42ª Sessão Ordinária - 20/05/2009
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente e srs. deputados, com certeza esse é um grande tema que os Parlamentos catarinense e brasileiro têm que enfrentar. Ouço muitos deputados falando que o Judiciário não deve legislar. E sobre a questão da fidelidade partidária, o Supremo Tribunal já se pronunciou e criou regras no nosso país. Quanto à reforma política, eu temo que, se o Congresso Nacional não tiver vergonha de enfrentá-la e fazê-la, logo, logo o Supremo vai novamente legislar sobre essa questão.
Então, essa é a primeira questão que quero deixar clara: a coragem de nós, políticos, enfrentarmos esse tema. O grande problema que o nosso partido já identificou é que os deputados que estão lá hoje não foram eleitos para fazer a reforma política. Eles não vão fazer - e aí concordo com o deputado Edison Andrino - uma reforma profunda como é necessário.
O meu medo e preocupação - e não tenho muita dúvida disso - é que, se houver a lista, vão sair os deputados prioritários. Mas existem duas propostas, uma em que teria prioridade quem está aí hoje e outra em que não há prioridade, o partido reúne-se com os seus delegados e discute a lista.
Agora, eu sou muito favorável à lista. Eu não vejo financiamento público de campanha sem que os partidos sejam financiados. Porque se financiarem os candidatos, continuará o processo de corrupção. O partido é uma instituição. Então, como é que a pessoa física irá receber dinheiro? Como os candidatos receberão dinheiro, sem passar pelo partido? Isso não existe. Portanto, financiamento público sem lista partidária não funciona.
Outra questão importante é que eu vejo muito medo por parte dos deputados de enfrentarem essa discussão dentro dos seus partidos. Por quê? Porque, srs. deputados e sras. deputadas, nós temos que fazer uma reforma partidária também. A democracia interna nos partidos tem que ser enfrentada no Brasil.
O deputado Padre Pedro Baldissera fala muito sobre o deputado mandar. Nem é preciso ser deputado para isso, temos pessoas que há 20, 30 anos estão mandando nos partidos. Será que temos coragem, deputado Ismael dos Santos, de fazer a mudança estatutária, os regimentos dos nossos partidos para não termos os chefões mandando? Poderemos democratizar os partidos? Esse é outro desafio.
Não adianta discutirmos lista, se não democratizarmos e se não fizermos a reforma dos partidos. É claro que teremos meia dúzia mandando nos partidos, ou dois, três coronéis. Agora, a sociedade também vai ver quais são os partidos que se abrem para a nova perspectiva, e irá apoiá-los.
Vi há alguns dias dados que mostram que mais de 50% da população já não sabem mais em quem votaram na última eleição. Se tivessem votado em um partido, em um projeto político, se tivessem optado por um partido que tem uma lista de candidatos de confiança, seria diferente. A sociedade, ao olhar a lista, irá ver que o candidato é de confiança e irá votar naquele partido e em um projeto. Não votará na pessoa, porque a grande decepção da sociedade brasileira está em votar na pessoa, porque logo, logo ela muda de partido, vende-se, por estar a serviço do poder econômico, corrompe-se. Esse é o grande problema da desconfiança do povo na política brasileira.
O voto em lista mudará radicalmente isso. O povo não irá votar no partido que colocar corrupto na sua lista. O povo não votará quando houver corrupto na lista. Por isso, o partido vai se preocupar em colocar gente séria na lista. O corrupto vai jogar o partido para baixo e todos vão-se preocupar com isso.
Para finalizar, quero dizer que sou extremamente favorável à lista. Não tenho nenhum receio quanto a uma profunda mudança partidária. Eu não acredito que o Congresso Nacional vá fazer uma profunda reforma, mas vai fazer o que é possível nesse momento. E o nosso partido defende inclusive uma Constituinte especial para fazer uma profunda reforma política no Brasil, porque sem essa reforma...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)