Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Pedro Uczai

83ª Sessão Ordinária - 10/10/2007

O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Sra. presidente e srs. deputados, primeiramente manifesto aqui, em nome da nossa bancada, o Partido do Trabalhadores, e certamente também em nome de toda a Assembléia Legislativa, o nosso sentimento e a nossa solidariedade às famílias que perderam os seus entes queridos nesse trágico acidente ocorrido no oeste do estado no dia de ontem.

Por isso solidarizo-me, somado a tantas outras vozes, com as famílias dessas pessoas que foram vítimas desse acidente ocasionado pela irresponsabilidade causada por motoristas que trafegam nas nossas estradas.

Em segundo lugar, quero lamentar aqui, em nome da nossa bancada, que lutou tanto contra os pedágios neste país, contra os pedágios em Santa Catarina e que mobilizou as entidades da sociedade civil, através deste Parlamento e da Frente Parlamentar contra o Pedágio, que tivemos de assistir nos noticiários de ontem e hoje à definição dos pedágios neste país.

O nosso partido vai continuar com os seus princípios, o nosso partido vai continuar defendendo o patrimônio público e sempre se manifestará contrário a essa forma de gestão das nossas rodovias no país.

Em terceiro e em último lugar, o que me move estar aqui hoje é o fato de trazer a história, eu sou historiador, da América Latina, a história de uma liderança que mexeu com várias gerações nesses últimos 40 anos da juventude, desde as décadas de 60, 70, 80 e neste momento, eis que se comemorou no dia de ontem os 40 anos da morte e execução de Che Guevara.

Manifesto aqui em duas grandes direções o meu discurso. Qual a formação de Che Guevara? Não só profissional, como médico de uma família argentina, mas a formação humana, o caráter, a personalidade, a integridade, os sonhos, as utopias de construir. Ele não foi especialista em estratégia militar, em tomada de poder. O Che Guevara era um grande humanista que se indignava com as injustiças, que se indignava com os processos de exploração e dominação sobre os povos da América Latina produzidos e protagonizados, principalmente, pelos Estados Unidos, país imperialista. Portanto, foi uma figura histórica que se indignou com as injustiças e que produziu esperança para construir uma sociedade sem exploração, sem dominação, uma sociedade igualitária, uma sociedade onde o imperialismo não poderia ser hegemônico.

Ele queria construir uma sociedade com justiça. Ele foi uma figura humana, um líder que defendeu a necessidade de conhecimento, de cultura, de escola, de hospitais, de construção de uma sociedade não só economicamente justa, mas uma sociedade culturalmente plural e diversificada, uma sociedade humanista. E ele alimentou um profundo amor à humanidade.

(Passa a ler.)

"Permita-me dizer-lhes, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor[...] Todos os dias é preciso lutar para que esse amor à humanidade viva se transforme em fatos concretos, em atos que sirvam de exemplo de mobilização" (Che Guevara). [sic]

Portanto, é esse o sentimento que temos que trazer aqui quando construímos tantas experiências na América Latina, tantas ditaduras militares de um lado e sonhos, utopias, de outro.Mas o outro lado do meu discurso é a memória e a história do Che, que aqui precisa ser vivificada. Não quero torná-lo herói, torná-lo um mito, mas quero colocá-lo dentro da história. Por isso a memória dele é fundamental para o nosso presente e para o nosso futuro.

O nosso Brasil precisa ser uma nação soberana e independente. Quando vejo capitais estrangeiros comprarem as nossas usinas, as nossas terras, quando vejo eles se apoderarem de nossas rodovias para levarem o lucro para o estrangeiro, vejo que o Che é atual, contemporâneo e futuro.

Temos que construir uma sociedade, uma América Latina integrada, onde os povos possam sentir-se gente, dignos de poderem ficar de pé.

Quando eu vejo uma revista que não quer apagar a memória e a história, mas quer resignificar o papel e a história de Che; quando vejo a revista Veja publicar artigo do tipo "Che, a farsa do herói" e leio os artigos de Diogo Mainardi e outros, que tentam descaracterizar a memória e a história de Che; quando uma revista presta um serviço aos imperialiastas; quando uma revista presta um desserviço à história; quando uma revista diz que uma sociedade democrática tem que ter o direito de livre expressão, mas não pratica isso; quando uma revista tenta desconstruir a história de um líder, de um humanista, de alguém que se indignou com as injustiças, essa revista não está exercendo o direito de livre expressão!

"Há 40 anos morria o homem e nascia a farsa."

Olhem o que uma revista é capaz de dizer! Será que nós todos somos idiotas, ignorantes de não conhecer a história de Che, a vida de Che? Quando ele construiu hospitais e escolas em Cuba, ele foi construindo a luta de uma sociedade mais justa e igualitária na América Latina.

E essa revista a serviço dos imperialistas, a serviço desses que mataram tanta gente nessa América Latina, tem que ser banida da história deste país. Essa revista faz um desserviço para a democracia, portanto, deveria ser tocado fogo nela. Eu não tenho fósforo aqui, porque senão eu tocaria fogo nessa porcaria de revista! Mas, então, rasguemos essa revista! Rasguemos essa porcaria de revista, porque ela não presta serviço para a democracia deste país!

Por isso, temos que trazer à memória a história do Che como esperança, como utopia, como sonho, como justiça, como igualdade.

Nós, que somos do PT, que somos do Partido dos Trabalhadores, que lutamos com os pobres do campo, com os pobres da cidade, com os agricultores, deputado Dirceu Dresch, somos contra esse capitalismo tanto destrói e seremos Che sempre!

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)