Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Cézar Cim

77ª Sessão Ordinária - 21/10/2004

O SR. DEPUTADO CÉZAR CIM - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, gostaria de fazer uma sugestão: seria melhor se o horário ficasse no lado de lá e o nosso painel aqui, para que pudéssemos acompanhar melhor. Se alguém já fez esta sugestão, então, peço desculpas.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Romildo Titon) - Houve uma queda de energia, Deputado, mas na próxima sessão este problema será resolvido.

O SR. DEPUTADO CÉZAR CIM - Muito obrigado, Sr. Presidente. E tem um refrão popular que diz que corrente nenhuma é mais forte do que o seu elo mais frágil. E é verdade, se um elo é frágil, a corrente toda é fragilizada.

Transferindo esse adágio, esse refrão popular da sociedade, é perfeitamente válido porque uma sociedade, enquanto tiver algum dos seus componentes em situação difícil, passando necessidade - e falo agora especificamente de emprego -, enquanto um brasileiro estiver desempregado, a sociedade brasileira toda será frágil por falta de justiça social, por falta de cidadania.

E, falando em desemprego, o Brasil está pródigo em desemprego. E uma das causas desse desemprego, sem dúvida alguma, é a grande carga tributária que impede que o produtor possa desenvolver a sua produtividade. Quem gera emprego é o produtor, e se o produtor não produz, ele não gera emprego.

O Brasil ocupa a desavergonhada posição de líder mundial na cobrança de tributos, já disse isso e vale repetir.

Estamos atingindo a desesperadora carga tributária que chega a 40% do nosso PIB. Atinge as raias da extorsão.

Também tenho dito que tem sido mais fácil criar tributo do que tirar pirulito da boca de criança, porque a criança, quando perde o pirulito, põe a boca no mundo e o brasileiro tem se aquietado, se acomodado quando é vítima da impingência, da ganância tributária em todos os níveis.

Para agravar esta situação, Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, temos a burocracia.

Não bastasse a carga tributária que é imposta ao empresário brasileiro, a burocracia também caminha paralelamente a essa injustiça e faz com que as coisas se agravem cada vez mais.

Já fiz referência, mas pela gravidade da denúncia, pela gravidade que encampa o escrito que recebi, que V.Exa certamente também recebeu, não é demais repetir.

Tenho em mãos uma correspondência da Federação dos Contabilistas do Estado de Santa Catarina, que não suporta mais o tamanho da burocracia. E isso é importante, pelo menos, para que a sociedade tome conhecimento do emaranhado de exigências que são impostas ao contribuinte brasileiro.

Em nível federal, temos:

"DIPJ - Declaração de Imposto das Pessoas Jurídicas;

DCTF - Declaração de Contribuições e Tributos Federais;

DIRF - Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte;

DIRPF - Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física;

DIPI - Declaração de Imposto sobre Produtos Industrializados;

DCP - Demonstrativo de Crédito Presumido - IPI;

DNF - Demonstrativo de Notas Fiscais - IPI;

PER/DCOMP - Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação;

IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte;

INFORMES DE RENDIMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS;

INFORMES DE RENDIMENTOS DE PESSOAS JURÍDICAS;

LALUR - Livro de Apuração do Lucro Real;

IRPJ - Imposto de Renda de Pessoa Jurídica;

CSLL - Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido;

PIS S/FATURAMENTO;

COFINS - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social;

DACON - Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais;

DIMOB - Declaração de Informações s/ Atividades Imobiliárias;

DECRED - Declaração de Operações de Cartão de Crédito;

DITR - Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural;

DAI - Declaração Anual de Isento;

SIMPLES FEDERAL;

LIVRO REGISTRO APURAÇÃON IPI;

LIVRO REGISTRO DE ENTRADAS DO IPI;

LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS DO IPI;

LIVRO REGISTRO E CONTROLE DA PRODUÇÃO E ESTOQUES;

LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO."

Isso, Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, somente em nível federal.

Ninguém suporta mais isso, e têm razão os nossos contabilistas em clamarem, bradarem contra essa imposição, contra essa injustiça cometida com aqueles que são os geradores de tributos neste País, que são os empresários.

E em nível estadual temos:

"DIEF - Declaração de Informação Econômico Fiscal Anual;

GIA - Guia de Informação e Apuração do ICMS;

ECF - Emissor de Cupom Fiscal;

LIVRO DE REGISTRO E APURAÇÃO DO ICMS;

LIVRO REGISTRO DE ENTRADAS;

LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS;

ICMS Guia;

ICMS Guia de Substituição Tributária;

SIMPLES ESTADUAL - Guia

AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS;

DARE - Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais;

SINTEGRA - Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais de Comércio de Mercadorias e Serviços.

MEMORANDO DE ESPORTAÇÃO

Afora isso, temos ainda os tributos municipais:

"Municipal

Livro Registro ISS

Guia ISS

Trabalhista e Previdenciária

Livro de Inspeção do Trabalho;

Livro Registro de Empregados;

Folha de Pagamento;

Vale Transporte;

RAIS - Relação Anual de Informações Sociais;

Contribuição Sindical Patronal e de Empregados;

Contribuição Confederativa;

Contribuição Assistencial;

Contribuição Associativa;

NR 7 - Norma Regulamentar;

NR 9 - Norma Regulamentar;

PIS S/Folha de Pagamento;

GPS - Guia de Previdência Social;

GFIP - Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social;

CAGED - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados."

Os contabilistas não suportam mais essa grande sacanagem que, repito, é imposta ao nosso setor produtivo.

E dentro dessa linha de raciocínio, Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, eu me deparei com um artigo muito oportuno publicado na coluna Opinião do Jornal de Santa Catarina, cujo título é A Odisséia dos Pequenos, onde se faz referência de que o Estado de Santa Catarina está entre os Estados brasileiros que mais respeita o contribuinte e que tem a menor exigência de documentação.

Encerra o artigo nestes termos: "Mas o exemplo é uma exceção à regra. Um obstáculo a ser afastado é a burocracia que, no País, impõe nada menos que 17 procedimentos e 152 dias para abrir uma oficina mecânica de fundo de quintal."

Ou seja, 152 dias para abrir uma "esquentoreira", como diria o tijucano, Deputado Joares Ponticelli.

(Continua lendo)

"Além disso, as pequenas e microempresas suportam carga tributária que é superior a 15% do seu faturamento anual e mensal, além de encargos sociais que oscilam entre 60 e 100% dos salários que pagam."

Isso é uma loucura, isso é extorsão e, como diria o migrante, é roubo mesmo!

(Continua lendo)

"E diante dela, cabe perguntar a quantas anda o prometido projeto de lei complementar destinado a oferecer condições mais favoráveis à formalização de pequenos negócios no País."

É lamentável, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, que além de toda carga tributária que nós estamos enfrentando, também tenhamos que enfrentar a burocracia que atravanca o progresso, como diria o caboclo. É uma pena que nós tenhamos que ocupar a nossa tribuna para fazer um registro tão deprimente, tão lamentável, tão triste como esse da carga tributária brasileira e da burocracia que caminha paralela a ela.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)