56ª Sessão Ordinária - 18/08/2004
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, senhores que nos acompanham e imprensa.
Vamos aproveitar o embalo da falação do nosso eminente Colega, que inclusive é conterrâneo nosso, para dizer que há muito tempo vimos nos batendo com relação às péssimas condições das nossas rodovias federais, evidentemente sempre fazendo uma ressalva. Por coerência, nós não podemos bater impiedosamente em quem está hoje lá, porque esse descuido com as nossas rodovias remonta há muito tempo. Só que o tempo está passando e essa crueldade bendita aqui pelo aparteante e também admitida pelo Deputado Dionei Walter da Silva... E vejam que tem recursos, mas em função desses famigerados contratados... E o Brasil é um emaranhado, um cipoal, e tem um modelo realmente muito cruel. Daí ficamos assistindo a situações...
Por exemplo, com relação às rodovias federais de Santa Catarina, só neste último final de semana houve 16 mortes, e neste ano já foram registradas mais de 300 mortes, algo em torno de 4 mil feridos e 7 mil acidentes. É evidente que aí está embutido também a imprudência do motorista, mas as nossas rodovias pedem socorro.
Eu creio que toda pressão que se fizer junto ao Governo Federal é legítima e oportuna. E ela precisa ser feita, pois o Governo hoje tem recursos. Precisamos negociar, porque eu também não prego uma ruptura. Vivemos num estado de direito democrático e quem viveu uma ditadura não quer viver uma segunda, e uma ruptura é o início para qualquer coisa, é imprevisível.
Então, não prego uma ruptura, mas, sem sombra de dúvida, é preciso jogar com muita firmeza nas relações com os ditos credores e com outros que nos impõem essas condições até humilhantes, porque rodovia é infra-estrutura e vai comprometer o progresso nos próximos anos.
A economia brasileira trafega pelas nossas rodovias, queiram ou não, quer seja da indústria, com os produtos primários, a soja, enfim, tudo! O sucesso das nossas exportações está intimamente ligado às nossas rodovias. Eu já fui caminhoneiro, num passado bem distante, e naquela época o frete era bom e as estradas eram novas. Tenho falado ultimamente muito da BR-116, que é uma das rodovias mais antigas e que já sofreu algumas recuperações. E é evidente se continuarmos tapando apenas buracos, nós correremos o risco de ver a nossa BR-116 nas condições da BR-282, nas mediações de Boa Vista. Lá não tem mais o que fazer! Remendaram um buraco que já foi remendado várias vezes!
Então, é uma situação muito séria. Acho que precisamos dar um tratamento mais duradouro, com uma medicação que se não for capaz de curar esse paciente que está gravemente enfermo - e estou me reportando às nossas rodovias -, que, no mínimo, esse tratamento seja o mais duradouro possível.
Há alguns dias nós apresentamos um requerimento que foi aprovado, solicitando a presença do Dr. João José dos Santos a esta Casa. E ele prontamente respondeu, prontificando-se a comparecer aqui, Sr. Presidente. Mas estamos encontrando dificuldades para agendar uma data aqui neste Parlamento. Felizmente, hoje, numa conversa com o Deputado Reno Caramori, parece que ficou agendado para o dia 9.
Acredito que esse senhor tem as suas atribuições e que o seu poder é limitado. Mas há indícios da presença do Ministro aqui em Santa Catarina e creio que seria de bom alvitre que a Assembléia Legislativa, e não só a representação do PT ou os Deputados que fazem parte da base de sustentação do Governo, conversassem com este Ministro para sensibilizá-lo, porque do jeito que está, a coisa vai de mal a pior!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)