Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Cesar Souza Júnior

43ª Sessão Ordinária - 28/05/2008

O SR. DEPUTADO CESAR SOUZA JÚNIOR - Sr. presidente e srs. deputados, já que o tema colocado aqui, nesta tarde, diz respeito ao verde, diz respeito à polêmica sobre os critérios utilizados para a definição de áreas devastadas da nossa Mata Atlântica, quero levantar aqui também um tema que tem a ver com o verde, mas com o verde urbano.

Os srs. deputados acompanharam a nossa luta empreendida, no último ano, em favor do jardim botânico em Florianópolis, a qual vem avançando, embora não na velocidade que esperamos, já que a carência, a fome de verde em Florianópolis é muito grande, mas a Epagri vem trabalhando no projeto definitivo, verificando já uma alternativa em busca de recursos para que a cidade ganhe esse grande presente. É um presente necessário, um presente fundamental, já que em relação aos índices que a Unesco determina de áreas verdes, de lazer e de entretenimento, a região da Grande Florianópolis tem índices ínfimos, 50%, 60% menor do que o necessário, ou seja, além de aumentar a malha viária, além de melhorar o serviço de saúde, de educação, de trazer novas empresas, é preciso também pensar e priorizar o verde.

Mas não basta apenas preservar, é preciso também garantir que as áreas urbanas de proteção ambiental tenham condições de acessibilidade. Por exemplo, 60% das áreas da Ilha de Santa Catarina são de preservação, áreas que são mantidas intocadas. É justo o percentual! A ilha tem que ser defendida, mas temos que avançar na direção de garantir essas áreas, dar condições de que pelo menos parte delas seja acessada pelas pessoas. Que elas possam interagir com a natureza, até porque quem conhece preserva. Não basta apenas garantir a reserva da área, é necessário garantir o acesso.

Os parques florestais nos Estados Unidos, no Canadá e notadamente na Alemanha são espaços de grande geração de fluxo turístico, ou seja, é possível, sim, conciliar acesso, visita, turismo e preservação, até porque o meio ambiente quando não conhecido pelas pessoas acaba sendo atingido, como o foi. E hoje o que se vive na região da Grande Florianópolis e também em boa parte do estado são ações muitas vezes judicializadas, em que o poder público perde a sua capacidade de gerir, de fiscalizar e de tomar decisões no tocante a projetos ambientais.

Portanto, volto a insistir, a questão de áreas públicas e parques de interação do ser humano com a natureza não diz respeito apenas à classe média, à classe alta. Também as pessoas que convivem com situações de carência, de vida dura e batalha, carentes muitas vezes até de um esgoto decente, querem ter áreas onde seus filhos possam divertir-se.

Hoje, em Florianópolis, a diversão pública das comunidades restringe-se à praia, que dura quatro meses por ano, e aos shoppings centers, que são realmente locais agradáveis, importantes centros de lazer e de compras, mas onde só se diverte quem tem dinheiro. O estado tem que propiciar às pessoas áreas públicas de lazer, até para praticarem um esporte, a fim de diminuir o estresse da vida moderna. E isso é ainda mais importante hoje, no mundo em que vivemos, em que os jovens já nascem conectados à internet, já nascem conectados à televisão e iniciam a vida absolutamente desconectados da natureza. Passam até a crer que talvez o leite que se consome vem da caixinha, não vem do animal, não vem da vaca, porque desconhecem a natureza, e quem desconhece, não preserva; quem desconhece, não respeita.

Por isso também é fundamental a proposta que a Epagri está desenvolvendo de que o jardim botânico seja também um centro de contato do meio urbano com o meio rural, que lá os filhos criados em apartamentos, os filhos da cidade, conheçam e respeitem o mundo rural catarinense tão importante, que produz os alimentos que consumimos. Porque o termo sustentabilidade, que recentemente tem virado moda, não diz respeito apenas à sustentabilidade ambiental, à preservação. Sustentabilidade é também sustentabilidade social. Há que existir a preservação da natureza, mas, sobretudo, há que existir também a sustentabilidade social.

As pessoas que vivem em ambientes com grandes áreas de preservação têm que ter acesso a esses ambientes, mas também têm que ter emprego e condições básicas de transporte, segurança, saúde e, principalmente, saneamento preservado. E o jardim botânico abrange todos esses pontos, até porque o cinturão verde que será criado é contíguo ao mangue do Itacorubi, que é um ecossistema frágil, fundamental para o equilíbrio de toda uma região, mas que vem sendo agredido frequentemente com aterros e com esgotos.

Assim sendo, garantiremos um mangue mais protegido de futuras invasões e futuros ataques. Mas não se pode deixar de ter em vista que a preservação do entorno do mangue é fundamental, mas um grande programa de recuperação daquilo que já está poluído, daquilo que já está degradado é mais fundamental ainda.

Finalizando, eu peço aos dois deputados que vão assumir, Carlos Hoegen e Ismael dos Santos, que estão no plenário acompanhando-nos, que dêem seqüência a esta nossa bandeira tão importante, tão fundamental, que é a criação do jardim botânico do Itacorubi, o primeiro espaço de lazer dentro dos parâmetros mundiais a ser instalado em Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)