Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Ceron

19ª Sessão Ordinária - 05/04/2006

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, vamos utilizar o horário partido, hoje, para fazer algumas considerações.

Deputado Onofre Santo Agostini - e conto com a sua atenção e participação -, gostaria de fazer dois registros. Primeiramente, quero registrar a quase chegada do asfalto a São José do Cerrito. De fato, para nós, da região serrana, isto é um motivo que nos alegra por que há quantos anos esperamos, quanta pelea, quanto churrasco, quanta placa e, principalmente, deputado Djalma Berger, quanto sofrimento daquele povo bravo e trabalhador, mas que não vê perspectivas.

Então, ao menos, o asfalto está chegando até São José do Cerrito. E daí continua a nossa luta, deputados Onofre Santo Agostini e Reno Caramori - e v.exa. conhece bem aquela região -, para reiniciarmos os trabalhos até Vargem e de lá até o entroncamento da BR-470.

Está enroscado em Brasília; é problema do Tribunal de Contas da União; é gente desconfiando que esse rolo beneficia, porque daí não precisa investir dinheiro.

De toda forma, ao governo do estado, ao governo federal, mas principalmente à paciência do povo serrano, o nosso registro por essa obra que ainda não está concluída, evidentemente por isso ainda não pode ser inaugurada. E, porque é uma obra federal, evidentemente, há a necessidade de que os governos federal e estadual, juntos a concluam, inaugurem-na, e recomecem o trecho lá para frente.

Mas eu quero começar um outro assunto.

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Pois não!

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Deputado, quero aqui registrar também que essa obra da BR-282, muito esperada para a região serrana, já foi motivo inclusive de alguns pronunciamentos, nesta tribuna, de v.exa., dos deputados Onofre Santo Agostini, Sérgio Godinho, até cobrando do governo federal a execução e a conclusão dessa obra, e fico feliz que venha a tribuna dizer que essa obra está sendo concluída graças ao governo do presidente Lula, que investiu naquela obra, bem como pela ajuda do governo do estado que também investiu naquela obra, tantas vezes prometida para aquela população e nunca sendo concluída.

Graças a Deus que a população da região serrana teve esse benefício, como está tendo também a região sul, da BR-101 sul, que foi compromisso do presidente Lula.

Muito obrigado!

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Muito obrigado, deputada Ana Paula Lima!

Agora, o povo serrano é muito grato. Fica bravo quando as coisas não acontecem e ainda não está acontecendo a chegada dos recursos do governo federal lá naquela obra, deputada Ana Paula Lima, mas como somos pacientes e essa obra só começou em 1766...

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini (Intervindo) - Faz tempo, sr. deputado!

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Faz tempo! No tempo de Nossa Senhora dos Campos de Lages, era assim que se chamava a nossa querida Lages na época. Não temos ela concluída. Mas vamos torcer, agradecer a quem ajudou. Nesse trecho o governo estadual locou efetivamente neste ano R$ 5 milhões, e o saldo do governo federal, enfim, está chegando. Isso que é importante. Mas é importante e premente que se inicie o trecho lá para frente, deputado Onofre Santo Agostini, v.exa., que tem passado muito por essa região.

Deputados Reno Caramori e Sérgio Godinho, v.exas. também estavam lá na sexta-feira à tarde, naquele monstruoso movimento que foi feito no entroncamento da BR-282 com a BR-116 promovido pelo nosso amigo Israel Marcon, presidente do Sindicato da Madeira da Região Serrana. E foi muito bem incorporado, encorpado o movimento pela participação dos produtores, deputado Joares Ponticelli, dos produtores agrícolas, com exposição de tratores, de implementos para mostrar a Santa Catarina e ao Brasil a angústia que o setor produtivo está vivendo.

Lá nos ouvimos o pronunciamento de v.exa., deputado Reno Caramori, que é o presidente da comissão que cuida da parte florestal, da madeira aqui, na Assembléia Legislativa, com muita competência. Ouvi o pronunciamento muito oportuno dos deputados Onofre Santo Agostini e Sérgio Godinho, mas mais do que tudo isso aí nos chamou a atenção a ansiedade, para não dizer desespero do nosso produtor.

