105ª Sessão Ordinária - 20/12/2006
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente sras. e srs. deputados, estou muito preocupado com o que vejo aqui no dia de hoje, pois me parece que isto é uma amostra do comportamento que os deputados do governo vão adotar no cumprimento das ordens do imperador Luiz Henrique da Silveira. Basta ver como se encontram os assentos da base do governo, sequer permanecem no plenário para combater o bom combate, para debater, para discutir, para argumentar, para defender ou justificar. Ignoram! Este vai ser o comportamento de um governo arrogante, autoritário, que intimida os seus e que tenta intimidar a oposição.
Companheiros do meu partido, o PP, companheiros do PT e deputada Odete de Jesus, nós treze da Oposição, na próxima legislatura, apenas 13, se não tivermos aqui permanentemente a presença da sociedade organizada, como os besquianos nos ensinam no dia de hoje, imaginem o que acontecerá com este Parlamento. Sem a presença das senhoras e dos senhores aqui, a partir do próximo ano, este Parlamento será, com freqüência, colocado de joelhos, como está hoje, lambendo as botas do imperador Luiz Henrique da Silveira. Esse é o comportamento. E a que custo? Ao custo da dilapidação do nosso patrimônio. Eles são vorazes demais. Em quatro anos eles consumiram U$ 300 milhões do BID IV, que ficou pronto e U$ 100 milhões do Microbacias II. Venderam grande parte do nosso patrimônio e quebraram o estado.
Tudo por conta de uma megaestrutura de cargos comissionados, para sustentar político derrotado ou candidato para as próximas eleições, à custa do patrimônio construído ao longo da história pela gente catarinense. E o que é mais grave: sob suspeitas que me intrigam muito.
Eu levantei agora há pouco um dado e informo o endereço: site do TSE. É uma informação que eu não sabia: a conta de campanha do candidato a governador, Luiz Henrique da Silveira, foi aberta num banco chamado Bradesco.
(Manifestações das galerias)
Por essa conta transitaram R$ 7.250 milhões. Não foi no Besc e não foi em nenhum outro banco público. Foi no Bradesco, consta do site do TSE. Na conta do comitê financeiro único do PMDB: R$ 7.292 milhões. Portanto, quase R$ 15 milhões de movimentação. Nada menos do que no Bradesco!
Talvez daqui a pouco, se conseguirmos só mais uma assinatura, porque vamos ter apenas 13 aqui na Oposição - e para abrir uma CPI precisamos no mínimo de 14 - quem sabe, ao longo dos próximos quatro anos, possamos compreender quais são os outros interesses que estão por trás dessa operação ilegal, imoral e criminosa contra o patrimônio dos catarinenses. Deve haver outros interesses, senhores! Deve haver coisas obscuras, escondidas, como no caso Aldo Hey Neto, que vimos ontem o assassinato de uma CPI mal iniciada. É um governo que tem muito cadáver no armário. E vamos precisar da presença, da vigilância e do apoio da sociedade catarinense, para que possamos evitar, ou que tentemos evitar a implantação de uma ditadura contemporânea aqui no estado de Santa Catarina.
Mas penso que nós teremos caminho! Se inevitável for, conter esse ato criminoso que esta Casa está prestes a praticar, penso que teremos uma forma de dar a resposta que este governo arrogante, prepotente, negador da palavra e fraudulento, está por merecer. Acho que aí os funcionários do Besc terão uma missão ainda mais importante, especialmente a sua direção, no sentido de já, a partir de amanhã, emitir uma carta para cada servidor público de Santa Catarina, para o titular de cada uma das 116 mil contas, e contar que há muito cheiro de podre no reino da Dinamarca, e que o protesto do catarinense que ama o Besc, do catarinense que ama o seu patrimônio, será dizer "não" a banqueiros que vêm para o nosso estado se apossar do nosso patrimônio, às custas das agências pioneiras, do fechamento, quem sabe, de quase 150 agências, que são únicas nos pequenos municípios de Santa Catarina.
Esta terá que ser a nossa ferramenta, numa resposta a um governo mentiroso e arrogante, que enganou a população e mostra a sua verdadeira face autoritária, antes mesmo de assumir. E o servidor tem essa arma de dizer "não, eu não quero transferir a minha conta!" Porque a partir de janeiro, a portaria do Banco Central vai facultar aos servidores escolher a agência bancária onde queira receber seus vencimentos.
Portanto, esse terá que ser o nosso desafio, dizer "não" ao Bradesco, dizer "não" a esse negócio, porque, não tenham dúvida, existem outros interesses por trás. Vai ser a nossa vez, como servidores, de dizer "não"! Nós não vamos avalizar esse negócio que poderá comprometer o futuro do nosso banco!
Por isso estou muito preocupado com o futuro das nossas agências pioneiras, especialmente, com o futuro dos pequenos municípios. Quero me colocar à disposição se não conseguirmos evitar, por conta do ajoelhamento, do curvamento desta Assembléia à vontade soberana, arrogante e autoritária do governante. É preciso que iniciemos logo no dia de amanhã uma cruzada, um trabalho intenso, diuturno, se for preciso, para salvar o Besc. Está em nossas mãos! Tivemos uma oportunidade, boa parcela da população entendeu a nossa mensagem de salvação do estado, mas infelizmente por apenas 5% de diferença, e por conta de uma megaestrutura eleitoral como nunca se apresentou neste estado, não conseguimos fazer essa mensagem ser compreendida por 50% mais um.
Mas a cruzada tem que começar agora, do contrário vamos ver em quatro anos, cada vez mais acelerada, a dilapidação do patrimônio da gente catarinense. Estou junto na luta e vamos começá-la a partir de hoje.
Um grande abraço e sucesso para todos!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)