2ª Sessão Ordinária - 12/02/2008
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente e srs. deputados, dando continuidade ao assunto que me trouxe à tribuna no horário do Partido dos Trabalhadores, quando infelizmente não consegui concluir o meu discurso, volto a falar sobre esse tema. Mas antes, srs. deputados, sras. deputadas que nos acompanham, público que está presente nesta Casa e que está nos acompanhando pela da TVAL e pela Rádio Alesc Digital, gostaria de dizer que tomara que consigamos, este ano, fazer com que a nossa TVAL seja em canal aberto, para que toda a população do estado de Santa Catarina consiga acompanhar os trabalhos relevantes de diversos parlamentares, porque aqui se vota, aprova-se e discute-se grandes projetos, e nós somos os representantes dos catarinenses.
Quero dizer também, srs. deputados, dando continuidade ao assunto que me trouxe à tribuna anteriormente, sobre os pessimistas de plantão, que teimam em dizer e afirmar que o governo do presidente Lula não é um bom governo. É sim! É um ótimo governo, com erros, sim, mas com muitos acertos, e temos que destacar os acertos, principalmente a nossa imprensa.
É dessa forma que quero aqui fazer uma referência para mostrar que, de forma equivocada, os iguais são tratados diferentes, deputado Silvio Dreveck. Por exemplo, os cartões corporativos foram criados na época do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Inclusive, quero registrar que ele está com uma ira danada, eis que nunca vi um ex-presidente tão brabo, ele até parece que continua sendo o presidente do Brasil, porque não concorda com nada. Não sei por que a imprensa dá tanta possibilidade de ele fazer esses tipos de comentários.
Estou até estranhando, e diversos companheiros do meu partido também estão estranhando a ira do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele considera arbitrária a decisão da CPI Mista, a ser instalada no Congresso, para apurar os cartões corporativos desde a época em que foram criados. E foram criados pelo PSDB, por Fernando Henrique. Naquela época, deputado Jailson Lima, não havia o portal da transparência. Fernando Henrique Cardoso gastava com cartão, os seus assessores gastavam, todo mundo gastava com o cartão, e ninguém sabia.
No governo do presidente Lula existe o portal da transparência, onde qualquer cidadão tem acesso às informações, inclusive a imprensa, que não pode ter um lado só, ela tem que mostrar os dois lados, e falo aqui da Folha de S. Paulo.
Na semana passada, quando a mídia nacional destacava a questão de quem usava os cartões corporativos, falava-se no nome do presidente Lula, da sua família, dos ministros e citava o nome das pessoas. Na quinta-feira, quando foi descoberto um rombo no estado de São Paulo, a Folha de S. Paulo só disse assim: "São Paulo gasta R$ 108 milhões com cartões corporativos". Não disse aqui o nome do governador do estado de São Paulo, que o povo catarinense tem que saber que é o José Serra, do PSDB. Não fala aqui da família do governador de São Paulo, não fala. Não fala dos secretários de São Paulo, e muito pouco se fala onde foi gasto com os cartões corporativos. É isso que falo! É isso que critico!
A mídia tem que ser imparcial, tem que jogar limpo com as pessoas. Temos que condenar quem errou, mas temos que defender quem não tem nada a ver com isso. E falo isso, srs. deputados, até para nos poupar como parlamentares, porque a nossa vida é um livro aberto. E temos que continuar a dar explicação para a nossa comunidade do que fazemos nesta Casa. Mas também quero que a imprensa explique de onde vem o dinheiro que paga esta Casa e que o Poder Judiciário também preste contas dos respectivos gastos, assim como o Tribunal de Contas da União e dos estados. Aí, sim, será de forma transparente, assim como o governo do presidente Lula é transparente no caso dos cartões corporativos.
O governo do presidente Lula quis instalar a CPI, deputado Jailson Lima, mas o governador Serra não quer, e Fernando Henrique Cardoso também não quer que seja averiguado desde o ano em que os cartões foram criados, que foi no governo dele.
O Sr. Deputado Jailson Lima - V.Exa. nos concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!
O Sr. Deputado Jailson Lima - Comungo da sua indignação, deputada Ana Paula Lima, primeiro, porque nós, do PT, com certeza condenamos distorções que existiram e existem com relação aos cartões corporativos, que eu diria que é um mecanismo - nós fomos prefeito - construído pelo governo Fernando Henrique Cardoso para dar agilidade à máquina administrativa.
No entanto, percebemos a postura da imprensa quando enaltece a questão nacional e esquece a questão do estado de São Paulo, onde o governador é José Serra, que foi candidato a presidente da República, assim como Geraldo Alckmin, e isso acontecia lá numa proporção infinitamente superior ao que ocorre em nível nacional. SenriqueHenriquew
e considerarmos que o estado de São Paulo chegou a gastar quase R$ 110 milhões, enquanto o país inteiro gastou R$ 75 milhões, veremos uma grande distorção e uma diferença, além dos saques em dinheiro retirados diretamente no caixa, como aconteceu no estado de São Paulo, que foram quase R$ 15 milhões a mais.
Então, como é que o PSDB quer justificar o seu lado dizendo que lá não precisa CPI, mas que em nível nacional precisa? Há um direcionamento explícito em relação ao questionamento que é em cima da família presidencial, que também havia no governo Fernando Henrique Cardoso, porque o filho dele cometeu inúmeros escândalos neste país. Isso era comprovado; no entanto, a imprensa não ressaltava. Queremos correções, e o nosso papel é buscar a moralidade. No entanto, sempre se pauta em dizer que são os políticos que fazem com que haja descrédito por parte da população. Agora, é importante dizer que é preciso ser transparente no Judiciário, que é quem deveria estar fiscalizando, e hoje os jornais mostram que também existe cartão corporativo para os desembargadores e para o Tribunal de Contas.
Muito obrigado!
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Não estou aqui para criticar o profissional da imprensa, porque respeito a profissão do jornalista. Estou aqui para criticar os grandes meios de comunicação, porque às vezes o jornalista não pode se manifestar, porque o meio de comunicação reserva algumas pautas que ele acha interessante. É isso que falo, srs. deputados, inclusive para nos proteger dessas situações.
Também faço um apelo aos jornalistas que estão de plantão, que estão nos acompanhando: não posso me calar, srs. deputados, sras. deputadas e público que nos acompanha pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital. Sou mulher, mãe e não posso me calar diante do que está acontecendo, das barbaridades e dos crimes cometidos por alguns meios de comunicação, que insistem em agredir a filha do presidente Lula, que mora no estado, que é a Lurian, e a sua família.
A Lurian, srs. deputados e povo catarinense, tem a vida marcada pelas agressões daqueles que, na luta política, através das derrotas, não conseguem atingir as ações do governo popular e partem para os ataques pessoais, para os filhos, para os netos, para a família.
Eu quero fazer um apelo para que deixem a Lurian, os seus dois filhos, o seu marido, enfim, a sua família em paz. Já são quase 20 anos de perseguição política e de investigação na vida dessa família. Peço, sr. presidente, que deixem de vigiar a Lurian, na sua casa, no seu trabalho, e que deixem seus filhos nas escolas em paz. Ela não tem nada a ver com isso, não tem nada a ver com cartão corporativo, não tem nada a ver com o que está acontecendo, com essa orquestração em nível nacional. E faço esse apelo como mulher e como mãe, para que deixem as famílias em paz e que investiguem quem de fato é responsável pelo uso dos cartões corporativos.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)