Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

15ª Sessão Ordinária - 12/03/2009

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sra. presidente, companheiros deputados e companheiras deputadas, eu gostaria de saudar todos os vereadores por esse encontro estadual e dizer o quanto ele é importante no atual momento, quando o povo e seus representantes sabem onde o sapato mais aperta. Então, o trabalho político mais gratificante, não restam dúvidas, é o do vereador. Eu comecei como vereador e sei quanto é importante esse trabalho para o crescimento da comunidade, no sentido de ela ter o seu representante lutando no poder local, que é a nossa prefeitura, dando uma consciência política mais ampla, para que se possa consolidar a democracia.

Mas, sra. presidente e srs. deputados, pelo que nós escutamos hoje, nesta Casa, é como se no Brasil estivessem, de um lado, de forma maniqueísta, aqueles que são bons e do outro lado aqueles que não são bons. Como se o Brasil estivesse dividido em duas partes: nós agora estamos fazendo, antes não foi feito. E aqui se falou muita bobagem. Uma delas foi dizer que quem começou a privatização e desgovernou este país foi Fernando Collor, que hoje é senador e grande aliado do atual presidente da República e do partido que governa com os seus aliados partidários.

Eu sempre trabalhei com a política dentro da realidade. Na social democracia, seja através do PSDB ou do PT, não há diferenças, a mesma formulação econômica está em vigor. Quem não sabe do Plano Real, do Banco Central, dos seus posicionamentos, da questão da globalização, da questão da política de incentivos fiscais? Tudo está sendo administrado da mesma forma, inclusive com os desvios do "mensalão" e tantas outras coisas que ocorreram. O importante é saber que o povo pensa, é inteligente e sabe que pode ter alternativas políticas, que pode escolher o menos ruim, porque é isso que está ocorrendo em nosso país.

Nada melhor, então, do que as eleições, porque assim o povo analisa. É importante que os parlamentares coloquem o seu posicionamento, mas nós, partidariamente, temos uma análise da situação da crise. Independentemente da questão partidária, hoje, a posição política mais coerente e correta é a da unidade. E é uma posição partidária defender essa unidade. Por quê? Porque todos nós temos que enfrentar esse desafio, porque quem vai sofrer mais será o trabalhador com o seu salário, com o desemprego, que é esse câncer do sistema capitalista.

Nós não estamos aqui discutindo, até porque estatização não é sinônimo do socialismo que nós defendemos como Partido Popular Socialista. Não se trata de estatizar, mas de dar o poder, realmente, à população acerca dos benefícios que podem ser trazidos. Mas o importante dessa unidade, hoje, é sabermos que o que vem pela frente será muito pior do que o momento atual. Alguns acham que as coisas vão piorar até a metade do próximo ano ou até o final do próximo ano.

Meus amigos deputados, quem está analisando politicamente sabe que os países do leste europeu sequer entraram nessa crise ainda. No momento em que os países do leste europeu começarem a entrar nessa crise, como o Brasil está entrando e tantos outros países, os senhores saberão o que será deste mundo?

Então, nós temos que nos preparar para o pior, porque ele poderá acontecer. E se o pior não acontecer, melhor ainda, mas estaremos preparados. Essa é a política do momento, a unidade de todos os partidos políticos, porque se trata da possibilidade de um colapso social, são as futuras gerações que estão em jogo. É a questão do emprego, da educação, do ensino, da tecnologia, da energia limpa, da nova fórmula de desenvolvimento, da preservação do meio ambiente, das liberdades políticas, porque quando há crise política, o que mais cresce são as soluções da direita, são as soluções de exceção e soluções particulares, nós já vimos isso.

Era isso o que eu queria dizer, sra. presidente e srs. deputados.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)