Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Carlos Vieira

78ª Sessão Ordinária - 03/10/2006

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. presidente e srs. deputados, povo de Santa Catarina, funcionários desta Casa, primeiramente, a minha solidariedade a todos aqueles que, como eu, deputado estadual, não conseguiram a sua reeleição. Mas agora eu também quero fazer o pedido de algumas explicações.

O presidente da sessão, neste momento, é o deputado Lício Silveira, mas eu gostaria que aqui estivesse também o presidente Julio Garcia, porque ele é testemunha de alguns fatos e eu queria fazer o registro desses fatos.

Eu tive uma campanha, srs. deputados e povo de Santa Catarina, envolvido em um suicídio em uma sala ao lado da sala do meu gabinete. Em momento algum me permitiram falar sobre o assunto ou alguém veio perguntar-me a respeito. Mas no dia do debate público entre os candidatos ao governo, na RBS, no dia 27, deputado Lício Silveira, aquela emissora divulgava chamadas para a notícia que seria veiculada no dia 28. Que notícia era esta? Eu também quero saber, porque no dia 28 mostraram duas pessoas que não sei quem são e que nada falaram sobre o episódio. Evidentemente, queriam fazer com que o assunto fosse requentado.

Quando eu tento justificar o porquê da minha votação, encontro em alguns e-mails - e isso foi um amigo que me passou, deputado João Henrique Blasi, mas depois vou fazer uma solicitação a v.exa. - o seguinte:

(Passa a ler)

"Tava falando com um taxista amigo meu, ele me disse que ontem" (isso foi no dia 27 de setembro) "o dep. Vieirão e o dep. Dentinho roubaram os carros da irmã dele. Deram um cheque de R$ 50.000,00 por um Scenic e um Gol e depois sustaram, aí desapareceram com os veículos... Acho melhor tu tirar as propagandas no teu carro, hein... O caso já está na polícia!

Sem contar que o Dimas e outras pessoas foram lesadas por eles com esse mesmo golpe, saiu até na coluna do Cacau uns dias atrás." [sic]

Isso aqui está na Internet. Depois quero justificar, deputado João Henrique Blasi, o porquê da minha votação.

Mas eu quero fazer uma observação e aí me falta o presidente da Casa.

No dia 31 de agosto, deputado João Henrique Blasi, v.exa. foi reeleito e vai continuar, até dia 31 de janeiro, líder do governo nesta Casa. Eu vou exigir do presidente desta Casa que aquilo que eu solicitei no dia 31 de agosto seja levantado nesta Casa: uma sindicância para apurar esse sistema de carros na Assembléia Legislativa do estado. Fato que tomei conhecimento no dia 31 de agosto e nesse mesmo dia, por telefone, eu fiz essa solicitação ao presidente desta Casa. E logo depois me apareceu - a denúncia foi feita por um delegado de polícia e isso foi feito na rua e trouxeram a notícia - o Wanderlei Redondo, que, se não me engano, exerce função junto ao gabinete do presidente.

No mesmo dia, o sr. Carlos Antônio Blosfeld, que é diretor de Recursos Humanos da Casa, substituindo o chefe-de-gabinete da Presidência, procurou-me para dizer que eu não esquentasse, que não existia absolutamente nada de irregular. E aí eu, no dia seguinte, 1° de setembro, deputado João Henrique Blasi, recebi a seguinte correspondência do delegado Wanderlei Redondo:

(Passa a ler)

"Sr. Deputado,

É com constrangimento que me dirijo a Vossa Excelência para humildemente me desculpar pelo inoportuno e desproposital comentário que fiz em data de ontem a respeito de venda de veículos através de seu gabinete.

Ressalto que não tenho conhecimento de fatos ou evidências que possam envolver o nome de Vossa Excelência ou de qualquer pessoa que esteja a seus serviços, nesta ou fora desta Casa, quer na venda de veículos ou de outro fato que possa desaboná-lo.

Peço, respeitosamente, que me desculpe por esse mal entendido, assim como fico na expectativa que tal fato não venha a empanar a amizade que nutrimos durante longos anos.

Cordialmente

Wanderley Redondo" [sic]

Essa correspondência é do dia 1° de setembro, deputado Joares Ponticelli. E no dia 18 de setembro houve o suicídio na minha sala. Aí é jogado na imprensa um esquema de veículo.

