifestação que preserva, acima de tudo, o direito do cidadão florianopolitano, que é o sagrado direito de ir e vir. Eu digo isso com uma convicção muito grande, e em todas as funções que eu assumi eu nunca abri mão desse direito que tem o cidadão do nosso País, que é o direito de ir e vir, sem que ninguém o incomode.

As manifestações são justas? São justas! Eu não tenho dificuldade nenhuma em compreender que os estudantes, que todo mundo tem o direito de se manifestar. Agora, eles não podem cercear o direito de ir e vir do cidadão.

Sempre colocamos aqui que temos que olhar os dois lados da moeda e não apenas um só. Não temos que admitir a verdade única; temos que escutar a outra verdade também, a outra versão, os outros fatos. Temos que ver também o direito de as pessoas terem tranqüilidade na sua locomoção.

Vimos a matéria, Deputado - e V.Exa. é muito afeito a trazer para esta tribuna reportagens de jornais, de periódicos, para se manifestar, para fazer as suas colocações -, do Diário Catarinense, que diz: "Professor vive momentos de pânico com filha pequena", explicando que o vidro traseiro estilhaçado e uma das portas laterais do Renault Scénic amassadas foram os menores prejuízos que o professor universitário Henrique Mello Lisboa teve com relação à última manifestação, quando os manifestantes passaram pelo lado de seu carro. Essa educação dos nossos alunos seguramente não é aquela que eles estão aprendendo - e que aprenderem - nas salas de aula; não é essa educação que os nossos professores tentaram incutir nesses manifestantes. Esta educação demonstrada - e não são todos, porque a grande maioria são pessoas ordeiras - é aquela que alguns deles trouxeram de casa. E alguns também refletem aquilo que os seus líderes tentam passar.

Não podemos admitir isto, pois a sociedade não agüenta mais! Nós não podemos viver mais uma situação dessas em que um professor universitário, junto com uma criança - eu tenho um filho pequeno também -, passou por um movimento desses e teve o seu carro parcialmente destruído e, acima de tudo, a sua moral, o seu direito de estar ali cerceados, por causa de meia dúzia de manifestantes que não correspondiam com a realidade.

Decisão política é uma decisão que... Antigamente, tudo era fruto da falta de vontade política desse ou daquele governante. Quando outros governantes assumem o poder, daí já é a falta de decisão política e já partem para outra esfera. Não podemos mais conviver com esse tipo de postura: pregarmos um discurso hoje e amanhã, quando estivermos no poder, termos um outro totalmente contrário. Temos que manter uma coerência, temos que manter uma retidão, temos que manter uma identidade de princípios, temos que pregar as mesmas coisas!

Duvido que em algum momento, aqui, alguém poderá dizer que hoje eu tenho um posicionamento acerca de determinado assunto e que amanhã eu o mudei em função de benefícios políticos que isso poderia me trazer. Muito pelo contrário, se há um preceito que rege a minha vida - e a da minha da família também - é o da coerência e da ética no trato da administração e do exercício do meu mandato.

Nepotismo... Quero dizer aqui que a Deputada Ana Paula de Lima teve a filha e o genro do Presidente Lula lotados no seu gabinete. Eu não considero isso nepotismo, em hipótese alguma. Acho que são pessoas qualificadas e merecedoras de toda a consideração da nossa Deputada e do nosso Presidente da República.

Então, temos que tomar cuidado quando falamos em determinados assuntos, Sr. Presidente!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)