Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Valmir Comin

21ª Sessão Ordinária - 26/03/2009

O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. presidente, srs. deputados, na tarde de ontem eu fazia aqui meu pronunciamento com relação ao grande encontro ocorrido no sul do estado, encabeçado pelos integrantes da Caixa Econômica Federal, para dar agilidade, qualificar, requalificar, enfim, estreitar relações dos municípios com os caminhos dos ministérios do governo federal, para conseguir recursos de grande monta, eis que consideramos que dos fartos recursos que existem no governo federal, a maior parte dos projetos acabam perdendo-se na vala comum, em função da sua má formatação.

Srs. parlamentares, li uma reportagem do jornal Vanguarda de Urussanga, edição n. 237, de 19 de março, que fala sobre a obesidade mórbida e sobre a cirurgia de redução do estômago. E acompanhando alguns dados que temos, hoje, em Santa Catarina, percebi que há mais de 200 mil obesos. E a grande maioria deles é por falta de instrução, de aconselhamento, de hábitos alimentares adequados. Isso acaba ocasionando um sobrepeso, comprometendo assim a vida dessas pessoas, onerando o próprio estado, porque a doença da obesidade causa, além de artrite, artrose, doenças cardiovasculares, aposentadoria precoce. Enfim, uma série de itens acaba deprimindo o cidadão, baixando a sua auto-estima, comprometendo, sem sobra de dúvida, a sua qualidade de vida.

E a reportagem diz o seguinte:

(Passa a ler.)

"Depois da redução de estômago.

Seus 25 anos de vida, a sua maioria, passaram-se com a obesidade. Dietas feitas e refeitas, alimentos cortados, remédios e tratamentos realizados com o intuito de emagrecer, mas não deram certo. E a cada nova tentativa o peso na balança aumentava mais. A solução? Partir para a cirurgia de redução de estômago.

Foi essa a atitude tomada por Fátima Dione Consoni, de 25 anos, quando estava com 114 quilos distribuídos em 1,57 m de altura.

Diz ela: 'Eu sempre fui gordinha, já havia tentado de tudo, mas o que me fez buscar a cirurgia foram as três tentativas de perder peso com remédios que me fizeram engordar mais do que estava antes'."

Deputado Antônio Aguiar, v.exa. que é da área da medicina, juntamente com o deputado Jailson Lima e os outros médicos que temos aqui no Parlamento de Santa Catarina, entende a situação.

(Continua lendo.)

"Eu passava pela redução ou nada resolveria. O procedimento foi realizado pelo SUS - Sistema Único de Saúde. Antes da cirurgia ser feita, foi necessário passar por uma bateria de exames, incluindo consultas com nutricionista, cardiologia e psicólogo, que autorizaram, depois de todos os resultados favoráveis, a realização do procedimento.

Recebi a ligação em uma quinta-feira dizendo que no domingo tinha que dar entrada na internação. Na outra quinta-feira fui operada e depois de três dias tive alta. No período de internação e antes da cirurgia já havia perdido quatro quilos, com a dieta feita no hospital.

O procedimento realizado é chamado de cirurgia aberta, onde é colocado um anel na boca do estômago e dois grampos. Além disso, foi feito um desvio de intestino, isolando cerca de 1,20 m - um metro e vinte centímetros - do órgão.

A recuperação foi tranqüila. O meu maior medo era sentir dor e isso não aconteceu. Os pontos foram retirados após quinze dias e o maior cuidado que precisa ser tomado é com a alimentação. A primeira refeição realizada foi no sábado, dois dias após a redução, a dieta era feita somente a base de líquidos, sucos, caldo de sopa, água de coco e gelatina. Essa foi a alimentação durante 57 dias: 50ml a cada trinta minutos, era a quantidade máxima permitida depois dessa semana. O volume aumentou passando para 100ml a cada duas horas, sendo que a dieta passou a ser mais pastosa, iogurtes, feijão e sopas batidas no liquidificador passaram a fazer parte do cardápio."

E assim ela discorre toda a sua trajetória. Mas eu fiz questão de mencionar essa relação da cirurgia bariátrica, porque tive o privilégio de encabeçar neste Parlamento, ainda em 2005, uma audiência pública com a participação do secretário de Saúde, então deputado Dado Cherem, junto com a adjunta Carmen Zanotto. Estiveram aqui representantes de associações de apoio à obesidade mórbida em todo o estado de Santa Catarina. Na ocasião, tão-somente um hospital fazia a cirurgia de redução de estômago pelo SUS, o Hospital Universitário - HU, aqui, de Florianópolis.

E a partir daí, com a participação efetiva do governo, através da secretaria de estado da Saúde, foi possível fazer com que o Hospital Regional de São José, o Hospital Celso Ramos e o Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, de Lages, também passassem a efetivar essas cirurgias e o tratamento, desde a consulta, aos exames laboratoriais, ao operatório e ao pós-operatório.

Deputado Serafim Venzon, v.exa. que também é da área da medicina, sabe que esse foi um grande serviço prestado. Os dados que temos, hoje, mostram que Santa Catarina é o primeiro estado, proporcionalmente falando, no número de cirurgias bariátricas no país.

Isso é um feito e chama-se inclusão social, dar dignidade às pessoas que têm a sua auto-estima abaixo dos pés em função da gordura que carregam no corpo. E hoje elas gozam de uma auto-estima elevada, buscam oportunidade no mercado de trabalho, sentem-se bem perante a sociedade e voltaram a ter uma vida normal, graças ao trabalho desencadeado, iniciado por este Parlamento e que foi referendado pelo governo do estado, através da secretaria da Saúde.

O Sr. Deputado Serafim Venzon - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Pois não!

O Sr. Deputado Serafim Venzon - Deputado Valmir Comin, na verdade quero cumprimentar, juntamente com v.exa., a equipe médica, a equipe de enfermagem, essa equipe multidisciplinar que vem realizando esse trabalho em Santa Catarina, praticamente numa fila única no Hospital Universitário, que é um hospital, digamos assim, federal, nos hospitais do estado e em alguns hospitais credenciados que realizam essas cirurgias. Hoje, justamente, a obesidade mórbida é uma questão de saúde pública e naturalmente esse procedimento vem beneficiar muito gente.

Precisamos cumprimentar a equipe multidisciplinar, o deputado Dado Cherem, o governo e, enfim, todos que abraçaram essa causa. Como v.exa. falou, Santa Catarina é ponta em número de atendimentos, apesar de ainda ter uma fila grande, que nós queremos zerar.

O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Esperamos que esse exemplo seja espalhado para as demais regiões do estado, tendo em vista a grande demanda reprimida que ainda existe necessitando efetivar a cirurgia bariátrica, ou seja, a cirurgia de redução do estômago.

Era isso, sr. presidente e srs. deputados.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)