Ouvi o depoimento do ex-prefeito de São Bento dizendo que depois de 60 anos com a empresa religiosamente em dia, hoje tem problemas para poder manter a empresa aberta. Ele começou a falar e, aos prantos, nos relatou uma agonia que não é só dele. Dizia: "Se fosse só eu não teria problema, o problema é que todos os produtores de móveis de nosso estado estão numa situação em que não fecharam ainda por teimosos, ou melhor, pelo espírito empreendedor que esses empresários têm".

Eu invoquei, deputado Sérgio Godinho, v.exa. que também estava lá, ajudando no evento da sexta-feira em Lages. Eu queria fazer esse registro, aqui na Assembléia Legislativa, do momento grave que vive o setor que produz em nosso estado. O produtor de milho gasta em torno de R$ 10,00 à R$ 12,00 por saca, só de custeio. E hoje à R$ 9,00 ele não consegue colocar, à R$ 9,00 ele não consegue vender o seu produto. A soja que custa R$ 25,00 à R$ 26,00 custeio de produção, hoje esta a R$ 15,00, R$ 16,00. Arroz, banana, enfim, o setor produtivo. E ai o governo se vangloria do Bolsa Família .

Daqui a pouco, deputado Vânio, estamos todos nós na fila do Bolsa Família, e vamos votar em quem nos dá os R$ 60,00 do Bolsa Família. Como se esse fosse um projeto de desenvolvimento, esmola não! Nós precisamos de política de incentivo à nossa produção.

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Concedo a v.exa. um aparte, porque com certeza vai trazer mais dados e enriquecer esse pronunciamento que procurei fazer nesta tarde.

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Deputado, vou dividir esse pequeno aparte em dois trechos. Primeiro, quero lembrar a v.exa., que quando eu era criança, via alguém contar que um cidadão que era pedreiro, foi partir uma pedra e deu mil marretadas para partir esta pedra. Quando chegou na milésima marretada a pedra se abriu. Alguém perguntou: qual foi a marretada mais importante de todas? Claro que foi a milésima, porque abri a pedra, não, foi a primeira.

Por isso com relação à estrada de São José do Cerrito, nós queremos aqui prestar uma homenagem àqueles que trabalharam, que deram as primeiras marretadas. Ivan Ranzolin, Juarez Furtado, Francisco Küster, Coruja, Romildo Titon, Reno Caramori, Sérgio Godinho, todos aqueles que deram a primeira marretada, para agora colherem os louros dessa milésima marretada para a conclusão.

Quanto ao segundo aspecto, deputado, eu participei da primeira manifestação no município de Pouso Redondo. Vi um homem de cabeça branca, chorando e dizendo assim no discurso: eu me quebrei, estou quebrado, quarenta e seis anos de atividade, e estou falido. Eu não fali por má administração, o governo me quebrou, o governo me quebrou.

Vou demitir todos os meus funcionários, porque a política econômica do governo federal é um desastre, ela me quebrou. Isso eu ouvi lá em Pouso Redondo, quando vi a manifestação no município de Lages. Realmente a situação é grave, gravíssima. Eu tenho muita esperança, porque com a mudança do ministro, pode ser que o governo crie juízo e mude essa política desastrosa.

O Sr. Deputado Sérgio Godinho - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Como vou ter trinta segundos de prorrogação, concedo um aparte ao deputado Sérgio Godinho.

O Sr. Deputado Sérgio Godinho - Queria parabenizá-lo pela colocação, foi um movimento maravilhoso, foi uma manifestação muito forte, esperamos que isso possa sensibilizar o governo. Eu citei naquela ocasião, que é todo o setor produtivo, deputado Ceron, que foi empresário também, e sabe quanto o empresário sofre com essa carga tributária. Mas o caso específico da madeira é um setor que realmente estão passando muita dificuldade, o que está gerando uma insegurança e um desespero muito grande na população e no setor produtivo.

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Muito obrigado, deputado!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)