O delegado Wanderley Redondo foi pressionado para fazer essa correspondência? Há que se investigar isso. E por quem ele foi pressionado? Precisamos levantar, nesta Casa, quantos veículos foram negociados. Inclusive, pessoas da Casa adquiriram veículos, funcionários em cargo em comissão, policiais militares, e não se sabe de nada! Mas na Internet eu era o ladrão! O assunto era meu. Exijo que esse fato seja apurado! O suicídio foi no dia 18 de setembro e até hoje não sei absolutamente nada a respeito do que a polícia está apurando, deputado João Henrique Blasi, nem da malsinada carta que o suicida teria deixado. O que diz essa carta? Faz sigilo para quê? Para favorecer a minha candidatura? Favorecer a minha campanha?

Tive que explicar ao meu eleitorado que não tinha nada a ver com esse negócio, nem sabia! Mas, infelizmente, as urnas mostraram que tudo isso foi provocado para que o deputado Antônio Carlos Vieira não voltasse para esta Casa. Não tem problema! Acho que não perdi, o povo perdeu ao assim decidir, mas ele é soberano.

Quero aqui, deputado João Henrique Blasi, v.exa. que vai continuar sendo líder do governo, solicitar que interceda com o sr. presidente, deputado Julio Garcia, para que esse fato, que solicitei no dia 31 de agosto, seja apurado. Recebi essa carta do delegado Wanderley Redondo, neste envelope que diz: "Ao deputado Antônio Carlos Vieira, em mãos, confidencial".

Quem estava pressionando o delegado Wanderley Redondo para desdizer aqueles comentários que estavam acontecendo nesta Casa com relação à responsabilidade do meu gabinete e deste deputado? Diz na Internet que até cheques meus foram dados. Apontem-me um cheque que tenha sido devolvido ou sustado de minha emissão! Mas isso não atrapalhou na minha eleição, deputado Joares Ponticelli.

Vou fazer mais uma denúncia aqui contra a Casa, porque se é para lavar roupa suja, vamos começar a fazê-lo. Eu recebi um documento, datado do dia 25 de setembro, da Afalesc, devolvendo-me um cheque de R$ 1.259,19 por cobrança indevida da minha despesa de gabinete. Seria despesa de refeição. Jogaram o documento para R$ 1.271,90 como despesa de restaurante, só que essa despesa não foi feita, mas debitaram da minha verba de gabinete e o cheque me foi devolvido. Um dinheiro público é entregue para um deputado. Eu devolvi o cheque. Esse cheque tem que ser devolvido para a Assembléia, não para a minha conta! Tem que ser devolvido para a Assembléia, pois foi a Assembléia que pagou! Agora, se isso acontece com este deputado, será que não acontece com os outros? Será que é só este deputado que recebe a devolução de um cheque de despesas de gabinete na sua conta?

Deputado João Henrique Blasi, há alguma coisa que precisa ser investigada nesta Casa. Tenho aqui o número do cheque e o meu ofício devolvendo-o, porque não aceito dinheiro público, dinheiro que não foi ganho com o suor do meu trabalho, na minha conta.

Não me elegi, mas até 31 de janeiro vou ser deputado desta Casa e vou cobrar da Presidência a sindicância com relação ao esquema de carros. Vamos ver quem negociou carros nesta Casa! Vamos ver quem comprou, quem são os envolvidos com a compra de carros nesta Casa! Vamos esquecer a eleição, já passou, já fui derrotado, mas quero saber quem são os responsáveis por esse golpe que levou um funcionário ao suicídio. Não vou perquirir aqui para saber por que ele chegou às 7:30h e suicidou-se às 10h na sala ao lado da minha. Não vou imaginar. Mas vou imaginar, sim, que alguma coisa houve neste interregno.

A polícia tem que investigar! Eu já paguei o preço por ter ocorrido no meu gabinete. Não sei a razão que o fez cometer o suicídio, mas fiquei do dia 18 do mês passado, antes da eleição, até hoje, srs. deputados, sem poder manifestar-me, porque a imprensa não me procurou para pegar informações, absolutamente! A polícia, por outro lado, quis talvez, desculpar-se ou, talvez, aliviar a barra do meu lado...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)