56ª Sessão Ordinária - 04/07/2006
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente e srs. deputados, confesso que às vezes fico confuso com algumas intervenções que são feitas aqui na tribuna, a exemplo da intervenção que me antecedeu. Fazendo uma valorização, enaltecendo um personagem político como foi o ex-governador Pedro Ivo, o deputado Peninha promove valores que, a meu juízo, são cada vez mais escassos na política em geral, em particular em Santa Catarina, quando fala que o ex-governador faria qualquer coisa para não negar os seus princípios, os seus valores, os seus valores políticos, programáticos.
Confesso que entendo que o PMDB já tem de longo tempo uma atração em relação ao PFL, deputado Herneus de Nadal, e às oligarquias, porque o próprio governo Paulo Afonso já contou com a participação do PFL. Naquela ocasião foi um acordo de segundo turno, em 1994. Desta vez, não. É uma aliança que já se estabelece desde o primeiro turno. Fico questionando por que a bancada federal do PMDB de Santa Catarina, a sua bancada estadual, os membros da direção do partido, sejam eles da direção estadual ou municipal, não se manifestam a respeito desse ato, que, eu acho, é a negação dos princípios que o deputado Peninha veio aqui enaltecer, é a negação dos princípios!
Então, dos mortos enaltecem os princípios e dos vivos se fortalece a quebra dos princípios. O PMDB é um partido do qual nós podemos dizer que pode falar de um Ulysses Guimarães e de um Pedro Ivo. Feliz do partido que teve um Ulysses Guimarães, que teve um Pedro Ivo, mas é preciso dizer que é lamentável que tenha um Luiz Henrique da Silveira ou um Renan Calheiros, que colidem completamente com sua história.
Por isso digo que às vezes é necessário entender o que se está falando aqui, porque para o passado batem palmas, mas no presente não praticam os bons ensinamentos. É a negação do processo de aprendizagem. Falo dessa forma porque eu não vi durante esse período o que o PMDB iria fazer, ou seja, se teria candidatura própria ou não, se seria o Garotinho, ou o Pedro Simon. Eu vi algumas lideranças se defenderem, levantarem-se. O senador Pedro Simon, por exemplo, se levantou para defender uma tese. Mas aqui em Santa Catarina é o silêncio. E eu me pergunto, por que o deputado Edison Andrino não se manifesta a respeito disso? Pelo contrário! Por que entre os deputados aqui da Assembléia Legislativa não há ninguém que fale do sentido da coerência na relação PMDB/PFL. É assim: aceita-se facilmente!
Por isso quero, às vésperas do encerramento das articulações, também deixar registrado o estranhamento desse momento de silêncio. Todos baixam a cabeça e obedecem. Não houve uma única voz dentro do PMDB de Santa Catarina que apontasse um caminho diferente. Todos foram coniventes com esse tipo de situação, que eu quero dizer, mesmo sendo filiado a um partido ideologicamente oposto, mas como cidadão catarinense, precisamos discutir o que está acontecendo na política catarinense. Nós vamos para uma eleição na qual o eleitor vai ter muita dificuldade de saber o que está acontecendo. Eu já falei! O deputado Ronaldo Benedet, em Criciúma, vai botar o 25 no peito ou não vai? Vai botar o 25 no peito, vai defender o PFL, vai-se explicar para as suas bases, tenho absoluta certeza...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)